E se…? Algumas propostas para a catequese em Portugal

Tenho vindo a escrever vários artigos criticando aquilo que hoje existe em termos de catequese paroquial. E conversando aqui em casa com o Niall, concluímos que não basta denunciar: é preciso propor. Porque o modelo de catequese que temos em Portugal não é imposto pelo Vaticano nem é dogma católico, variando e muito de país para país, o que nos permite testar novos modelos e procurar soluções criativas. Eu sei que as nossas ideias não têm qualquer peso de decisão, mas se elas levarem outros a refletir e puderem provocar algum debate nas paróquias, já valeu a pena… Aqui vai:(…)

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A missa compartimentada e o verdadeiro papel do catequista

De norte a sul do país, por onde vamos andando a testemunhar a alegria de viver a fé em família, temo-nos deparado com um cenário idêntico: em quase todas as paróquias existe a chamada “missa da catequese”, e que geralmente tem lugar depois da catequese, acontecendo também por norma sábado à tarde. A maioria dos pais deixa os filhos na catequese e vai recolhê-los depois da missa. Os catequistas dão catequese aos meninos e depois conduzem-nos à Eucaristia, onde há um espaço reservado para cada ano de catequese. Assim, nestas “missas de catequese” encontramos filas de meninos, todos da mesma(…)

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Um curso para padrinhos?

Aula de Inglês do nono ano. Estamos a chegar ao fim, há tempo para descontrair e conversar um pouco. No meio da conversa, um aluno diz: “Professora, para o ano o seu marido vai ser o meu catequista do crisma.” “Eu sei”, respondo. “O Niall costuma ficar sempre com o grupo do crisma.” “O que é o crisma?” Perguntam vários meninos, confusos com esta conversa. Mas o futuro crismando tem a resposta pronta: “É um curso para seres padrinho.” Do fundo da sala, e antes que eu tenha tempo de reação, uma rapariga pergunta: “Não me digas que é preciso(…)

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O “problema” da gravidez adolescente

Sala de professores na minha escola, uma escola imensa, com mais de mil e quinhentos alunos e cerca de trezentos professores, do quinto ao décimo segundo anos (o que impossibilita qualquer reconhecimento das pessoas aqui mencionadas). Conversando sobre um determinado aluno, uma professora de Ciências diz: “Estou preocupada com este rapaz. Ele veio perguntar-me se é normal uma menina atrasar o período mais do que quinze dias. Eu disse-lhe que sim, e se se tratava da namorada. Ele confirmou. Perguntei-lhe se usava preservativo, e ele confirmou de novo. Depois acrescentou: ‘Professora, se calhar vou ser pai, agora que já acabámos(…)

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A maldade e a bondade das crianças

Três horas e meia, em frente ao portão da escola do primeiro ciclo aqui na nossa aldeia. As aulas já terminaram. A Lúcia vem a correr abraçar-me, mas o António, como sempre, tem mais duas ou três pedras para apanhar do chão enlameado. Quando, finalmente, chega junto de mim, pego na sua mochila e não contenho uma exclamação: “Ena, que peso! Mas o que trazes tu aqui dentro?” A Marília, simpática auxiliar que vigia o recreio, sorri-me e antecipa a resposta: “Ouro…” Ela já conhece o António e sabe os tesouros que ele transporta casa-escola escola-casa diariamente. Espero até chegar(…)

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