Em Caná da Galileia…



Uma manta, uma chávena de chá e o princípio da gratidão

Quando chegámos à Irlanda, uma irmã do Niall deixou-nos um saco com toalhas de praia e alguns brinquedos para brincar na areia. Tínhamos combinado assim para não virmos de Portugal carregados com estas coisas. Abri o saco e, com surpresa, vi que no meio das toalhas havia… uma manta. No dia seguinte, na praia, contemplámos o areal: não se via um único guarda-sol, e apenas duas ou três pessoas estavam vestidas com fatos-de-banho. As crianças envergavam fatos de mergulho, os adultos estavam vestidos e, quando queriam nadar, mudavam-se rapidamente com a ajuda de uma toalha e depois do banho faziam(…)

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A Igreja em jardim

Aqui na Irlanda, todas as igrejas têm por jardim o cemitério paroquial. Para entrarmos na igreja, precisamos de percorrer alguns caminhos ladeados de túmulos e de flores – não em jarras, mas plantadas em vasos ou na terra, as raízes acariciando o chão que acolhe os corpos dos que vão partindo. Assim, cada vila ou cidade tem tantos cemitérios quantas igrejas. E as vistas são incrivelmente belas: Sinto falta destes jardins em Portugal. Os nossos cemitérios têm muita pedra e não são tratados como jardins onde se sinta prazer em passear. E geralmente, hoje, estão suficientemente afastados das igrejas para(…)

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Cuidado! Crianças a brincar!

Uma das coisas que sempre gosto de ver na Irlanda é a quantidade de crianças que brincam na rua e nos relvados que existem obrigatoriamente em cada conjunto de casas. Para os pais irlandeses, a temperatura parece estar sempre boa, com chuva ou com sol, com frio ou com calor, e para os filhos irlandeses, há sempre alguém com quem brincar.  Os meus filhos adoram a experiência, já que na nossa rua em Mogofores, eles são as únicas crianças que brincam na rua e nos campos em redor com total liberdade. Como eles gostariam de ter amigos com quem partilhar(…)

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A terra que não semeámos

Eram onze da noite de sábado quando conseguimos finalmente deitar os quatro mais novos – em duas camas, num dos quartos da casinha de férias que alugámos na Irlanda. Sentados a seu lado, com os dois mais velhos, fizemos a nossa oração familiar. O dia tinha sido longo, com viagens de carro, avião, autocarro, carro novamente. As emoções tinham sido muitas também… Voltar a ver os avós, os tios e alguns dos 19 primos irlandeses fora suficiente para dissipar todo o cansaço. Agora, abraçados uns aos outros sob o edredão – que o verão irlandês é, digamos, ligeiramente diferente do(…)

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O gatinho no fundo do poço

À volta da nossa casa há campos, florestas e terras que os nossos filhos gostam de explorar livremente, nas longas tardes de verão. Há também poços, a maioria protegidos, mas nem todos. Os nossos filhos mais velhos, que conhecem cada recanto das redondezas, vão de quando em quando fazendo o “reconhecimento do terreno” junto dos mais novos, para se certificarem de que não correm riscos desnecessários. Até hoje, nunca aconteceu. Há uns dias atrás, a Lúcia e o António chegaram a casa muito excitados: “Mãe, mãe, não imaginas! Há um gatinho no fundo de um poço, ali num campo onde(…)

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