Em Caná da Galileia...


Transfiguração

Na segunda-feira passada partimos, em família, para uma semana de férias num dos lugares mais bonitos do mundo: a Serra do Gerês.

Queríamos partir de manhã muito cedo, mas fazer malas, carregar os carros e movimentar uma família numerosa e os seus dois cães velhinhos não é algo que se faça rapidamente. Eram quase onze horas quando, por fim, nos fizemos à estrada.

“Vamos fazer um piquenique no Sameiro como sempre, mãe?” Perguntaram os meninos. A peregrinação ao Sameiro, quase como que uma ligação entre dois santuários marianos – o “nosso”, de Nossa Senhora Auxiliadora, e o do Sameiro – é já uma tradição familiar na inauguração da semana de férias. E este ano não seria exceção.

“Claro!” Respondi. “Só tenho pena de partirmos tão tarde. Já não iremos ter missa no Sameiro, e logo hoje, que é um dia de festa…”

“Que festa?”

“Hoje é dia da Transfiguração de Jesus. Seria tão bonito termos missa no Sameiro! Mas a esta hora já não encontraremos. Paciência! Entraremos de qualquer forma no santuário para rezar à Mãe e Lhe confiarmos estas férias que Ela tão generosamente nos concedeu de presente.”

Chegámos ao Sameiro cheios de fome, e num instante devorámos um belíssimo piquenique. Depois, serenamente, entrámos no santuário para rezar…

… E foi enquanto rezávamos em silêncio, perto das três da tarde, que nos apercebemos de uma movimentação em torno do altar. O que seria? Alguém estava a preparar o missal e o ambão… Mas não era hora de missa! Um grupo de jovens movimentava-se alegremente nos primeiros bancos e em torno do órgão, ensaiando cânticos. Não havia dúvidas: sim, iria haver uma missa com certeza! Corri a chamar os mais novos, que depois da sua curta oração, já nos esperavam no exterior, e preparámo-nos interiormente para celebrar a Eucaristia.

Às três em ponto, a missa começou. O senhor padre anunciou o seu carácter excecional, tratando-se de uma missa de inauguração de um campo de férias no Gerês de uma paróquia cujo nome não percebi. E assim, com meia-dúzia de pessoas que por ali rezavam e o grupo de jovens campistas, naquela bela segunda-feira celebrámos a grande festa da Transfiguração de Jesus.

Eu não conseguia disfarçar o sorriso, e a minha alegria transbordava. Parecia-me ver Nossa Senhora a piscar-me o olho: “Achas que Eu vos ia deixar partir para férias sem missa, vocês que sempre param na minha casa para Me saudar?”

E foi sob o tema da Transfiguração que também nós nos fizemos ao cimo da montanha (onde ficaremos até segunda-feira), desejosos de contemplar a luz irradiante de Deus, derramada na sua Criação esplendorosa, derramada no encontro profundo que queremos viver uns com os outros, em família, sem horários, quase sem internet, sem pressa.

“Como é bom estarmos aqui!” Proclamamos como Pedro, enquanto nadamos na água do lago, chapinhamos nas cascatas da montanha, escalamos rochas, caminhamos por trilhos escondidos, exploramos aldeias perdidas no tempo. Quantas gargalhadas, quanta partilha! Dentro de mim, o bebé saltita de alegria. “Um dia ele vai agradecer-me o cuidado!” Brinca o Francisco, enquanto me ajuda a descer e a subir de rocha em rocha sem tropeçar nem escorregar.

“Podia ficar a olhar para ela o dia todo sem me cansar”, dizia-me o Niall ao ouvido disfarçando uma gargalhada, enquanto a Sara nos contava, muito séria do alto dos seus cinco anos, uma aventura que tivera com a Clarinha nos minutos anteriores. Férias em família é precisamente este tempo para ficarmos a olhar uns para os outros, contemplando a maravilha que Deus escondeu em cada membro da nossa família, sem nos cansarmos da descoberta. Olhemo-nos então, como o Amado e a Amada se olhavam no Cântico dos Cânticos – já leram o Ensinamento Mensal?

Ao fim do dia, numa das várias aldeias por onde passamos, procuramos a igreja com o seu largo murado. Aí, resguardados do mundo, separados do sacrário por um único muro de granito, rezamos o Terço.

A transfiguração da vida em cada cume que vamos subindo…

2 Comments

  1. Leonor Castanheira

    Um movimento curioso e importante é possível conhecer mais em pormenor
    Actividades normais e espirituais e será possível em Castelo Branco? Saudações amigas
    Leonor e António

    • Claro! No mundo inteiro! Escrevam-nos para o e-mail central deste site, e conversamos! Um abraço, Teresa

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