Em Caná da Galileia...


Cantar a Palavra

No domingo passado, a segunda leitura da missa foi o magnífico Hino ao Amor, de S. Paulo, recordam-se? Certamente que sim. É daqueles hinos que, escutando uma vez, nunca mais se esquece, e é preciso voltar a escutar, outra e outra vez, a vida inteira, para nos irmos aproximando de mansinho e aos bocadinhos do ideal que S. Paulo apresenta.

Há anos que procurava encontrar um cântico com a letra deste hino, para cantar na minha oração e para levar ao coro que coordeno, na Eucaristia. Existem várias versões, mas eu achava-as demasiado solenes, ou demasiado eruditas, ou demasiado complicadas. Assim, pedi ajuda à Clarinha, que prontamente meteu as mãos – e a voz – ao trabalho… Já escutaram, aqui destacado na barra lateral? Cantámo-lo no domingo, na missa, durante a Comunhão, e toda a assembleia acompanhou com entusiasmo. Ficou tão bonito! Receber o Senhor na Hóstia Santa, enquanto escutamos as palavras que melhor exprimem a intensidade do seu amor, é arrepiante.

Na barra lateral estão destacados dois outros cânticos, também bíblicos, também da nossa autoria. E em Cânticos (Da Nascente) estão muitos outros. Foram gravados com simplicidade, aqui em casa, apenas para que os possais aprender e cantar também. Levem-nos para os vossos grupos, a vossa família e a vossa paróquia!

De facto, escolher cânticos para a Eucaristia é uma tarefa que requer bastante preparação litúrgica e bíblica. Pensa-se, erradamente, que basta ser músico ou saber música para poder liderar um coro dominical, quando é preferível saber menos de música e mais de liturgia e Bíblia, pois o canto na missa deve acompanhar o tempo litúrgico, as leituras de cada domingo e os momentos da missa.

Muitos coros juvenis optam pelos chamados “cânticos de mensagem”, que embora sendo bonitos, não se adequam ao que vivemos na missa, por serem demasiado intimistas e, portanto, mais próprios para acompanhar a oração pessoal. Alguns têm tantas palavras, tantas frases, tantas imagens diferentes, que nos fazem esquecer a Palavra escutada na liturgia. Outros apresentam uma imagem de Deus desenraizada da História Bíblica, muito poética, muito emotiva, mas pouco ligada ao mistério da salvação.

Outros coros optam por cânticos muito elaborados, difíceis de aprender, com muitos solos, o que transforma o canto na missa numa “atuação” ou “exibição”, e e os seus cantores em “prima-donas”, como denunciou há pouco tempo o Papa Francisco. “Deveis animar a assembleia a cantar, não a deveis substituir”, disse o Papa.

Há ainda outros coros, mais “séniores”, que usam cânticos adequados, mas demasiado gastos pelo tempo.

Há depois os coros que cantam cânticos realmente apropriados ao contexto litúrgico, belos, profundos, modernos e ritmados, que nos fazem meditar e nos ajudam a viver a Eucaristia. É nesta senda que também nós queremos caminhar.

Os cânticos que aqui propomos são, portanto, bíblicos, podendo ser escolhidos de acordo com as leituras da missa. Em vez de nos distrair da Palavra, eles repetem-na, reforçam-na ou traduzem-na para a vida de hoje. São também simples de aprender e, assim, de acompanhar, dificultando o exibicionismo. E são belos, segundo nos dizem os paroquianos que os escutam.

Divulguem-nos, levem-nos para as escolas católicas, para as missas paroquiais, para a vossa casa! E digam-nos da vossa experiência de oração a partir deles!

Por cá, enquanto o Senhor nos inspirar, continuaremos a folhear a Bíblia, livro a livro, transformando em música a Palavra de Deus…

One Comment

  1. A Clarinha tem tanta luz e uma voz do céu!

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