Em Caná da Galileia...


S. José, o pai

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Que grande dia hoje, dia de S. José! Não há certamente em toda a história da humanidade um santo maior que S. José, depois de Maria. Porque se houvesse, Deus o teria escolhido para pai de Jesus.

Temos aqui muita matéria para nos fazer pensar, nós que não vamos a uma conferência antes de ler o currículo do conferencista, nem compramos um livro antes de saber se o autor já apareceu na televisão; nós que tratamos as pessoas pelos seus títulos académicos e nos elogiamos uns aos outros baseados no que temos e adquirimos… Quem foi José? Qual o seu curriculum vitae? Que fez ele para se candidatar a pai de Jesus? Esta agora! Se o quiséssemos convidar a dar uma conferência sobre a infância do Filho de Deus, o que saberíamos dizer de José para o apresentarmos?

“José, o carpinteiro de Nazaré…”

“De onde? Nazaré? Onde fica isso?”

“Investiga e verás que da Galileia nunca saiu nenhum profeta”, disseram os fariseus a Nicodemos, segundo Jo 7, 52. De facto, o nome Nazaré não aparece uma única vez em todo o Antigo Testamento.

Quem foi José?

José tem o segredo mais bem guardado de toda a Bíblia. A sua humildade era tão grande, que José permaneceu escondido não apenas dos olhares do mundo, mas até dos olhares dos evangelistas. Sabemos o essencial, claro: José estava atento à voz de Deus, reconhecia-a quando lhe falava e respondia com prontidão absoluta. Sabemos que era justo, que acreditou em Maria, que levou a sua família até Belém e que de lá a conduziu ao Egito, salvando Jesus da morte planeada por Herodes. E é tudo. Mas Deus podia ter deixado José contar-nos um bocadinho da sua experiência com Jesus, não concordam? Seria tão bom para nós saber como é que José educou Jesus, que histórias da Bíblia lhe contou, que gestos de amor e serviço de José marcaram o Filho de Deus na sua primeira infância… Seria tão bom para nós saber como José enfrentou a morte, ou como demonstrou a sua virtude na doença, ou até se esteve doente… Por que terá Deus permitido tamanho silêncio sobre José?

E contudo, mesmo sem histórias para contar, mesmo sem pormenores dignos de um curriculum vitae, a fama de José não parou de crescer, até hoje, sempre a partir dos escassos detalhes que os Evangelhos nos trazem sobre a sua virtude. Foram precisos vinte séculos para o seu nome aparecer na oração eucarística, depois do nome de Maria e antes do nome dos apóstolos. Serão precisos mais alguns séculos, imagino, para chegarmos a mais algumas considerações sobre a santidade de José que eu não ouso antecipar, mas que acredito no meu coração serem verdadeiras…

José. Não gosto de palavras como “pai putativo”, “pai adotivo” ou outras. Sabemos que José não foi pai biológico de Jesus – e quem nega esta verdade não é católico, é preciso que o digamos com todas as letras – mas sabemos que Jesus o tratava por pai: “Teu pai e eu andávamos aflitos à tua procura”, diz-Lhe Maria no episódio da perda e encontro de Jesus no templo. E adotivo ou não, pai é pai.

S. José, pai de Jesus. Modelo de pai para os nossos tempos, para todos os tempos.

S. José, rogai por nós! Ámen.

One Comment

  1. Que imagem tão bonita de S. José!
    Realmente, sempre me perguntei por que não diz a Bíblia nada sobre este santo, depois da infância de Jesus. Mas se não foi convidado para as bodas de Caná, e mais ainda, se não estava com Maria junto à cruz, certamente já teria morrido…
    S. José, rogai por nós!

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