Em Caná da Galileia...


Tempo de família

Caminhamos em família, algures na serra do Gerês. Queremos chegar ao cimo da montanha, mas quanto mais caminhamos, mais o cimo se afasta de nós. É preciso estugar o passo. As manadas e os rebanhos que encontramos pelo caminho assustam os mais novos (e os mais velhos também, que os chifres das vacas barrosãs vistos de perto são um bocadinho assustadores) e, por precaução, precisamos de refazer a rota. Há, realmente, mais vacas e cabras pastando soltas na montanha do que pessoas. Voltamos para trás. Estamos perdidos!

Os mais velhos tomam os mais novos às cavalitas. Quando um começa a chorar, os outros começam a cantar, para que a ninguém falte o ânimo. Afinal já não conseguimos voltar para trás… É mais fácil seguir em frente, não vos parece? Rimos, animamo-nos uns aos outros, damos colo e fazemos brincadeiras. E se rezássemos o Terço da Divina Misericórdia enquanto caminhamos? Alguém sabe o caminho? Todos dão a sua opinião, mas é preciso que o pai decida, porque só ele pode assumir o risco.

As silvas e os espinhos arranham-nos as pernas, mas a beleza da montanha acalma qualquer dor. O silêncio é apenas quebrado pelo chocalhar dos badalos dos rebanhos, ao longe. Um vento quente fustiga-nos o rosto, e a grandiosidade da Criação atinge-nos no mais profundo do ser. As horas vão passando, a fome apertando. Valem-nos as fontes espalhadas pela montanha, saciando a sede e restaurando as forças. Arriscámos demais, pensamos.

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Talvez não. Talvez a caminhada em família seja mesmo assim: o cume a chamar lá no alto, os mais velhos dando colo aos mais novos, a oração acertando os ritmos de uns e de outros, a impossibilidade de voltar atrás, o contínuo refazer da rota, a confiança, a alegria, as gargalhadas no meio do maior cansaço, a descoberta de que é bom, mesmo bom estarmos juntos – intensamente juntos – e sermos, uns para os outros, rostos, mãos, braços, costas de misericórdia.

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Há caminhadas que não se esquecem, pela cicatriz de felicidade que deixam na alma.

Ser Família de Caná é também isto…

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One Comment

  1. Mónica Moreira

    Se deixarmos que o Amor de Deus seja a cola que une a família, será muito mais fácil caminharmos juntos em direcção ao topo da montanha! Obrigada Teresa, por tudo… a sua missão é claramente ensinar as famílias a unirem-se à volta de Deus.

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