Em Caná da Galileia...


Mães de joelhos

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Uma das passagens que me tocou na autobiografia de Dorothy Day, The Long Loneliness, refere-se a um episódio da infância de Dorothy aparentemente insignificante.

Dorothy Day cresceu no início do século vinte nos EUA, numa família sem religião. À sua volta, havia católicos, episcopalianos e evangélicos, e as igrejas com os seus hinos exerciam um fascínio imenso sobre a pequena Dorothy, que no entanto raramente nelas entrava. A sua conversão dar-se-á muito mais tarde, depois de um romance falhado, um aborto procurado, novo romance e uma bebé nos braços. E o salto para a santidade, uma santidade indiscutível, começará precisamente aí, com a experiência da maternidade aceite. Dorothy veio a fundar The Catholic Worker, um jornal católico para trabalhadores, e as Casas de Hospitalidade, que hoje povoam os EUA acolhendo todos os sem-abrigo que delas necessitarem.

Mas voltemos ao episódio da sua infância:

Olhando para trás, dou-me conta de que foi a D. Barrett, uma vizinha, que me deu o primeiro impulso para o Catolicismo. Era o final da manhã e eu fui a sua casa chamar a Catarina para brincar. Não havia ninguém no alpendre ou na cozinha. Os pratos do pequeno-almoço estavam arrumados. Entrei para os quartos, pensando encontrar as crianças em algum deles. Mas quem encontrei foi a D. Barrett, de joelhos no chão, a rezar as suas orações. Ela voltou-se para me dizer que a Catarina e os irmãos tinham ido à loja e depois continuou com a oração. Eu senti-me a rebentar de amor pela D. Barrett, um sentimento de gratidão e felicidade que nunca esqueci.

Foi ela que me ensinou o que fazer. Muitas noites depois disto, eu insistia com a minha irmã para que rezasse comigo. Ajoelhava até os joelhos me doerem e ficarem frios. Ela pedia-me que viesse deitar-me para lhe contar uma história. Mas eu insistia para que ela rezasse comigo. Então começou o nosso treino de santidade – um mero jogo para nós.

Uma mãe ajoelhada no chão, rezando as suas orações no silêncio de uma casa pobre e humilde. Quantas mães católicas, hoje, ajoelham no chão para rezar as suas orações?

Dorothy nunca vira a sua própria mãe rezar, mas a visão da mãe de Catarina foi suficiente para iniciar o seu longo processo de conversão. Estaremos nós, pais e mães católicos, estaremos nós, catequistas, conscientes da tremenda importância deste gesto – sermos apanhados por uma criança em flagrante delito de oração?…

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