Em Caná da Galileia...


E se eu morrer esta noite?

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O verão chegou, e com ele, um pouco por todo o lado, chegou também a morte. As notícias sucedem-se: crianças esquecidas dentro de carros, famílias que perdem os filhos nas praias e nos rios, e agora o fogo que, de um momento para o outro, tudo arrasa, prédios ou estradas, moradias ou 26ºs andares. Enquanto uns contam os dias para o início das férias grandes, outros, sem o saber, contam os dias para a morte.

Não é possível assistir ao desenrolar das imagens aterradoras das últimas horas sem que os olhos se nos encham de lágrimas. Podia ter sido connosco… Podíamos fazer parte das famílias que, em pânico, viram a morte cair sobre elas em grandes labaredas vermelhas. Como serão os últimos momentos de quem vê assim a morte a cortar a estrada da sua vida, repentinamente, sem qualquer possibilidade de fuga?

“Digam aos meus filhos que os amo”, foi o último sms de um dos moradores do prédio londrino que ardeu. “Mãe, obrigada por tudo o que fizeste por mim”, foi o último telefonema de outro morador. E aqui em Portugal, imagino que as conversas dos que conseguiram ainda falar, nos seus carros ou nas suas casas, antes de morrerem no fogo, tenham sido semelhantes: “Amo-te”, “Obrigado por tudo o que fizeste por mim”, “perdoa-me”.

Afinal, que outras palavras importam realmente, para além destas? Será que as repetimos vezes suficientes ao longo da vida? Será que, se esta noite a morte nos encurralar, lamentaremos não as ter repetido a alguém? Quantas vezes por dia dizemos aos nossos filhos que os amamos? Aos nossos pais? Aos nossos irmãos e amigos? Ao nosso Deus? E perdão, será que pedimos perdão, a Deus e aos irmãos? Se eu morrer esta noite, terei a veste nupcial vestida?

Quanto tempo perdido na vida, quantas discussões inúteis, quanta fadiga por aquilo que passa, quanto egoísmo, quanta vaidade! Quando, num momento inesperado, tudo termina, o que levamos connosco? Dizia Santa Madre Teresa de Calcutá:

Para o Céu, só levamos o que tivermos dado.

Temos apenas o dia de hoje para vivermos e sermos santos. Temos apenas o dia de hoje para dizer obrigado, para pedir perdão, para dizer “eu amo-te”. Temos apenas o dia de hoje para dar, e para dar tudo, sem olhar a custos. S. Paulo dizia-nos na sábado, na sua carta aos Coríntios:

Cristo morreu por todos, para que os vivos deixem de viver para si próprios, mas vivam para Aquele que morreu e ressuscitou por eles. (2Cor 5, 15)

Temos apenas o dia de hoje para deixar, uma vez por todas, de viver para nós mesmos, e decidir viver a sério para Ele…

2 Comments

  1. “E se eu morrer esta noite” ?
    É este o pensamento que nos devia ocupar diariamente.
    Muitos dos que partiram hoje, pensariam ter ainda muito tempo para nisso pensar.
    Mas, quem pode explicar os planos de Deus e compreender os seus caminhos?

    Devemos estar preparados, pois não sabemos quando vem …

    Teresa, boa semana.

  2. Não sabemos quando virá o Senhor da vinha… não sabemos o dia nem a hora, apenas sabemos que o amor é determinante, e nestas mensagens que tanto nos comovem, sobressai o amor…
    Que Deus nos guie no Amor que pomos… no Amor que somos na vida de cada dia.
    Que Deus acuda a tantos que em, sofrimento profundo, encaram o futuro e que Jesus Misericordioso acolha as almas dos nossos irmãos e deles tenha piedade.
    Que o esplendor da Luz Perpétua os ilumine!

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