Em Caná da Galileia...


Um retiro muito especial

O retiro aqui no santuário no último fim-de-semana foi mesmo especial. Mesmo. Especial.

Começou a ser especial logo pela imensa dificuldade que encontrámos na sua preparação: escrever ensinamentos para dois dias de retiro, com o Daniel cada dia mais desperto e exigente não é, de todo, tarefa fácil! Sexta-feira à noite ainda não tinha conseguido fazer os PowerPoints para acompanhar os ensinamentos, e o cansaço acumulava-se… Acontece que eu já conheço os sinais: se o retiro vai mexer mais a sério com as pessoas, também sofre mais ataques na sua preparação, como é natural. Assim, respirei fundo e entreguei tudo a Jesus. E fui dormir.

Entretanto, a família Almeida, que devia juntar-se ao Niall e à Clarinha no trabalho com as crianças, adoeceu e não pôde vir. O Niall e a Clarinha voltaram a olhar para a lista das idades das crianças inscritas: a maioria tinha um, dois ou três anos… Entreolharam-se, respiraram fundo e… vamos a isso! Havemos de conseguir!

Ainda havia outras questões que nos preocupavam: era a primeira vez que fazíamos um retiro a pedido dos salesianos (geralmente somos nós que pedimos aos salesianos permissão para usar o seu espaço e o favor de nos oferecerem os sacramentos), um retiro que seria depois avaliado por eles, com uma proposta nossa que deveria integrar a planificação daquele que é o seu Centro de Espiritualidade nascente, no Santuário Nacional Nossa Senhora Auxiliadora. Será que seria aprovado? O sacerdote que viria acompanhar o retiro (quem seria?) iria gostar do estilo simples, familiar, alegre e, simultaneamente, profundo das Famílias de Caná?

Foi pois com alguns receios e muito cansaço que, na manhã de sábado, chegámos ao Santuário. O sol brilhava, os passarinhos enchiam o ar. Saí do carro… e um a um, os meus receios desfizeram-se como bolas de sabão:

Primeiro, quase esbarrei com o padre Luís Peralta. Ah, é o padre Luís que nos vem acompanhar! Que maravilha! Com o padre Luís não é preciso estar-se nervoso ou preocupado. Já trabalhámos juntos e sentimo-nos perfeitamente tranquilos um com o outro! Também o Miguel Bacalhau, que trabalha na pastoral juvenil salesiana e vinha de Lisboa cuidar de toda a logística do retiro, nos recebeu com simpatia e amizade, oferecendo-se logo para ajudar o Niall em alguns momentos críticos das atividades com os mais novos.

Depois, pude de imediato abraçar a querida Família Santos: os nossos compadres Sónia e João, com os seus quatro lindos rapazes, o quinto já bem crescidinho na barriga da sua mamã. Aproveitando a folga da Sónia durante o fim-de-semana inteiro (um luxo para uma enfermeira!), vieram procurar o silêncio e encontro tão necessários na caminhada quaresmal. É tão reconfortante para nós, Família Power, encontrar os amigos de Caná nestes momentos!

E finalmente, as três outras famílias que se inscreveram não podiam ser mais simpáticas e acolhedoras. As três trabalham com os salesianos há muito tempo, uns como professores, outros como animadores juvenis, pelo que têm o espírito alegre, jovial e brincalhão de D. Bosco. Saltar à corda, fazer corridas com crianças às costas, cantar e dançar com gestos divertidos e preparar um serão bíblico, tudo foi canja para eles! Pudemos assim, desde os primeiros momentos, partilhar gargalhadas, experiências, músicas e a amizade sincera que logo nos uniu.

O Niall e a Clarinha ficaram então com quinze crianças / adolescentes a seu cargo (incluindo quatro nossos). Contaram histórias da Bíblia, prepararam os crucifixos para a Via Sacra, fizeram “dezenas” de barro e divertiram-se muito, a julgar pelos comentários dos mais novos e os pedidos aos pais: “Podemos voltar? Podemos ser Família de Caná? Vá lá, vá lá!” As fotos são poucas, porque as mãos, o colo, os ombros e o tempo do Niall e da Clarinha estavam sempre ocupados 🙂

No sábado, eu e o Daniel fizemos juntos os ensinamentos aos pais:

(No domingo, depois da missa a que nunca falta, o Daniel preferiu tomar o leitinho em casa, ao colo da avó)…

Todos juntos, celebrámos a Eucaristia, rezámos o Terço no Canto de Caná, fizemos a Via Sacra pela quinta, confessámo-nos e adorámos o Senhor na Hóstia Santa, no santuário. À noite, o serão bíblico foi, como esperado, um valente sucesso! E não faltou a magia evangelizadora do Francisco!

