Em Caná da Galileia...


O pobre Lázaro, o rico e a recompensa eterna

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Num destes dias, o Evangelho apresentou-nos uma das histórias mais perturbadoras da Bíblia: a parábola do pobre Lázaro e do rico. Diz o Evangelho que

Havia um homem rico que se vestia de púrpura e linho fino e fazia todos os dias esplêndidos banquetes. Um pobre, chamado Lázaro, jazia ao seu portão, coberto de chagas.  (Lc 16, 19-20)

A história continua, dizendo que, ao morrer, o pobre Lázaro foi levado para “o seio de Abraão”, isto é, o Céu, enquanto que o rico foi levado para a morada dos mortos e achava-se em tormentos, ou seja, o inferno.

Estou convencida de que a maioria dos cristãos que escuta esta Palavra não se debruça suficientemente sobre ela. Pois de outro modo, a nossa vida há muito teria mudado.

De facto, o que é que este rico fez de mal, ou este pobre de bem, para a recompensa de cada um ser tão diferente? Não se diz, em nenhum lugar da parábola, que o rico causou o sofrimento do pobre, que o roubou, que o maltratou. Diz-se apenas que o pobre jazia à sua porta.

“É a isto que chamamos pecado por omissão”, explicou o Francisco, perante o silêncio dos irmãos. “O rico não fez nada de mal, mas também não fez nada de bem. E nós não estamos na vida para não fazer nada de mal; estamos na vida para fazer o bem.”

Quantos de nós estamos realmente atentos ao sofrimento dos irmãos? Quantos de nós estendemos a mão e abrimos a porta aos Lázaros que jazem cá fora? Quantos de nós nos preocupamos com o bem estar comum? Eis alguns dos comentários mais frequentes, em conversas mundanas: “Trata da tua vida”, “Não te preocupes, que não é nada contigo”, “Desde que não prejudiques ninguém, cuida das tuas coisas”…

Mas a parábola vai ainda mais longe. A única explicação para esta diferença de tratamento entre o rico e o pobre é-nos dada pelo próprio Abraão, que diz ao rico:

Filho, lembra-te de que recebeste os teus bens em vida, enquanto Lázaro recebeu somente males. Agora, ele é consolado, enquanto tu és atormentado.” (Lc 16, 25)

A explicação não é, de todo, convincente. Então o rico é condenado por ter recebido apenas bens em vida, e o pobre é salvo por ter recebido apenas males? Que culpa é que um e outro tiveram da sorte que lhes calhou?

Pois… Quem recebe apenas bens tem a obrigação moral de partilhar os males dos irmãos. A única forma de amar é partilhar o sofrimento do irmão até ao fim, dando por ele a vida, como Jesus fez. “Não é justo que nos apresentemos diante do Senhor sem muitos sofrimentos”, foram as últimas palavras de Joana Molla ao marido, acordando a meio do coma, depois de ter salvo a filha através da oferta da sua vida. Com que cara podemos nós chegar ao Céu e olhar de frente o Cordeiro Imolado, que nos salvou à custa de todo o seu Sangue, se não levarmos connosco uma boa dose de sofrimento?

Se queremos chegar ao céu, partilhemos a dor dos nossos irmãos, servindo-os à nossa custa, dando até fazer falta, dando até doer, dando sem nada guardar para nós, deixando de lado o nosso conforto, os nossos espaço e tempo pessoais, os nossos sonhos e projetos… Enquanto a caridade não nos causar nenhum tipo de dor, não teremos direito à recompensa eterna.

Já leram o Ensinamento Mensal, Amar até ao Fim? Meditem-no em família nesta quaresma, imprimam-no e divulguem-no nas vossas paróquias!

Uma santa quaresma para todos!

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