Em Caná da Galileia...


Primeira Comunhão

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Há muito tempo que o António nos pedia para fazer a Primeira Comunhão. Servindo o altar como acólito desde os seis anos, frequentando a catequese a nosso lado desde pequeno, tendo catequese em casa todos os dias da sua curta vida, o António sentia-se preparado; e não entendia como, estando preparado, não o deixávamos comungar. Várias vezes o senhor padre Taveira se confundia e, quando chegava a hora de dar a comunhão aos acólitos, quase, quase a dava também ao António. Ele precisava então de toda a sua coragem para abanar a cabeça e dizer: “Ainda não comungo!” E trocavam um sorriso. A tentação de avançar nesses momentos era grande, mas o senhor padre tinha-lhe dito: “António, avisa-me sempre, porque não seria bonito comungares por eu estar distraído!” O António sabia-o bem. E a vontade de comungar crescia de dia para dia.

Um pouco antes da Páscoa, enquanto procurava na Internet o horário das missas de determinada paróquia, pesquisando em “Sacramentos”, encontrei este parágrafo:

Não se aproximem para receber a Eucaristia «as crianças que ainda não tiverem atingido a idade da razão» ou que o pároco «tenha julgado insuficientemente preparadas» [171]. Contudo, quando acontecer que uma criança, de modo excepcional em relação à idade, seja considerada amadurecida para receber o sacramento, não se lhe negue a Primeira Comunhão, desde que esteja suficientemente instruída. (Redemptionis Sacramentum (http://www.liturgia.pt/docs/redsacr_8.php#07)

Senti uma alegria incontida. Para Deus, o acaso não existe, e por isso, pareceu-me de imediato que o seu dedo estava aqui. No dia seguinte, enquanto fazia a minha oração diária no Santuário, olhei para Nossa Senhora e pedi-lhe ajuda. O António estava preparado, queria receber a Comunhão, mas só frequenta o segundo ano de catequese… Nossa Senhora parecia sorrir, e eu já me habituei a confiar nas intuições que recebo em sua casa. Saí do Santuário com pressa e telefonei ao senhor padre Taveira.

Domingo da Misericórdia, o mesmo domingo em que, há oito anos atrás, o António foi batizado. Agora chegara o dia de receber Jesus, o seu bom Jesus, no coração.

Com serena alegria, o António vestiu a sua túnica de acólito, como todos os domingos. Ao peito, um crucifixo novo, que o senhor padre abençoou. A seu lado, entre os acólitos, estava também o David. Na assembleia, os outros irmãos, os pais, a avó, os primos e os tios. E as catequistas. E todos os paroquianos que o viram nascer, crescer, acolitar, chegar a este dia santo…

Não sou capaz de descrever a beleza interior desta missa. O António acolitou durante o batismo de uma pequenina ali também presente, depois preparou o altar, com a ajuda do David e da São, a querida amiga que, juntamente com a Lena, o ensina a acolitar desde o início.

 

Chegou o grande momento. Com simplicidade, o António ajoelhou diante do altar, o pai e a mãe a seu lado. O senhor padre aproximou-se com o David, que segurava a patena. E levantando a Hóstia Santa, o senhor padre curvou-se até bem perto do rostinho atento do António e falou-lhe em segredo do imenso amor de Jesus, que vinha finalmente ao seu coração. Segundos de adoração com peso de eternidade… Só depois, o António comungou. E depois dele, o Niall e eu, de olhos embaciados.

Depois de uns breves momentos de oração, o António levantou-se e continuou o seu serviço, segurando a patena enquanto a assembleia vinha comungar. E segundo me contou à noite, já na sua caminha, durante todo esse tempo continuou a falar com o seu Jesus, ali diante dos seus olhos e agora também dentro do seu coração.

