Em Caná da Galileia...


A intercessão, a Rede de Oração e Dorothy Day

Share on FacebookTweet about this on TwitterEmail this to someonePrint this page

“Nunca conheci ninguém mais disciplinado na sua vida espiritual que Dorothy: Missa diária, devoção do Rosário, confissão frequente, períodos de oração particular e de intercessão todos os dias. Quantas vezes a vi de joelhos numa das igrejas paroquiais próximas! Reparei que, enquanto Dorothy rezava, recorria muitas vezes a pedacinhos de papel. Certa tarde, tendo Dorothy sido chamada a sair da capela para atender um telefonema urgente, folheei o livro de orações que ela deixara no banco e descobri várias páginas seguidas de nomes, todos escritos com a sua cuidadosa letra inclinada, de pessoas, tanto vivas como mortas, por quem estava a rezar. Eu tinha a impressão de que Dorothy rezava como se a vida das pessoas dependesse disso, e certamente dependia.” (Testemunho pessoal de Jim Forest no final da biografia que escreveu de Dorothy Day).

Aprofundando a expressão de Jesus, que nos ensina a amar o próximo como a nós mesmos, S. Paulo pede-nos:

Não tenhais em mira os vossos próprios interesses, mas todos e cada um exatamente os interesses dos outros. (Fl 2, 4)

Cuidar dos interesses dos outros, preferindo-os aos nossos, é verdadeiro amor. E este amor também se traduz na oração: será que nós rezamos pelas intenções dos outros com o mesmo fervor com que rezamos pelas nossas próprias intenções?

No site temos uma Rede de Oração, que precisa de crescer, tanto em intercessores, como em intenções. Nada do que ali fica escrito se torna público, sendo apenas partilhado entre os que participam na Rede de Oração. Só seremos verdadeiramente comunidade cristã quando soubermos rezar pela família dos outros, com a mesma intensidade como rezamos pela nossa própria família.

Ao ler a forma como Dorothy Day – de quem falei aqui – rezava pelos outros, senti uma imensa alegria: afinal, a nossa forma de o fazer cá em casa é parecida com o dos santos, ou pelo menos, com o da Serva de Deus Dorothy Day! Também nós escrevemos os nomes e as intenções que nos vão chegando através da Rede de Oração, do mail ou da nossa vida pessoal em pequenos papelinhos, que colocamos num cestinho no Canto de Oração Familiar. Durante a nossa oração, na altura apropriada, a Sara vai buscar o cestinho e cada um de nós retira um papelinho, ao acaso. São tantos, que se tornaria impraticável lê-los todos todas as noites! Assim, a cada dia apresentamos ao Senhor oito intenções – porque somos oito a rezar – das muitas que nos chegam. Ficamos contentes por poder ir nomeando tantos e tantos irmãos, uns num dia, outros noutro dia, mas sem esquecer os mais antigos. O Niall conclui a oração, apresentando ao Senhor “todas as outras intenções que enchem o cestinho”.

“Mãe, o bebé em risco de vida já está bom, ou morreu?” Pergunta invariavelmente a Lúcia, quando rezamos por esta intenção que, há alguns meses, nos foi pedida no site. Não sei, mas gostaria de saber! Seria muito bom se aqueles que pedem orações também agradecessem através da Rede de Oração. Nem sempre a resposta de Deus é a que gostaríamos que fosse, mas seja qual for, é a resposta perfeita, porque é a sua Vontade.

De que serve então rezar, interceder, se não vamos mudar a vontade de Deus? Isso fica para outro post 🙂

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *