Em Caná da Galileia...


A Ele pertencemos

Tu modelaste as entranhas do meu ser

e formaste-me no seio de minha mãe.

Dou-te graças por tão espantosas maravilhas,

admiráveis são as tuas obras.

Quando os meus ossos estavam a ser formados,

e eu, em segredo, me desenvolvia,

tecido nas profundezas da terra,

nada disso te era oculto.

Os teus olhos viram-me em embrião… (Sl 139/138)

“Mãe, o Daniel ainda só ouve Deus, ou já nos ouve a nós?”

“Já nos ouve a todos, sim.”

“Que grande confusão naquela cabeça, com tantas vozes diferentes! Achas que nos vai reconhecer quando nascer?”

“Claro! Já vos conhece a todos. Vocês passam a vida a falar-lhe, a fazer festas na minha barriga, a comunicar com ele!”

“Ainda bem. Quero que me conheça melhor a mim.”

“Não, a mim que sou rapaz e o vou ensinar a jogar à bola!”

“Calma, calma. O Daniel vai gostar de todos!”

As palavras do salmo descem devagarinho da cabeça ao coração, enquanto acaricio o ventre, contornando um pezinho espetado aqui e ali, sempre em movimento. Admiro o salmista, que recebeu de Deus a inspiração deste poema de amor, desvendando os segredos da Criação. Há milénios atrás, sem o recurso a ecografias, o salmista já tinha consciência de que o corpo do bebé dentro da mãe não se confunde com o corpo da mãe nem lhe pertence, antes lhe pede ajuda, com absoluta confiança, para se desenvolver feliz. Pertencer, pertence apenas ao seu Criador, como diz outro salmo:

O Senhor nos fez, a Ele pertencemos. (Sl 99/100, 3)

No próximo sábado, 27 de outubro, acontecerá nova Caminhada pela Vida, em Lisboa, Porto, Aveiro e Viseu. Como tem sido costume, este evento reunirá milhares de pessoas apaixonadas pela vida, mas não será divulgado pelos meios de comunicação social nacionais, mais interessados em divulgar as mortes e meias-mortes que se vão vivendo um pouco por todo o lado.

A mim, custa acreditar que em pleno século XXI seja preciso defender o direito à vida. A nossa sociedade será recordada, daqui a uns séculos, como uma sociedade bárbara, que aceitava com naturalidade o assassínio de nascituros e de idosos, tal como no passado se aceitou a escravatura e outras barbaridades. O papa Francisco chama-lhe a sociedade do “descarte”, onde tudo parece ser descartável.

Até o sexo com que nascemos, e que recebemos gratuitamente de Deus no momento da conceção, parece ser descartável hoje em dia, segundo a ideologia do género, que para espanto meu e de muitos, é encarada na nossa sociedade como algo desejável. A que picos de orgulho subimos, Deus santo! Parecemos os construtores de Babel, achando que podiam tomar o lugar de Deus… Que o Senhor não tarde a derrubar a nossa torre, para bem da humanidade! Fico feliz que algumas iniciativas relacionadas com esta ideologia, como o inquérito sobre a orientação sexual de pré-adolescentes numa escola no Porto, ainda sejam motivo de escândalo merecedoras de destaque jornalístico. Num país de brandos costumes como o nosso, ainda vai dominando o bom-senso…

Dentro de mim, o Daniel mexe sem parar, causando algum incómodo e muitas doses de alegria. Por causa dele, já não consigo arrumar a casa como desejaria, nem sequer sentar-me aqui ao computador com a regularidade a que vos habituei – e também sei, pelos sms e mails que tenho recebido, que vocês já se deram conta 🙂

Rezem comigo, connosco, nestas últimas semanas! E se puderem participar na Caminhada pela Vida – eu farei a minha em pensamento e oração, descansando entre a cama e o sofá, como o Senhor me pede nestes dias – não deixem de o fazer!

 

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