Em Caná da Galileia...


Amados, escolhidos, enviados

Em Balasar, houve um momento que me emocionou, e as lágrimas brilharam-me nos olhos. Estávamos em casa de Alexandrina, onde uma simpática rapariga, ali voluntária, nos explicava bocadinhos da história desta grande santa.

“É verdade que Alexandrina não tinha pai?” Perguntei a dada altura.

“Não. Alexandrina tinha pai. Todos sabiam quem ele era. O pai de Alexandrina e de sua irmã Deolinda prometeu várias vezes casamento à mãe das suas filhas, mas nunca cumpriu. Ainda Alexandrina, a mais nova, não tinha nascido, quando ele casou com outra mulher. Nesse dia, a mãe de Alexandrina vestiu-se de luto, e durante o resto da vida agiu como se fosse viúva.”

A mãe de Alexandrina reparou os erros da sua juventude com uma vida de intensa piedade e caridade. Todos os dias, às cinco da manhã, entrava na igreja para rezar diante do Santíssimo e, duas horas mais tarde, participar da Eucaristia. Na aldeia, ficou conhecida pela solicitude para com os doentes e todos os necessitados. Dedicou-se inteiramente à educação cristã das filhas, ensinando-lhes o catecismo e rezando com elas.

S. Paulo afirma que Deus até do mal é capaz de tirar o bem, se O deixarmos fazer a sua vontade em nossa vida. Vejamos: de acordo com a moral cristã, Alexandrina nunca deveria ter sido concebida. E de acordo com as leis da psicologia, o abandono paterno, com as consequências sociais da época, podia ter ferido de morte a sua personalidade. Mas Deus não age assim. Disse Jesus a Alexandrina, num êxtase:

Escolhi-te para Mim ainda no ventre de tua mãe para que dentro em pouco (e bem depressa chegou) te pudesse chamar Minha esposa. (Cartas ao Padre Mariano Pinho, 16-9-1937)

É belíssima, a forma como Deus entrelaça a sua vontade com a vontade dos homens, conduzindo-nos das trevas para a luz, do pecado para a vida da graça! Aquela menina concebida fora do vínculo matrimonial foi imediatamente amada, escolhida e enviada por Jesus! E nenhuma ferida, nenhum sofrimento a impediu de conquistar os cumes da santidade.

Quando hoje, no nosso mundo ocidental, se defende o aborto, diz-se que uma criança foi um “erro”, fruto de uma violação, de uma falha na contraceção, etc. É verdade que os atos que conduzem à conceção de uma criança são frequentemente pecaminosos; mas mesmo assim, a criança concebida é profundamente amada pelo Senhor, que tem para ela, como para todos nós, uma missão especial. Nenhum ser humano nasce sem que Deus o chame à vida. Antes de sermos capazes de amar, já todos fomos profundamente amados – se não pela mãe, se não pelo pai, sempre, sempre por Deus!

Uma mãe escrevia-me há uns tempos, magoada pela traição e consequente abandono do marido: “Eu sonhava educar os meus filhos para a santidade, e agora vejo que nunca lhes vou poder dar a educação que tanto quis para eles. O modelo de família com que eles vão conviver é tudo menos santo.” Querida amiga, que o exemplo de santidade de Alexandrina – e já agora, de sua mãe – sejam para ti farol, sinal de que o Senhor observa os teus esforços, a tua vontade, a tua dedicação, e ama-te a ti e aos teus filhos com amor de eleição. Se permaneceres fiel, se reparares com uma vida de intensa piedade e caridade não só os teus pecados, mas também os erros de quem tanto te feriu, Ele próprio enxugará todas as lágrimas dos teus olhos e virá à tua casa, escolher santos de entre os teus filhos!

Antes de te haver formado no ventre materno, Eu já te conhecia; antes que saísses do seio de tua mãe, Eu te consagrei e te constituí profeta das nações. (Jr 1, 4-5)

Beata Alexandrina, rogai por nós! Ámen.

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