Em Caná da Galileia...


Apenas o melhor

Um dia um voluntário perguntou a Tom Cornwell, membro do staff, se havia algum padrão relativamente àquilo que era comprado (para servir aos pobres nas Casas de Hospitalidade). “Claro”, replicou Tom. “Apenas o melhor, e o melhor não é demasiado bom para os pobres de Deus.” Fora esta a visão de Dorothy desde os primeiros dias: “Que maravilha sermos atrevidamente perdulários, ignorarmos o preço do café e continuarmos a servir bom café e pão do melhor à longa fila de miseráveis que nos procuram.” (Jim Forest, Tudo é Graça – a Revolução de Dorothy Day)

“Os pobres não gostam de bolachas de chocolate?” Perguntou um dia o António, quando lhe expliquei que os pacotes de Bolacha Maria aos montes, num determinado local público, se destinavam a ser distribuídos por famílias pobres.

Na nossa família, ao contribuírmos para alguma campanha de recolha de bens de primeira necessidade, esforçamo-nos por oferecer as bolachas mais saborosas, as fraldas mais confortáveis, os melhores cereais, mesmo que não os costumemos comprar para nós próprios. Fazemo-lo por simples e espontânea gratidão: agradecemos aos pobres e necessitados a oportunidade que nos oferecem de praticar as obras de misericórdia e, assim, alcançar o Céu. Teremos com toda a certeza, no Céu, muito mais a agradecer-lhes a eles do que eles a nós!

No Evangelho, Jesus não nos manda dar as nossas sobras aos pobres: manda-nos dar um banquete. E um banquete não é uma coisa barata!

Quando deres um banquete, convida os pobres, os aleijados, os coxos e os cegos. (Lc 14, 13)

Sem dor, não há amor. Só dá de verdade quem dá do que lhe faz falta. Porque dar do que lhe sobra, qualquer um é capaz de o fazer; mas preparar um banquete para os pobres… Um banquete de tempo, de dinheiro, de carinho, de amizade, de acolhimento, de serviço e de alegria – isso sim, é caridade.

Domingo celebramos, pela primeira vez, o Dia Mundial dos Pobres, que o Papa Francisco instituiu no encerramento do Jubileu da Misericórdia, através da sua carta “Misericordia et misera”. Dia dos Pobres, não da pobreza, porque não se trata de conceitos, mas de pessoas concretas: os convidados para o banquete.

Queremos celebrar com os nossos filhos? Peçamos-lhes que ofereçam os brinquedos de que gostam, não aqueles com que já não brincam; a roupa de que gostam, não a que já não serve. E que eles sejam testemunhas da forma como nós, pais, damos de comer a quem tem fome, de beber a quem tem sede, de vestir a quem está nu: como Dorothy Day, dando apenas e sempre  – o melhor.

“Banquete” de Caná, no 1º Acampamento… Só para matar saudades!

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