Em Caná da Galileia...


Amigos para sempre

Os meus filhos sonham com o Acampamento de Caná durante o ano inteiro. Não, não é um exagero, é a pura verdade. Neste momento, já estão a pedir para o próximo acampamento ser mais longo – e quem sabe não lhes fazemos a vontade?

Uma das suas maiores alegrias é o reencontro de “velhos” amigos, uma amizade quase tão “velha” quanto eles próprios, no caso dos mais novos. E a alegria logo seguinte é a descoberta de novos amigos, quando as inscrições dizem que o acampamento vai ter famílias que desconhecemos.

Se isto é verdade para as crianças, é-o também para os seus pais. Todos nós aguardamos, ansiosos, a chegada dos amigos e a descoberta de novos amigos, famílias com quem podemos partilhar tanta coisa. Como é bom, nos dias de hoje, reunir assim várias famílias cristãs decididas a dar a Deus o primeiro lugar!

Ena, que entusiasmo quando começam todos a chegar, na tarde de sexta-feira! Durante umas boas horas, aquilo que podia ser trabalho árduo – montar tendas, preparar o campo, encher a despensa, ir buscar material – torna-se numa grande festa. Acolhimento, generosidade, alegria, eis as palavras-chave desta primeira tarde!

Nem o Francisco, nem vários dos seus amigos puderam estar este ano no Acampamento, pelo que a Clarinha estava com algum receio de se sentir só. “Se isso acontecer, posso sempre levar um livro e ler, não é, mãe?” Tinha ela perguntado. Mas não foi preciso. Esteve sempre tão ocupada como qualquer outro! No último dia, passou horas a brincar às escondidas com as crianças, e fui dar com ela “escondida” no cimo de uma árvore. “Shiu, não digas onde estou! Já por aqui passaram várias vezes mas ainda não olharam para cima!” Disse-me, divertida. No final do campo, explicou: “Descobri a fórmula para aproveitar em cheio um campo com mais crianças e adolescentes do que jovens: se as crianças te vencem, junta-te a elas! Durante dois dias, fui criança com as crianças!”

A amizade faz-se partilhando brincadeiras, bicicletas e brinquedos, e muitas gargalhadas.

A amizade faz-se partilhando o pão…

… e todas as refeições. Que banquetes tivemos!

A amizade faz-se ainda à volta do churrasco, enquanto se cozinha, tarefa aparentemente reservada a homens:

E à volta da “fogueira dos pequeninos”, como já todos lhe chamam, feita exclusivamente por crianças, e que já parece fazer parte essencial de qualquer Acampamento de Caná:

Não foram só as crianças a pôr a conversa em dia. Os pais também estabeleceram amizade enquanto partilhavam dúvidas, ideias, propostas, testemunhos, conversando animadamente em qualquer lugar, mas especialmente nos tempos marcados no Canto de Caná.

Mas em Caná, não há momentos mais deliciosos que aqueles em que estamos todos juntos, pais e filhos, famílias e famílias, numa Aldeia gigante de gargalhadas e oração. Os jogos familiares fizeram, como sempre, furor. Desde o “De Cor(da) e salteado”, ao jogo das cores, às corridas de estafetas, ao concurso de talentos e finalmente, ao jogo preferido de todas as crianças nos nossos acampamentos, um jogo trazido da Irlanda pelo Niall, que faz os pais correr atrás dos filhos e os filhos fugir dos pais numa euforia sem igual. Ah, as brincadeiras que somos capazes de fazer!

Dizem que houve um dia de chuva, mas para além dos pés descalços cheios de lama e da roupa encharcada, seca no corpo durante longos jogos de futebol, não demos por nada 🙂

Há ainda muito para contar sobre estes dias magníficos. Mas isso fica para os próximos posts. Estejam atentos!

2 Comments

  1. Dizem que houve um dia de chuva??
    O melhor do acordar no sábado de manhã (bem cedo! Não, não foram os comboios!) foi despertar com aquele cair sossegado da chuva na tenda. Que maravilha!
    A verdade é que o espírito de resiliência de famílias que se atrevem a acampar com filhos pequenos, pela primeira vez e num sítio completamente desconhecido permitiu dar à chuva um lugar absolutamente secundário!!
    Um agradecimento especial também aos salesianos que nos deixaram usufruir de todo o espaço sempre com tanta simpatia.

  2. Que fotos lindas das crianças, da partilha, das refeições partilhadas que mostram só um pouquinho de tudo aquilo que foi vivido entre nós! Sim, a Clarinha tem muita sabedoria e é um grande testemunho e exemplo para todos nós! Ah, e os nossos meninos já sonham com o próximo acampamento e não esquecem as amizades e brincadeiras novas que fizeram.

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