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D. Jorge Ortiga abre a porta dos sacramentos aos recasados

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O Arcebispo de Braga, D. Jorge Ortiga, afirmou que a diocese se prepara para criar um grupo de apoio à família, que pode conduzir, “após um período de discernimento bem feito”, alguns casais em situação irregular até ao “acesso aos sacramentos”, ou o acesso a serem padrinhos e madrinhas que até hoje lhes era negado, ou dificultado.

A Arquidiocese de Braga tinha anunciado na sua página de internet a constituição de um grupo para acompanhamento dos cristãos divorciados recasados, “que poderá possibilitar o acesso aos sacramentos, de acordo com um processo de discernimento individual”, conforme se pode ler lá. Uma decisão tomada na terça feira “por unanimidade”, refere o comunicado, no Conselho Presbiteral, e confirmada agora à Família Cristã por D. Jorge Ortiga, arcebispo de Braga.

“«O que pretendemos é estabelecer um grupo, ou um gabinete, ainda não sabemos bem, de apoio à família”, diz o prelado, que acrescenta que as famílias em situação irregular “também estão contempladas, claro”.

Este grupo que irá acompanhar as famílias será composto por leigos e sacerdotes. “Para além de informar e aconselhar sobre processos de declaração de nulidade do matrimónio, a equipa irá acompanhar cada caso, para que após um processo de discernimento pessoal seja reavaliado o acesso aos sacramentos e a possibilidade de virem a ser padrinhos/madrinhas”, diz o comunicado da arquidiocese de Braga.

D. Jorge Ortiga confirma que todas as situações serão atendidas, e que o acesso aos sacramentos dos divorciados recasados “poderá ser possível, depois de um discernimento, não será uma coisa imediata ou geral, certamente”. O Arcebispo de Braga considera que “um período de dois anos” pode ser um bom tempo de discernimento para as famílias em situação irregular, e reafirma que apenas pretende seguir “as indicações do Papa Francisco na Amoris laetitia, nomeadamente no capítulo VIII”. “O Papa fala em acompanhamento, discernimento e integração, e é esse caminho que vamos fazer, aqui não há novidade nenhuma, é seguir o que o Papa pede”, refere, acrescentando que a indissolubilidade do matrimónio “não tem a ver” com esta questão.

O Conselho Presbiteral declarou que pretende “integrar a pessoa na comunidade cristã” após um “verdadeiro processo de discernimento”, que conduzirá a “uma conversão, um trabalho sério da consciência”. “Há que evitar dar a entender que se trata de uma “autorização” geral para aceder aos sacramentos. De facto, trata-se de um processo de discernimento pessoal, no foro interno, acompanhado por um pastor com encontros regulares, que ajuda a distinguir adequadamente cada caso singular à luz do ensinamento da Igreja”, pode ler-se no documento intitulado “Construir a Casa sobre a Rocha”, que “será divulgado em breve”, informa a arquidiocese.

O documento que irá ser publicado pela arquidiocese fala ainda, na perspetiva da reformulação da Pastoral Familiar na arquidiocese, da “importância e responsabilidade da Pastoral Familiar na preparação matrimonial e no acompanhamento dos casais nos primeiros anos de vida conjugal”.

Fonte: Ricardo Perna (Família Cristã)

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