Em Caná da Galileia...


Maravilhas

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O Daniel está quase a fazer um mês. Há tão pouco tempo que irrompeu nas nossas vidas, e já ocupa um lugar que é só seu e que todos lhe reconhecemos!

Como chegou a casa, vindo da maternidade, no último dia de aulas do período, o Daniel passou quinze dias intensivos de convívio familiar, experimentando todos os colos da família e arredores, entre irmãos, tios, primos, avó e amigos.

Houve quem quisesse saber se o Daniel cabia na caminha das bonecas…

E houve quem descobrisse que também se pode estudar para exames de engenharia com um bebé ao colo:

Agora, que as férias acabaram e as rotinas escolares retomaram o ritmo normal, o Daniel é mais meu. Assim, pouco a pouco aprendemos a fazer muitas coisas juntos. Por exemplo, estender a roupa na corda, máquina após máquina, todos os dias:

 

Ou escrever aqui no site, a qualquer hora do dia – e da noite…

É cansativo, cuidar de um recém-nascido? Parece que dá sono…

Mas mais intenso ainda que o cansaço é o espanto, a capacidade de nos maravilharmos, a contemplação a que nos entregamos. Como é reconfortante, observar um recém-nascido a simplesmente existir, abrindo e fechando os olhos e as mãos, agitando as perninhas, sorrindo e chorando, adormecendo e acordando!

Quando me perguntam se é difícil ser mãe de sete filhos, ou quando me dizem disparates como “que coragem!”, fico com a sensação de que estamos a falar de coisas diferentes. Pois mais do que “trabalho”, “cansaço”, “dificuldade”, ter filhos rima com “maravilha”. E se nos entregarmos ao exercício de nos deixarmos maravilhar – já decidiram pôr em prática a proposta da Isabel Marantes? – veremos tudo sob uma luminosidade diferente, estonteante e bela. No final, como no parto, teremos esquecido a dor para apenas recordar a felicidade que cada filho acrescentou à nossa vida.

Dizia a Kendra Tierney no seu blogue que uma das suas regras familiares é esta: “If You’re Doing It Really Hard You’re Probably Not Doing It Right” (Se for demasiado difícil para ti fazer alguma coisa, o mais certo é não a estares a fazer corretamente). Isto vale, diz Kendra, para quando um filho tenta forçar uma fechadura em vez de rodar a chave certa, mas também vale para tudo o que procuramos realizar na vida – incluindo a oração familiar e as nossas estratégias educativas!

Eu estou convencida de que a maternidade, embora não seja para os fracos e certamente não seja para os preguiçosos, não precisa de ser extraordinariamente difícil. Afinal, ser mãe de muitos filhos é próprio da nossa espécie desde há milhões de anos! O problema está no nível de exigência que o mundo nos impõe. Com sete filhos, seria impensável para mim fazer uma festa de anos temática para uma Sara-Princesa, como as festas a que a Sara tem ido recentemente. Ou acompanhar todas as disciplinas escolares de todos os meus filhos, sabendo pormenorizadamente o que estão a aprender a cada dia, como o sabem vários pais de filhos únicos, colegas dos meus. Ou ir a todas as reuniões de pais. Ou ter sempre meias lavadas e emparelhadas nas gavetas. Ou fazer todas as magníficas atividades propostas neste site 🙂

Mas não deixamos de rezar o Terço todos os dias, ou de nos assegurarmos que os trabalhos de casa estão feitos, ou de andar asseados, ou de procurar “coisas novas” (leram o ensinamento mensal?) para o tempo de oração e de família, ou de ir à missa em família – e o Daniel já foi, desde que nasceu, a… cinco missas!

Há vários bebés atrás que decidi simplificar, escolhendo seguir não o que os livros e os sábios dizem, mas o meu instinto; não o que parece ideal, mas o que melhor se adapta à minha família, dentro do bom-senso, de forma a que os cuidados com o bebé não abafem os cuidados com os seus irmãos e o ritmo familiar. Assim, se não há tempo para dar banho diário, posso dar-lhe banho duas ou três vezes por semana  e estará limpo na mesma; se o bebé não adormece no berço, pode sempre dormir connosco na cama grande, com a ajuda de uma grade para não cair, e terá um pai e uma mãe mais descansados e menos rabugentos; e se ele insistir e pedir colo o dia todo, posso te-lo – o dia todo também – pendurado em mim, no pano que já carregou os irmãos, ficando assim com as mãos livres para cuidar da restante família. Daqui a muito pouco tempo, diz-me a experiência, também este filho precisará de dois banhos por dia, quererá dormir no quarto dos irmãos por ser bem mais divertido que o nosso e preferirá subir ao telhado a dormitar no meu colo. Até lá, há que simplificar, desfrutar… e deixar-me maravilhar!

 

 

 

3 Comments

  1. Enquanto lia, pela manhã, ecoava na minha pobre memória musical um cântico encantador, “Maravilhas fez em mim”, uma criança é sempre uma benção maior… E assim a minha oração da manhã foi enriquecida por um pequeno Daniel! e pela coragem da sua família!!! Sim Teresa, porque às vezes é preciso coragem até para respirar e é Graça de Deus não se aperceberem de quantos obstáculos trepa a cada filho que aceita!! Com muito, muito carinho e … feliz,por vocês!

  2. Catarina Silva

    Queria ter comentado este post logo ontem, quando o li. Não consegui fazê-lo, mas tenho mesmo de o fazer:
    O bem que me teria feito, ter “encontrado” a vossa família, a vossa dinâmica familiar e sobretudo a vossa vivência da fé, na altura do nascimento dos meus filhos!
    Sou aquele tipo de pessoa com a mania da organização, não consigo viver tranquilamente no caos sem entrar em stress, raramente estou quieta, gosto de simplificar, detesto tralha e perder tempo com coisas desnecessárias…No entanto, mesmo tentando simplificar, senti-me completamente a afundar com o nascimento dos meus filhos. Não tive grandes ajudas e lembro-me de me sentir completamente desesperada, exausta, perdendo em certos momentos essa capacidade de me maravilhar que a Teresa fala.
    Tenho a certeza que não fiz a coisa correctamente… Tudo porque as prioridades não eram as que deveriam ser…Como me teria ajudado ler um texto assim, para que se fizesse o “click”, e a capacidade de me maravilhar não ficasse nunca ofuscada pelo cansaço e pelo desespero…
    Contudo há uma coisa que é certa: as boas memórias são infinitamente superiores, o deslumbramento e o encantamento chegaram (chegam) a ser estonteantes! Não há nenhuma experiência de felicidade que chegue sequer aos pés do dom da maternidade. Não a trocaria por nenhuma outra! Agradeço constantemente ao Senhor este dom que me concedeu.
    E as lições de humildade que se aprendem? Ui, as lições de humildade….

    Também me fartei de rir com esta parte do texto: “…Ou fazer todas as magníficas atividades propostas neste site 🙂”
    Ah, ah, ah… será que eles não dormem?, penso eu muitas vezes. 🙂

    Muitas felicidades para todos!

  3. Licinia Maria Vieira

    Olá querida amiga. É muito bom aprender contigo e também eu gostaria de ter os teus ensinamentos quando os meus filhos eram pequenos para saber deliciar-me, sem desespero, em fases que exigiam amor e paciência.
    Também eu vou querer pegar no teu bébé e ver um sorriso de mãe feliz.
    Também te quero dizer que o caminho que percorrem será, aos poucos, aquele que quererão percorrer os teus leitores que se vão certamente multiplicando.
    Estou feliz por vocês.
    Um beijo amigo e agradecido.

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