Em Caná da Galileia...


A quatro mãos

Uma das formas mais eficazes de aprender sobre a Palavra de Deus é através da música. Cá em casa, quando se lê por exemplo a história de Zaqueu, todos irrompem em coro: “Desce depressa! Hoje vou ficar em tua casa! Também para ti chegou a salvação!” Que é, como sabem, um dos nossos “Cânticos da Nascente”.  De vez em quando, na missa, trocamos olhares ao ser proclamada uma leitura que conhecemos de cor através de uma das nossas canções. E que bem que, assim a cantar, vamos conhecendo as Escrituras!

Há uns tempos li algures que, se alguém desejar ler a Bíblia de ponta a ponta, não o deverá fazer pela ordem em que são apresentados os vários livros, antes deverá começar pela Primeira Carta de S. João. Esta carta oferece-nos a chave de leitura de toda a Bíblia, incluindo os Evangelhos. Porquê? Por isto:

Nela descobrimos o nome e a essência de Deus:

Deus é amor” (1Jo 4, 8)

Descobrimos o Mistério da Encarnação, que trouxe Deus para o meio de nós:

O que era desde o princípio, o que ouvimos, o que vimos com os nossos olhos, o que contemplamos e o que as nossas mãos tocaram a respeito da Palavra da Vida – porque a vida se manifestou; e nós vimos, testemunhamos e vos anunciamos a vida eterna que estava com o Pai e nos foi manifestada… (1Jo 1, 1-2)

Descobrimos que já fomos salvos pelo Sangue derramado de Jesus, restando-nos acolher esta salvação na nossa vida:

Nisto consiste o amor: não fomos nós que amámos a Deus, mas foi Ele que nos amou e enviou o seu Filho para pagar pelos nossos pecados. (1Jo 4, 10)

Descobrimos a verdade sobre nós próprios, alcançada pelo Sangue de Cristo:

Vede com que grande amor o Pai nos amou, para sermos chamados filhos de Deus. E nós o somos de facto. (1Jo 3, 1)

Por fim, tomamos consciência da única coisa que temos de fazer nesta vida:

Nós sabemos que passamos da morte para a vida, porque amamos os irmãos. Ele deu a sua vida por nós. Também nós devemos dar a vida pelos irmãos. (1Jo 3, 14-16)

 

Que maravilha, pensei. E foi assim que decidi transcrever para verso grande parte da Primeira Carta de S. João. Fi-lo ainda no verão, mas por mais que tentasse, não consegui criar a melodia para acompanhar as belíssimas palavras de João. E acabei por arrumar o cântico na gaveta dos “pendentes”.

Serão familiar. A Clarinha entra na sala de guitarra na mão. “Mãe, escuta esta melodia e diz-me se gostas”, pede. Sento-me a seu lado e escuto. É linda! Quando acaba de tocar, a Clarinha explica-me: “Só me falta uma letra apropriada… Fiz a música, mas não tenho letra. Tens alguma ideia?” Num impulso, vou à gaveta e retiro a letra do meu cântico. “Clarinha, toca lá outra vez… Tenho a impressão que a letra deste cântico encaixa nota por nota na tua melodia…” Ela toca, eu canto. Não podia ser maior a coincidência! Rimo-nos, felizes. Acabávamos de criar a nossa primeira canção verdadeiramente “a quatro mãos”!

Tudo isto foi antes do Natal, pois agora é-me completamente impossível cantar. Peço a Deus (peçam comigo) para me dar a graça de em breve O poder voltar a louvar com o canto, porque tenho muitas saudades de cantar, cantar, cantar a toda a hora, como ouço fazer cá em casa… Vou tocando guitarra e acompanhando a Clarinha em silêncio.

Entretanto, a Sofia Portela, a nossa querida estudante de Ciências Musicais, veio visitar-nos e passar connosco uma semana. Aproveitámos para fazer a gravação deste lindo cântico, por ela harmonizado, e para voltar a gravar alguns cânticos com menos qualidade de som.

Aí na vossa casa, se quiserem também meditar na Primeira Carta de S. João, cantando, procurem em “Da nascente – Cânticos” e cantem connosco “Deus é Amor”! Aproveitem para escutar de novo os outros cânticos, agora melhorados, e para os divulgar pelas vossas paróquias, na celebração da Eucaristia e noutros encontros. Cantar a Palavra é uma ótima forma de a anunciar a todos.

3 Comments

  1. António Assunção

    Esta canção “Deus é amor” é muito bonita, pois nasceu “a quatro mãos”, ou melhor, com mais a mão da Sofia Portela, isto é, com Ele no meio de nós, ou “Nós Jesus” Continuamos a pedir pela recuperação da tua garganta a “São Brás – 3 fevereiro – (c. 264 — c. 316) um mártir, bispo e santo católico que viveu entre o séculos III e IV na Arménia. Ficou conhecido porque retirou, após uma breve oração, um espinho da garganta duma criança. Por esse motivo, é padroeiro das doenças da garganta”

  2. Querida Teresa,
    Continuamos unidos em oração também por essa intenção!
    Um Beijinho

  3. A música é de facto um grande dom de Deus e a vossa família é testemunho disso!
    Bem… este cântico, guardado tanto tempo, é lindo, lindo!
    Obrigada!

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