Testemunhos


Diferentes tradições de Natal, um só Menino Jesus…e uma surpresa!

Partilha da Isabel Marantes, de uma Família de Caná que reside temporariamente no Canadá:

Este ano, na Festa de Natal da escola da minha filha Leonor fizeram um teatro muito bonito. A professora da Leonor, Miss Zupan, escreveu uma peça de teatro inspirada, em parte, no livro “Candy canes in Bethlehem”, de Miriam Van Scott. A peça de teatro falava de uma menina (Joy) que queria decorar a sua escola para o Natal com algo diferente e muito, muito especial. A professora da Joy deu-lhe a função de construir o presépio da escola, mas a menina não ficou nada contente, porque o presépio era o mesmo de sempre: o menino Jesus, Maria, José, os pastorinhos, as ovelhas, a vaca, o burro… Enfim, nada de novo, nada de “especial”… Mal ela sabia como a sua opinião ia mudar quando as suas amigas, que eram de várias partes do mundo, lhe começaram a contar as diferentes tradições de Natal que existem nos seus países.

Uma menina da Austrália começou por dizer que eles não usam ovelhas, vacas e burros nos seus presépios. Eles usam raposas, ursos, bisontes e veados, porque são os animais tradicionais do seu país. E, normalmente, os animais que puxam o trenó do São Nicolau são oito cangurus albinos!

Uma menina alemã começou por explicar que o costume da  Árvore de Natal veio do seu país. Desde 1600 que se decoravam árvores com frutos e papel colorido. As luzes que costumamos colocar na árvore de Natal lembram-nos que Jesus é a Luz do Mundo.

Neste país é também costume esconder um “pickle” de vidro na árvore de Natal e quem o descobrir tem um presente especial (algo parecido com a nossa fava escondida no Bolo-Rei!)

O costume das “candy canes” também veio da Alemanha, com a intenção inicial de recriar os cajados dos pastores que foram visitar Jesus. As meias/botas que se colocam na lareira no dia de São Nicolau – 6 de Dezembro – e que a crianças ansiosamente esperam ver cheias de doces nessa manhã são também um costume que terá começado na Alemanha (o açúcar não devia dar tantos problemas na altura em que estas tradições foram criadas!).

Também falaram da tradição da coroa do Advento, que virá já desde a Idade Média. A coroa, que é um círculo, significa Deus, que não tem princípio nem fim; os verdes procuram relembrar-nos que a nossa vida é eterna e as quatro velas representam as quatro semanas do Advento.

Uma menina do México explicou que no seu Natal usam “pinhatas”, que são caixas de papelão com doces no interior. Normalmente, no Natal estas “pinhatas” são em forma de uma estrela de 7 pontos, que simbolizam os 7 pecados mortais. Ao bater na “pinhata” estamos a combater esses pecados e quando os destruímos, saem da “pinhata” doces, que significam o Bem que ganhamos quando combatemos o Mal.

Outra tradição mexicana é “Las posadas”, que acontece nove noites antes da Véspera de Natal. Consiste em dois jovens, representando Maria e José, que vão por várias casas vizinhas carregando uma vela e procurando pousada. São recusados por vários vizinhos (tal como Maria e José foram em Belém), até que um vizinho os acolhe e aí fazem uma grande festa.

Falaram também da Árvore de Jessé (já vão ver uma surpresa que preparámos para as Famílias de Caná!), uma tradição que remonta à Idade Média e onde se conta a história da Salvação, desde a Criação até ao nascimento de Jesus. Uma história por dia, associada a um símbolo. Na Idade Média, como muitas pessoas não sabiam ler, era costume os símbolos da árvore de Jessé estarem nos vitrais das Igrejas, para assim todos saberem os “episódios” da história da Salvação.

À medida que a Joy ia ouvindo as suas colegas a contarem as tradições de Natal que existem por todo o mundo, ia colocando os diferentes símbolos à volta do presépio. No final, com um presépio cheio de animais diferentes, com uma “pinhata”, árvore de Natal, coroa do advento, árvore de Jessé e onde até o menino Jesus tinha uma “candy cane” na sua mão, a menina olhou para o que tinha feito e disse entusiasmada para a sua professora:

“Querida professora, agora percebo porque me deu como tarefa fazer o presépio quando lhe pedi para fazer algo muito, muito especial para decorar a escola neste Natal…É que, sem o menino Jesus nenhuma destas belíssimas tradições existiriam. O Natal é a celebração do nascimento de Jesus. Tudo o resto – presentes, doces, “pinhatas”, árvores de natal…- tem o seu lugar e o seu significado sob uma condição. A condição é que todas estas festividades devem despertar em nós o verdadeiro significado do Natal: o nascimento de Jesus… Parabéns, Jesus!!!”

O Canadá tem como característica especial a sua multiculturalidade. Vivem aqui pessoas de, literalmente, todos os cantos do mundo! Eu achei lindíssima esta forma de partilha de tantas tradições de Natal que existem pelo mundo fora, mas sublinhando que todas devem apontar na mesma direcção: o nascimento de Cristo.

Em Roma, dois dias antes do teatro da Leonor, o Papa Francisco disse exactamente isso: “Que o presépio e a árvore, símbolos fascinantes do Natal, possam levar às famílias um reflexo da luz e da ternura de Deus, para ajudar todos a viverem a festa do nascimento de Jesus”.

“A árvore e o presépio são dois símbolos que nunca deixam de fascinar”, pois “falam do Natal e ajudam a contemplar o mistério de Deus feito homem para estar perto de cada um de nós”.

Agora a surpresa! Na escola da Leonor, ela e eu dissemos que tínhamos os símbolos da Árvore de Jessé mais bonitos do Mundo! E que sim, eles tinham sido desenhados por um talentoso amigo português. Assim, as imagens da Árvore de Jessé desenhadas para as Famílias de Caná foram muito admiradas por todas as professoras envolvidas nesta peça de teatro e foram escolhidas para mostrar, em pleno palco, a tradição da Árvore de Jessé.

Assim, caro Tiago Atalaia e queridas Famílias de Caná, aqui fica a um pedacinho das Famílias de Caná num palco do Canadá!

Um Santo Natal para todos e…Parabéns, Jesus!

2 Comments

  1. Olívia Batista

    Que bonito!
    E parabéns a todos os que se empenham para que os festejos de Natal nas escolas passem pelo nascimento de Jesus!

  2. Marisa Milhano

    Ideia fantástica! Obrigado Isabel pela partilha!

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