Foi a primeira vez que fizemos um retiro de dois dias inteiros, com dormida incluída. Isto porque é a primeira vez também que os quartos daquele que agora se chama “Centro de Espiritualidade” estão prontos para acolher famílias! Há oito quartos familiares, estilo camarata (bons para famílias numerosas!), mas apenas quatro foram ocupados. De Mogofores não participaram famílias, mesmo podendo ir dormir a casa…

Passar um fim-de-semana inteiro em retiro é – eu sei – complicado, especialmente quando os filhos são mais crescidos e têm que estudar ou participar em múltiplas atividades ao fim-de-semana. Por isso talvez, as famílias participantes tinham filhos maioritariamente no pré-escolar ou ainda em casa. Mas não há aí desse lado mais famílias nessas circunstâncias? Sabemos que, quanto mais jovem for a família, mais fácil é crescer no espírito de Caná!

Retiros para pessoas singulares ou até retiros para casais, em que os filhos ficam entregues aos avós e podem manter as atividades constantes do fim-de-semana, atraem bem mais gente, claro. Porque isto de “arrastar” uma família inteira não é fácil… No entanto, se as famílias soubessem como faz bem, como é bom, como alimenta, como repousa, como refresca participar em família num retiro de dois dias, o santuário não teria capacidade para acolher a tantos…

Como é bom, Senhor, estarmos aqui! (Mt 17, 4)

Sim, Senhor, como foi bom estarmos em retiro, conTigo e uns com os outros! E esperamos que as três famílias que vieram pela primeira vez venham muitas e muitas vezes mais!

No nosso canal do Youtube, estarão brevemente disponíveis os cinco temas deste retiro, a pedido de várias famílias. Que vos possam ajudar a fazer retiro aí em casa também!

E agora, o slideshow das fotografias:

4 Comments

  1. O que mais me atrai nos retiros das Famílias de Caná desde sempre é a forma como me fazem descer a terra firme. Sempre recupero aqui a lucidez que às vezes falta, a razão primeira e última das coisas, das várias coisas importantes que conduzem a vida de uma família católica.
    Nada de experiências aéreas (!!)! Não se sai a levitar, envolto em sensações vãs, de um retiro Famílias de Caná! E é isso que me atrai. Até porque tenho vertigens em alturas!
    Pisamos terreno firme e duro. A proposta (nos ensinamentos) que temos à nossa frente é exigente, inquietante e transparente, como Cristo. Nada deixa por dizer, ou propor de forma clara e amorosa, como Cristo.
    O contacto permanente com a realidade familiar, porque os filhos estão connosco, não nos deixa fugir nem um milímetro para nenhuma realidade paralela, talvez mais aprazível… Antes nos faz confirmar a maravilhosa vocação a que fomos chamados, a família. E é daqui que uma esperança imensamente profunda renasce.
    Por último, como são reveladoras as vidas dos santos! Aprendo sempre tanto!
    Muito obrigada, Teresa e Niall, pelo vosso empenho e dedicação, pela constância e pela Alegria tão simples e humilde com que conduzem pequenas ou grandes multidões.

  2. Que coisa tão boa!!!!

    Sónia estás muito bonita!!!

    Beijinhos a todos

  3. Isabel Marantes

    Pelas fotos dá para ver que as brincadeiras foram fantásticas para os pequenos e para os grandes! Quanto aos ensinamentos, muito obrigada por os disponibilizar…assim chegam mais longe!
    E ficamos muito felizes pela graça de mais um filho na Família Santos.. Muitos Parabéns!
    E desejamos também as rápidas melhoras da Família Almeida!
    Um abraço muito grande para todos, com o desejo de vos (re)ver no Verão,
    Isabel

  4. Família Assis Pacheco

    Querida Teresa,
    Foi para nós um prazer imenso participar neste retiro. Fomos à descoberta e viemos maravilhados, de coração cheio e ânimo recuperado. Os momentos de oração, de brincadeira e de reflexão marcaram-nos profundamente.
    Obrigada a todos, em especial à família Power, por todo carinho e dedicação a este encontro. Certamente que novas oportunidades virão.
    Família Assis Pacheco

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