Em Caná da Galileia...


A melhor parte

Oração familiar.

Não tem sido fácil, para nós, regressar ao ritmo da oração familiar depois das férias de verão. Durante o verão, a nossa oração era repartida – rezávamos geralmente o terço durante o dia, nas viagens para a praia ou depois do almoço, e à noite meditávamos na Palavra de Deus, às vezes no jardim, às vezes em passeio aqui na nossa rua, às vezes no Canto de Oração Familiar. Tudo era feito com calma, mas porque era repartido, à noite a oração não era longa. Com o regresso às aulas, a oração familiar tem naturalmente de acontecer apenas depois do jantar. Isso significa que é preciso adiantar tudo um pouco – banhos, jantar, arrumação da cozinha. Mas quem convence os meninos a vir tomar banho ou a vir jantar, quando lá fora está um sol lindo, um fim de tarde quente e doce, um jardim carregado de figos e dióspiros, árvores para trepar e cordas para saltar?

“Espera, mãe, só até meter golo!” Grita o David, chutando a bola novamente. “Espera, mãe, os manos que tomem banho primeiro! Eu acho que nem preciso de banho.” Grita o António, uma garrafa de plástico cheia de aranhas numa mão, uma saca com pinhas e pinhões na outra, terra da cabeça aos pés. “Eu já disse que ainda quero andar no baloiço!” A Sara não aceita, de todo, ser a primeira a tomar banho. E pronto, lá atrasamos de novo a oração. São quase nove horas quando começamos a rezar, o António a dormitar no sofá, a Sara a choramingar de cansaço, os mais velhos impacientes, porque têm planos para o serão e está tudo muito atrasado. E embora rezemos tudo aquilo a que nos comprometemos, fazemo-lo com pouco entusiasmo, interrompendo a meio para deitar os dois mais novos.

“Quando a chuva vier, rezaremos mais cedo”, penso. Ou então: “Quando a hora mudar, eles vão querer vir para dentro de casa mais cedo.” Mas nem a chuva vem – Deus nos ajude nesta seca – nem a hora muda nas próximas duas semanas. E Deus não espera:

Hoje é o tempo favorável, hoje é o dia da salvação. (2Cor 6, 2)

No domingo passado, tomámos uma decisão: hoje, hoje mesmo, vamos retomar o ritmo de oração familiar que tínhamos antes das férias: longo, tranquilo, alegre. Não vamos esperar que a hora mude ou que a chuva venha. Vamos dar a Deus o primeiro lugar e o horário nobre nas nossas vidas, na nossa família, aqui e agora. Sem “espera”, sem “já vou”, sem “ainda não”.

E assim fizemos. Falámos com as crianças sobre a importância da obediência, repetindo o que eles já sabem: obedecer aos pais é a escola onde se aprende a obedecer a Deus. Marcámos a hora da oração familiar: oito horas da noite. E às oito horas da noite, junto ao Canto de Oração Familiar, começámos a cantar.

As leituras desta semana propõem-nos a história de Jonas, uma das preferidas dos meninos. Jonas aprendeu da pior maneira que a Deus responde-se obedecendo. Uma bela história mesmo a propósito! “Obedece a Deus se não quiseres ser engolido por um peixe gigante”, conclui o Francisco no seu tom sempre brincalhão, quando peço aos meninos que retirem a lição da história.

Porque são só oito horas da noite, temos tempo para aprender cânticos novos (e a Clarinha tem feito alguns), para rezar com calma, para todos partilharem as suas questões, para multiplicar as intenções de oração, que vamos buscar à vida quotidiana, às notícias do mundo e aqui ao site, à Rede de Oração. Temos tempo para um terço bem meditado, de joelhos para os que quiserem dar um bocadinho mais ao Senhor. E alguns querem.

Evangelho de terça-feira. Leio em voz alta a história de Marta e Maria, irmãs de Lázaro, em Lucas 10, 38-42. Marta, atarefada, corria de um lado para o outro; Maria, sentada aos pés de Jesus, escutava a sua Palavra.

Marta, Marta, andas atarefada e preocupada com muitas coisas! Maria escolheu a melhor parte, que não lhe será tirada.

Acabo a leitura. “Qual é a melhor parte que Maria escolheu?” Pergunto. Os meninos entreolham-se:

“Acho que é o que estamos a fazer agora mesmo!”

Gargalhadas felizes. São quase nove horas da noite quando acabamos a nossa oração, entrecortada de conversa em família sobre as leituras, os mistérios do terço, os acontecimentos da vida e do mundo (e algumas outras coisas, porque a Sara tem os seus temas de conversa favoritos que precisa de ir introduzindo…). Uma hora sentados aos pés de Jesus, e uma doce sensação de felicidade… A melhor parte não nos será tirada.

2 Comments

  1. Helena Atalaia

    Ainda bem! Nós por cá andamos ainda a apanhar papéis!!! Estamos na primeira parte do post 😉
    Um beijinho.

  2. Ai Teresa, por cá as coisas estiveram assim, o nosso início de ano letivo foi muito complicado, ainda não temos rotina, mas na semana passada também tive um desses momentos de “luz”. Por isso recomeçamos a nossa catequese familiar no sábado passado. Esta semana também estamos a retomar a nossa oração da noite de uma forma mais empenhada. Não estamos a conseguir rezar no canto de oração no fim do jantar, mas estamos a fazê-lo no carro à tardinha a caminho de casa, entre não rezarmos no canto de oração juntos ou rezarmos no carro, escolhemos rezar, mesmo que seja no carro! E cantamos também 🙂

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