Em Caná da Galileia...


Tempo de família… com chuva

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Depois de tanto pedirmos a Deus o dom da chuva, ei-la para ficar, e ficar, e ficar… E ainda há quem diga que Deus não escuta as nossas orações?!

Quando chega a hora de ir buscar os meus filhos à escola, nestes últimos dias, rezo por um pouquinho de sol, ou pelo menos, por uma trégua na chuva. É que dez pessoas numa casa tipo T3, sem poder ir lá fora, não é fácil. Já para não falar nos fins-de-semana… No fim-de-semana anterior a este, a Sofia Portela, a namorada do Francisco, veio visitar-nos. Assim, fomos onze fechados numa casa, e como a Sofia, quando nos visita, dorme no escritório, até aí havia uma cama para ajudar a reduzir a velocidade de deslocação dentro de casa. Se a isso juntarmos a tendência inata da Clarinha e da Lúcia para passarem mais tempo com os pés no ar do que no chão, deslocando-se através de rodas e piruetas, e a mania da Sara e da Raquel de se deslocarem de patins de quarto em quarto, podem imaginar a confusão! Cheguei a desejar um sistema de semáforos para nos movimentarmos nos corredores ou passarmos pelas portas…

Dias e dias dentro de casa, numa família numerosa, significam um enorme treino de virtudes, como a paciência, a partilha, a tolerância, o perdão; e de talentos, como as artes plásticas, a música, a ginástica e a dança. Dias e dias dentro de casa dão tempo para jogos de mímica e jogos de damas, para construções e para tendas improvisadas no meio da sala com cadeiras, trapos e molas de roupa (sim, o espaço de circulação foi sempre a diminuir). E por que não ver um belo filme familiar, todos juntos no sofá? Como felizmente só há uma televisão em nossa casa, é preciso que todos concordem com a escolha do filme, o que não costuma ser fácil, se considerarmos que o elemento mais novo tem cinco anos e o jovem mais crescido dezanove (Happy Feet venceu e foi um sucesso). Mas também aqui se treinam as virtudes, não é verdade? Também podemos usar os computadores, e há quem esteja a aprender, com a ajuda do Francisco, a editar fotografia. Pode aprender-se muito com o computador, sem passar o tempo a jogar! O importante é não permitir que, à falta de espaço físico onde nos isolarmos, nos isolemos nos espaços virtuais.

Nestes últimos dias, cá por casa houve zangas, birras, lutas pelo mesmo brinquedo, amuos porque havia sempre alguém a fazer batota nos jogos, enfim, como diria Jesus, houve choro e ranger de dentes. Mas houve sobretudo muita alegria. Alegria daquela que nasce quando somos capazes de contrariar a nossa vontade para fazer a do outro, renunciar aos nossos gostos para satisfazer os do irmão. Fazemos nossa a bela oração de S. Francisco de Assis:

Senhor, fazei que eu procure mais

consolar, que ser consolado

compreender, que ser compreendido

amar, que ser amado.

Pois é dando, que se recebe

é perdoando que se é perdoado

e é morrendo que se nasce para a vida eterna!

Neste sábado, a chuva foi fazendo umas pausas a cada meia-hora, e a cada meia-hora todos corriam lá para fora. Trepavam, literalmente, pelas paredes:

Eu suspirava, aliviada, por durante alguns minutos ter a casa arejada. Depois recolhia de novo a minha ninhada, que tem estado temporariamente alargada a oito, e com um “Nós, Jesus!”, lá recomeçávamos o treino.

O treino da santidade.

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