Testemunhos


Família Camelo. Jesus em nós

Pela mão da Lénia, na sua inesgotável serenidade e delicadeza, e pela mão do Nuno, pelo seu exemplo de partilha e solidariedade, o Martim e o Miguel foram desde cedo iniciados numa conceção da vida que integra Cristo, acolhe Jesus e confia no Espirito Santo. Isto foi fruto natural de uma vida a dois que iniciou no namoro, momento largo com vivência de 10 anos, fundamentado no respeito mútuo e na construção do projeto familiar como a maior concretização da existência de ambos. O matrimónio trouxe uma união inquebrável (assim esperamos, acreditamos e promovemos) que fortaleceu muito cada um e cujo resultado, na unicidade do casal, se traduziu no enaltecimento maior em Cristo e na missão que continua a confiar ao Nuno e à Lénia.

Faz duas semanas, a Lénia partiu para Turim por 7 noites. Nunca nos havia deixado. Integrou o encontro de formação sobre a Vida e Obra de Dom Bosco. Em casa ficamos nós os três, vivendo não a ausência da mãe, mas a presença dela em nós, sabendo que também o fez por nós e pela Fé que nos agrega. De entre todas as atividades que fizemos reconhecemos muito a falta que nos faz a mãe. O Martim não queria que ela fosse. Depois, ao segundo dia, irrompeu num choro repentino porque tinha saudades dela, porque a queria ali, junto a nós. Depois rezamos muito para que ele voltasse, e para que o fizesse por si, pela sua construção e pelo reforço da sua Fé.

Ela chegou-nos aos braços carregada de saudade, e até a fomos vendo todos os dias via ligação vídeo, mas naquele momento estava ali, era nossa outra vez. Quando não estava, nós íamos falando com Jesus para que ele estivesse bem e foi aí que decidimos que quando ela voltasse, teríamos que agradecer muito o dom da sua presença em nós, na nossa família. Decidi com o Martim (porque o Miguel diz que sim a tudo – tem 1 ano) que quando a mãe voltasse, passaríamos a agradecer todo os dias, em conjunto, em família. Mesmo com o Miguel? – perguntou o Martim!!! Mas ele não sabe!… Pois – disse eu, com ele também. Vamos ensiná-lo agora e vais ver que conseguirá…

A nossa mãe voltou com Maria Auxiliadora, pequenina em formato, grande em esplendor de dentro. Queremos falar com ambas todos os dias, nesse cantinho de espaço onde não caberá a nossa alegria pela oração partilhada, pela vida abençoada e pelo crescimento conjunto e acompanhado. O Miguel aprenderá depressa, pela mão do Martim e o Martim quererá ser maior, pela nossa mão, e nós quereremos que Deus faça de nós pessoas menores, sem grande pretensões além do conforto de O ter e com isso de nos irmos tendo, enquanto família que vive do que diz o Senhor, bebendo dessas talhas simples que se encheram no dia em que as nossas Bodas fizeram de nós Caná dos homens.

E assim foi. Criamos o nosso canto de oração, com a presença de Dom Bosco, de Maria Auxiliadora, do Anjinho da Guarda e da permanência constante do terço de contas que a mãe trouxe de Turim, brilhante no escuro, assim como deve ser a nossa Fé, capaz de alumiar os corações e de ser sinal aos olhos de quem nos vê e de quem fica com a certeza de que somos família, por, com e em Cristo.

Cristo faz-nos feliz de uma maneira arrebatadora, quase infantil pelo entusiasmo com que os nossos filhos hoje se sentam (nos sentam), na mantinha que forra o chão da sala em cada oração partilhada antes de ir para a cama. Na nossa frente a Senhora Auxiliadora, Mãe de Caná, Senhora das Bodas Eternas que se vivem em Cristo, num Cristo que nos diz o que fazer mas que não faz por nós, não é nós, não se substitui a nós. Fechamos os olhos para os abrir de novo e continuamos a encontrar, agora em família, o mesmo Deus que nos fala de dentro para fora, que nos leva pela mão ao encontro do mundo, ao encontro dos outros, que nos valida, que nos preenche, que nos empolga, que nos faz rir e chorar, que nos move, que nos abraça, que nos enfrenta, que nos coloca perante nós próprios, que nos pede para ser sua morada. Que nos modifica, que nos retira das talhas e nos dá a beber, que nos transforma em vinho novo, que nos mata a sede. Que nos faz, nos é, nos dá, nos quer…

Família Camelo

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