Em Caná da Galileia...


Desafios

A manhã de sábado acordou luminosa, um pouco por todo o país, recordam-se? O vento amainou, o ar esteve seco e límpido, e apetecia estar ao sol. Assim, enquanto os nossos filhos mais velhos se fecharam nos quartos a estudar, os mais novos divertiram-se em “Náturia”, o descampado por detrás da nossa casa, onde se ocuparam a construir um castelo. Eu sentei-me no jardim a dar o biberão ao Daniel, deliciada com o sol morno que nos envolvia aos dois.

Foi então que o telemóvel deu sinal de nova mensagem no whatsapp. Abri, e deparei-me com uma fotografia dos nossos queridos compadres, a família Santos, e os seus quatro meninos. Estavam na serra de Sintra, aproveitando a manhã de sol. Eis a foto:

Fiquei roída de inveja, aquela inveja boa que nos desafia a sermos melhores. Mostrei a fotografia ao Niall e comentei: “Há gente com sorte… Há gente que sabe aproveitar os dias de sol!” Sem deixar de preparar o almoço, o Niall perguntou-me: “E o que nos impede a nós de fazer o mesmo?” Hesitei um instante, antes de responder: “Os meninos têm de estudar… Mas amanhã já não está um sol assim… Achas que podíamos ir fazer um piquenique?”

E antes que mudássemos de ideias, o Niall anunciou bem alto: “Meninos, quem quer vir ao “nosso” lago no Caramulo? Quem quer vir fazer um piquenique?” Escusado será dizer que todos queriam, do mais velho ao mais novo. Como corremos então! Despachámos o almoço num instante, preparei tudo o que precisava para o Daniel e às duas e meia da tarde estávamos a caminho do Caramulo.

“Trouxeram os casacos?” Perguntei, pois com a pressa não tivera tempo de verificar o que os meninos tinham colocado no carro.

“Não, mãe, mas não nos esquecemos dos fatos-de-banho, dos coletes de água e dos chinelos”, respondeu o António.

“Fatos-de-banho?! Mas é janeiro! Precisavam de casacos, não de fatos-de-banho!”

Os meninos estavam confusos: “Não disseste que íamos ao nosso lago no Caramulo?”

Fizemos a viagem com aquela bolhinha de excitação com sabor a férias, e numa hora estávamos no lugar mais belo do mundo. Que bonita, a água transparente! O sol estava quente, não havia vento… “Podemos tomar banho, mãe? Vá lá!” Não consegui dizer que não. A Sara, o António, a Lúcia e a Clarinha estavam determinados a mergulhar na água fria da montanha.

Um banho na água da montanha a 26 de janeiro tem um sabor especial, explicaram eles. A Clarinha deu um mergulho e comentou: “A água fria alivia a cabeça cheia de problemas de matemática de impossível resolução!”

Depois, e como ninguém se lembrara de levar casacos (quem se lembraria de casacos em pleno inverno, pergunto eu?!), acabaram vestidos com o casaco do Niall e o meu, e foi nessa linda figura que fizemos o nosso piquenique.

O Daniel, quentinho, saboreou o seu leitinho misturado com lufadas do ar puro da montanha. Embora não se tenha dado ao trabalho de abrir os olhos durante todo o tempo que passou no Caramulo, este não deixou de ser o seu primeiro piquenique!

Sem trabalhos de casa, sem pressas, sem computadores, sem livros, ali estivemos em família, sorvendo cada bocadinho de felicidade que o Senhor nos oferecia.

“Vamos explorar, mãe? Anda, vamos juntos!”

Coloquei o Daniel no pano embrulhado em mantas, que o sol já se tinha escondido por detrás da montanha e o ar arrefecera repentinamente, e lá fomos juntos caminhar ao longo do rio, visitando os moinhos, contemplando as cascatas, subindo e descendo pelos trilhos.

Perto da seis da tarde regressámos aos carros e iniciámos a viagem de regresso. Vínhamos todos felizes, serenos, transbordando gratidão. Que tarde deliciosa! Pelo caminho, rezámos o Terço e contámos histórias bíblicas, entre muitas outras brincadeiras e conversas. Na mala, os fatos-de-banho e as toalhas molhadas cheiravam a férias.

“Sabe tão bem parar de vez em quando!” Diziam os mais velhos, que nesta altura do ano andam assoberbados de testes e exames. “Parece que viajámos no tempo até ao verão, no meio do inverno! O mergulho soube mesmo bem!”

Estivemos na montanha duas horas, passámos juntos, nos carros, outras duas horas, e numa única tarde recuperámos o descanso e o convívio familiares que os cuidados deste mundo tendem a atrapalhar. Agora a chuva e o frio regressaram, mas ninguém nos rouba aquela magnífica tarde!

À noite, respondi à mensagem de whatsapp dos nossos amigos: “Vejam o que a inveja faz!” Escrevi, enviando um curto vídeo dos mergulhos dos meninos. “Bem hajam pelo desafio!” E rimo-nos juntos.

Agora é a vossa vez: que tal deixar correr essa boa inveja que já estão a sentir, juntar a família no próximo dia de sol e partir para uma tarde de Tempo de Família especial? Depois, partilhem connosco o vosso testemunho. Desafiemo-nos uns aos outros a sermos famílias mais unidas e mais felizes!

One Comment

  1. Estava a ler este post e só me vinha à cabeça aquela lindíssima música da Claudine Pinheiro…
    “Tu és a Água viva,
    Tu és a Água pura,
    Inunda-me, inunda-me
    E tudo se transformará em mim …”

    Obrigado querida Teresa! Beijinhos para todos

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