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Paquistão: Asia Bibi estava condenada à morte mas foi absolvida pelo Supremo

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Fonte: Christianity Today

Asia Bibi foi acusada em 2009 após alegadamente ter insultado o profeta Maomé numa discussão. Em 2010 um tribunal decretou pena capital, provocando indignação internacional e violência no país. no passado dia 31 de outubro  o Supremo Tribunal absolveu-a. Gerou-se uma onda de protestos naquele país.

Asia Bibi foi absolvida de todas as acusações”, disse, na passada quarta-feira, o presidente do conselho de juízes Mian Saqib Nisar na leitura do veredito do Supremo Tribunal, acrescentando que Bibi será libertada “imediatamente”.

A decisão sobre o último recurso de Asia Bibi, de 47 anos, estava marcada para o 8 de outubro, mas o tribunal tinha adiado a decisão por tempo indeterminado. O impasse provocou a fúria de alguns círculos religiosos que há muito pediam a sua execução.

Por essa razão, a capital do país, Islamabad, foi colocada sob forte segurança, com bloqueio de estradas, nomeadamente nos bairros onde os magistrados vivem e da comunidade diplomática.

Manifestantes reuniram-se em Karachi e Peshawar para protestar contra a decisão do Supremo Tribunal, e centenas de pessoas bloquearam a estrada que liga Rawalpindi a Islamabad, segundo o jornal Dawn.

Asia Bibi, que esteve isolada durante a maioria dos oito anos de prisão, não estava em tribunal quando a sua absolvição foi anunciada e só depois soube que podia sair imediatamente da prisão de Sheikupura, perto de Lahore, se não estivesse ligada a qualquer outro caso judicial.

“Não acredito no que estou a ouvir. Vou sair? Eles vão realmente deixar-me sair? Não sei o que dizer. Estou muito feliz, não consigo acreditar”, reagiu assim a paquistanesa ao telefone, segundo a France Press

Asia Bibi, mãe de cinco filhos, foi acusada de blasfémia em 2009, após ter alegadamente insultado o profeta Maomé durante uma discussão com um grupo de mulheres com quem trabalhava.

Em novembro de 2010, um tribunal paquistanês decretou a pena capital, mas a sentença só foi confirmada quatro anos depois pelo Supremo Tribunal de Lahore, capital da província de Punjab, onde ocorreu o incidente.

Em 2011, o ex-governador de Punjab Salman Taseer, que defendia publicamente a causa de Asia Bibi, foi morto a tiro por um dos guarda-costas, Mumtaz Qadri, executado anos depois.

O caso de Asia Bibi teve impacto internacional e chegou a atrair a atenção dos papas Bento XVI e Francisco.

A blasfémia é uma questão extremamente sensível no conservador Paquistão e mesmo acusações não provadas resultam muitas vezes em violência popular.

Vitória contra “a mentalidade extremista”

José Ribeiro e Castro considera que a absolvição de Asia Bibi, uma mulher cristã presa desde 2010 no Paquistão, acusada de blasfémia, é uma vitória contra “a mentalidade extremista” que ainda marca vários países.

Em entrevista à Agência Ecclesia , o político português, que como deputado colaborou em várias iniciativas a favor da libertação de Asia Bibi, salientou a sua “alegria” com o veredicto tornado público pelo Supremo Tribunal de Justiça do Paquistão.

“Um ato de clareza e coragem”, que veio anular “uma acusação que não tinha pés nem cabeça”, frisou José Ribeiro e Castro, que faz agora votos de que “esta mulher possa finalmente viver em liberdade, com os seus filhos, com o seu marido, e ter uma vida normal”.

A decisão do Supremo Tribunal de Justiça do Paquistão coloca um ponto final num caso que suscitou a indignação da comunidade internacional e da Igreja Católica, por colocar em causa a liberdade religiosa e de culto, e por ter na sua génese, como lembrou José Ribeiro e Castro, uma “interpretação radical” da lei, neste caso, “da lei da blasfémia”.

“Não é possível interpretar uma lei penal para punir com crime de blasfémia quem se limita a afirmar uma fé diferente daquela que prevalece num determinado território”, apontou José Ribeiro e Castro, recordando que “a liberdade religiosa está consagrada na Declaração Universal dos Direitos do Homem.

Fontes: Diário de Notícias e Agência Ecclesia

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