Em Caná da Galileia...


A alegria do perdão

“Mãe, queria tanto outro bebé cá em casa!” Dizia-me a Lúcia ontem ao adormecer. “No Acampamento havia tantos, e todos tão fofos! Por que é que os bebés são assim tão fofos?” Eu sorri, e ela continuou: “Acho que é porque estão mais pertinho de Deus. Eles nunca pecaram! E assim estão sempre como se viessem da confissão!”

Uma das “Bilhas de Caná” é a “bilha” dos sacramentos. E, entre eles, o da Confissão, ou Reconciliação, tem no nosso Movimento um lugar de honra. É que receber pessoalmente o perdão de Jesus é um dos mais belos tesouros que Jesus confiou à sua Igreja.

Embora o Catecismo da Igreja Católica não especifique a partir de que idade as crianças se podem confessar, a maioria das paróquias associa o sacramento da Reconciliação à Primeira Comunhão, que por motivos pastorais acontece cada vez mais tarde. É, a meu ver, uma pena deixar as crianças chegar aos oito anos sem conhecer a grandeza do perdão de Jesus. Porque, com toda a certeza, aos cinco anos elas já se deram conta das suas falhas. Aos cinco anos as crianças já sabem pedir desculpa ao pai e à mãe pelas suas desobediências, aos manos por aquela briga, aos professores por aquela distração. Por que não hão de poder pedir sacramentalmente perdão a Jesus também?

Na nossa paróquia salesiana temos a graça de ter sacerdotes capazes de acolher, no sacramento da Confissão, as crianças que assim o desejem, levadas pelos seus pais ou pelos seus catequistas. Naturalmente que só o fazem quando percebem que as crianças estão preparadas. Caso não estejam e, mesmo assim, entrem no confessionário, os sacerdotes aproveitam a ocasião para conversar um bocadinho sobre o amor de Jesus e lhes explicar a beleza do sacramento que um dia irão receber.

No Acampamento, o nosso pároco Joaquim Taveira disponibilizou-se para confessar quem assim o desejasse. Logo que a notícia chegou às famílias, o santuário encheu-se de adultos, jovens e crianças. Tantos, que tomei a liberdade de pedir ao senhor padre Gabriel uma ajuda, para não ultrapassarmos o horário do jantar da comunidade salesiana. Acabámos por ultrapassar, mas nenhum dos sacerdotes se mostrou minimamente preocupado, e no domingo de manhã ainda confessaram mais alguns.

Duas famílias aproveitaram a ocasião para levar à primeira confissão as suas filhas, de cinco e de seis anos, por não terem possibilidade de o fazer nas suas paróquias. Com que alegria as meninas receberam o sacramento! Entraram no confessionário com imenso entusiasmo, e saíram com um sorriso de orelha a orelha: “Estou tão limpinha!” Aos saltinhos, cheias de alegria, iluminaram o Acampamento.

Também uma outra menina, mais velha, que tem vivido longe dos sacramentos, se sentiu atraída por aquele lugar misterioso, onde se entrava com expetativa e se saía a transbordar felicidade. “Teresa, o que é que acontece ali dentro?” Perguntou. “Jesus derrama todo o seu amor por ti. Perdoa todos os teus pecados e tu ficas limpa, lavada, purificada, como um bebé recém-nascido. Quando sais dali, se pudéssemos fotografar a tua alma, a fotografia ficava cheia de luz, tão forte que não se podia olhar… É isso que acontece ali.” “Também lá posso ir então?” Conversámos mais longamente, e expliquei-lhe com mais pormenor os mistérios do pecado e da graça. Talvez te possas confessar noutro dia… Quando perceberes melhor o que acontece… Talvez daqui a umas sessões de catequese… Não. A impaciência por experimentar tamanha felicidade era grande. E o seu amor por Jesus também. E entrou no confessionário.

Deixai vir a mim as crianças, não as impeçais, porque é delas o Reino dos Céus. (Lc 18, 16)

Que grande amor o de Jesus, que pelo sacramento da Reconciliação derrama todo o seu Sangue sobre nós! Que fizemos para o merecer, Senhor?

As confissões trouxeram ao Acampamento uma dose extra de paz e de felicidade. Todos nos sentíamos reconciliados, vestidos com a veste nupcial, preparados para as Bodas, as Bodas que, ao terceiro dia – como há dois mil anos -, vivemos em Caná, na Eucaristia Dominical…

One Comment

  1. Este é um dos sacramentos que mais tempo requer à Igreja… talvez por isso, dada a falta de sacerdotes, seja tão difícil encontrar espaço e acolhimento para a sua plena realização.
    Nos últimos anos, parece-me que os católicos estarão novamente a valorizar este encontro com Deus, nos termos em que Jesus o definiu… Peçamos por mais vocações sacerdotais…
    A alegria que decorre de uma Reconciliação plena, é algo que só no domínio da Fé, Graça de Deus, podemos compreender.
    São estes tempos de glória para os campistas!!!
    Penso que foram Igreja, porque no seio da Igreja se validaram mutuamente, racional e emocionalmente, no sentido comunitário que reforça a Fé. Este é um privilégio raro, muito raro… Agradeçamos ao Senhor, vejamos aí a intercessão de Sua Mãe!
    Obrigada, obrigada, obrigada…

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