Para celebrar, tínhamos planeado um piquenique no Canto de Caná. Ao longo de toda a semana, o boletim meteorológico previu chuva intensa para este dia, mas eu tinha a convicção interior de que Nossa Senhora desejava o nosso piquenique. Não porque sejamos especiais, nem sequer por o António ter pedido a Jesus o sol, mas porque um piquenique para celebrar uma Primeira Comunhão é sinal da simplicidade tão desejada pelo Papa Francisco e tão defendida pelas Famílias de Caná, segundo a nossa Carta Fundacional (já a leram?). É preciso regressar à essência dos sacramentos, que reúnem a família e os amigos como ocasiões de festa, mas não de luxos ou vaidades, verdadeiro escândalo quando se trata de cristãos. Não podemos continuar a ter cristãos que adiam os sacramentos, especialmente o Batismo dos filhos e o seu próprio Matrimónio, vivendo em união de facto, por não terem dinheiro para as festas. Só há uma forma de anunciar a simplicidade de Jesus: testemunhando-a.

E o sol brilhou durante as três horas que durou o nosso piquenique. Houve tempo para as Bodas, celebrando à volta das mesas fartas, cheias das iguarias que a família e os amigos trouxeram. A Clarinha tinha feito o bolo da Comunhão, com o carinho e o cuidado que lhe são tão típicos. Estava tão saboroso quanto bonito!

Quando a chuva veio, reunimo-nos no Canto de Caná para agradecer a Jesus e à Mãe tantos dons, rezando o Terço. Não há lugar mais belo no mundo! Já o conhecem?

Pelas três horas, os amigos e a família já tinham partido e estávamos de novo em casa. Lá fora, chovia torrencialmente. Um dos presentes do António neste dia foi o filme sobre a vida de Dom Bosco, e foi isso mesmo que decidimos ver em família. Que escolha maravilhosa, em dia de Primeira Comunhão, meditar no exemplo deste sacerdote santo e da sua entrega total aos jovens pobres, por amor a Jesus!

Por fim, na oração familiar antes de dormir tivemos ainda tempo para rezar o Terço da Divina Misericórdia, esta misericórdia que hoje o António, como os Apóstolos, pôde adorar e tocar com o seu próprio corpo, boca, coração…

10 Comments

  1. Parabens António
    Que Deus te abençoe
    Um grande abraço
    Ficastes nos nossos corações como tu mas tambem toda a família
    Abraço

  2. Helena Atalaia

    Um grande beijinho de parabéns para o António e toda a família!

  3. Que bom António poderes receber Jesus no teu coração, com tanta simplicidade. Parabéns à família Power.

  4. 😘😘😘😘😘😘

  5. Parabéns,António e obrigada família Power por mais este testemunho.
    O nosso coração sorriu à vossa simplicidade.Este fim de semana também tivemos o batizado do Daniel.Que alegria!
    E festejamos com a partilha de um bolo ( e só!:) no final.
    Sentimos isso mesmo, que somos convidados à radicalidade da simplicidade e a recentrar o nosso olhar naquilo que verdadeiramente é importante.
    Um grande abraço e obrigada uma vez mais

    • Parabéns, Elisabete, pelo Daniel! Que feliz coincidência! Temos de o conhecer! Para quando o compromisso de Caná? 🙂 Bj

  6. Catarina Silva

    Que maravilha!
    Quando os catequistas por vezes se sentem desanimados, por os meninos e as suas famílias darem mais importância à festa do que ao sacramento em si, eis que surge a história do António….Que Bom!
    Muitos Parabéns!

  7. Parabéns António! Que festa tão bonita 🙂

    Só tenho pena pela Lúcia, pois pelo que a Teresa partilhou aqui no site ela teria tido também muito gosto em receber a primeira comunhão ainda no 2.º ano, e teve de esperar…

    É, de facto, uma tristeza adiar os sacramentos pela questão do dinheiro. Mas quanto ao matrimónio, se não for pela festa, ao menos é preciso adiar o suficiente para os noivos terem meios de se sustentarem e aos filhos que hão-de nascer. E infelizmente por vezes isso significa esperar muito.

    • Obrigada, Maria! A experiência que tivemos com a Lúcia foi em parte causa desta decisão… O namoro, dizia S. Josemaria Escrivá, se não puder ser curto, há de ser heróico. Se é preciso esperar, que seja uma espera santificante, porque é do sacrifício oferecido que nasce uma família santa! Bj

  8. Parabéns querido Antônio, que alegria tão grande! Muitos beijinhos para todos

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