Em Caná da Galileia...


Amizade e visitação

No primeiro dia de aulas na escola nova, iniciando o quarto ano, a Lúcia chegou a casa muito feliz: “Mamã, fiz novas amigas! Estou tão contente!” E no dia seguinte, quando a fui buscar às três e meia, olhou para mim desapontada: “Já? Não posso ficar só mais um bocadinho a brincar? Queria estar mais tempo com as minhas amigas…” No fim-de-semana, fomos juntas à casa da amiga, aqui no fim da rua, para a chamar a brincar em nossa casa e em Náturia, o descampado por detrás. Outra semana passou entretanto, e a alegria na escola, em casa e na rua continua.

Num destes dias falei com a mãe da amiga da Lúcia. Veio ter comigo à entrada da escola: “Quero dizer-lhe que a Lúcia tem sido um raio de luz na nossa vida. A minha filha foi vítima de bullying no passado e é extremamente tímida. Por indicação do médico de família, eu já tinha marcado uma consulta no psicólogo… Estou seriamente a pensar em desistir da consulta. De um dia para o outro, até parece que os problemas desapareceram! A minha filha tem uma psicóloga chamada Lúcia. Acho que afinal tudo o que ela precisava era de uma amiga!”

Esta história recorda-me outras, passadas com os meus outros filhos. Porque uma das nossas missões neste mundo é levar a alegria e oferecer a amizade de Deus a todos, como Maria fez ao visitar a sua prima Isabel. Quantas crianças há pelas escolas dos nossos filhos que só precisam de um pouco de amizade para desabrochar?

As Famílias de Caná são, como tenho vindo a repetir, famílias missionárias. Não se trata de o casal ser um casal missionário, mas de a família o ser. Isto significa que as crianças também precisam de ser missionárias, marcando a diferença e contagiando os outros com o “vírus” de Deus, mesmo que os outros não saibam identificar a fonte de tamanha alegria. A escola é um dos melhores campos de missão que eu conheço.

Preocupamo-nos em dar aos nossos filhos a melhor educação do mundo, para que um dia, quando crescerem, sejam o melhor que podem ser. Mas esquecemo-nos que a melhor educação do mundo é aquela que inclui oportunidades para ser amigo e para servir, especialmente os mais fracos. Queremos que eles sejam missionários um dia, e esquecemo-nos de fazer deles missionários agora, já, crianças que são. Queremos que eles nos contem como correram as aulas, se sabiam a lição, se o professor explicou bem a matéria, e até vamos à escola saber de tudo isto. Mas não nos preocupamos em saber se eles ajudaram alguém naquele dia, se assistiram a alguma situação de discriminação ou bullying sem atuar, ou se há algum menino na sua sala que não tenha amigos. Ao longo de vinte anos de ensino, conto pelos dedos os pais que me abordaram, na minha posição de diretora de turma, para saber se os filhos demonstravam atitudes de solidariedade…

3 Comments

  1. Carina Martins

    Muitos Parabéns pela EXCELENTE MÃE que é . Comecei a seguir vos através do vosso blog e apartir daquele momento que já foi a algum tempo a minha Fé tem aumentado. muito obrigada

  2. Bom dia, sim este é o drama de sempre da humanidade, necessitamos que o outro nos legitime e valide, enquanto a pessoa que somos ou que nos estamos a construir, como amigos e companheiros. Nas nossas escolas travam-se as batalhas do tempo, com a transparência das crianças, mas em tudo semelhantes aos redondilhos relacionais dos adultos.
    Penso no Evangelho de Mateus que nos acompanhou este ano e em todas as directivas que Jesus nos deu… Os nossos filhos reflectem o modo como vivem, que transparece aquilo em que realmente acreditamos…
    Um amigo é um bem, um tesouro que se tem… como cantarolamos em tantos momentos de convívio… e continuo a achar tão pobre que, sendo nós milhões e milhões de pessoas, ainda vejamos um amigo como um bem raro, quando poderíamos ter centenas de amigos, porque a matéria prima abunda!!!
    Um beijinho Lúcia! E outro para a tua nova amiga!

  3. Pilar Pereira

    Quando escreveste que a Lúcia e o António teriam de mudar para a escola pública da vossa zona, eu pensei que seria uma coisa boa para essa escola… e pelos vistos não me enganei! 🙂
    Que Deus vos continue a abençoar, sempre! E que nós possamos continuar a refletir e a aprender convosco!

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