Em Caná da Galileia...


O sim de Maria, o sim do António, o compromisso das Famílias de Caná

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Segunda-feira, a Igreja celebrou a Solenidade da Anunciação, transferida do dia 25 de março, este ano Domingo de Ramos. Assim, e como costumamos fazer em dias de solenidades, fomos juntos à missa, ao fim da tarde. O António estava cheio de pressa:

“Mãe, achas que posso acolitar, mesmo sendo à semana?”

“Claro! O senhor padre fica todo contente.”

“Ainda bem. É que assim sou o primeiro a comungar. E eu gostei tanto de comungar ontem! Quero comungar hoje e sempre. Acho que vou contar as minhas comunhões.”

“Eu também disse que ia contar e esqueci-me”, respondeu-lhe a Lúcia.

Com a pressa de irmos à missa, o António nem se lembrou de trocar as suas sapatilhas velhas pelos sapatos novos, e foi um acólito um bocadinho desalinhado que serviu o altar. Mas mesmo assim, um acólito muito empenhado. No final da Eucaristia, a caminho de casa, confidenciou-me:

“Mamã, eu acho que Jesus já trocou o meu coração. Acho que Ele veio e tirou o coração de… como é que diz a Bíblia? O coração de pedra…”

“… e o substituiu por um de carne…”

“É isso! Já reparaste?”

“Reparar em quê?”

“Que agora já não digo sempre ‘não’ quando tu me pedes para tomar banho, ou para parar de arreliar a Sara, ou para fazer os TPCs, ou para vestir o casaco…”

“Sim, já reparei! Quer dizer, reparei que só dizes ‘não’ uma vez, e depois, quando peço de novo, respondes logo ‘sim’. Já não insistes no ‘não’ até me fazer perder a paciência…”

“Pois, é isso. Quando fiz a Primeira Comunhão, pedi a Jesus para me ensinar a dizer sempre ‘sim'”

“Como Maria, não é, António? Foi o que ouvimos hoje no Evangelho:

Eis a escrava do Senhor. Faça-se em mim segundo a tua Palavra. (Lc 1, 38)

A nossa conversa tem continuado nestes dias, e os ‘nãos’ do António vão pouco a pouco convertendo-se em ‘sins’, embora talvez não com a rapidez que ele desejaria. E eu recordo-me de uma frase de Santa Teresinha:

Não recusemos nada a Jesus! Um dia Ele nos dirá: “Agora é a minha vez!”

Aproxima-se o dia do nosso compromisso ou da renovação do mesmo. Sei que há várias famílias, por Portugal fora, a caminhar desafiadas pelo nosso carisma, procurando a cada dia beber das Seis Bilhas de Caná. Em cada lugar por onde temos passado, temos sido sempre surpreendidos pelo Senhor, que nos faz contactar famílias que, ainda antes de nos conhecer pessoalmente, já punham em prática as nossas propostas de vida. A muitas famílias, só falta dar o passo mais simples: escrever-nos para o mail, vir visitar-nos e, diante do senhor bispo no próximo dia 28, comprometer-se. Deus não gosta de meias-medidas – já leram o Ensinamento Mensal?

Como bem diz o António, está na hora de deixar de dizer “não” e aprender a dizer “sim”. Peçamos ao Senhor, na próxima Comunhão, que mude o nosso coração de pedra num coração de carne. E peçamos a Maria, a Senhora da Anunciação, que nos ensine a fazer tudo o que Jesus nos disser…

 

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