Em Caná da Galileia...


Coração Eucarístico

O Ensinamento Mensal já está disponível aqui no site, como certamente já verificaram. Espero que possa ser uma meditação fecunda para todos nós, ao longo deste mês!

Para o completar e aprofundar, sugiro a leitura das catequeses do Papa Francisco sobre a Eucaristia. Como todas as catequeses papais, estão disponíveis no site do vaticano. Quando preparava o Ensinamento Mensal, reli-as e meditei-as. Deixo-vos aqui um brevíssimo apanhado de algumas ideias que me pareceram particularmente relevantes nos tempos que correm:

Dois trechos particularmente relevantes para um tempo em que, assistindo à missa online, os cristãos se esquecem de que, mesmo virtualmente, a missa exige de nós uma atitude de adoração, de concentração total, e não é a altura certa para fazer comentários no Facebook, e muito menos para os ler:

“É este o significado da Missa: entrar nesta paixão, morte, ressurreição, ascensão de Jesus; quando vamos à Missa é como se fôssemos ao calvário, a mesma coisa. Mas pensai: no momento da Missa vamos ao calvário — usemos a imaginação — e sabemos que aquele homem ali é Jesus. Mas, será que nos permitiríamos conversar, tirar fotografias, dar um pouco de espetáculo? Não! Porque é Jesus! Certamente estaríamos em silêncio, no pranto e também na alegria de sermos salvos. Quando entramos na Igreja para celebrar a Missa pensemos nisto: entro no calvário, onde Jesus oferece a sua vida por mim. E assim desaparece o espetáculo, desaparecem as tagarelices, os comentários e estas coisas que nos afastam de algo tão bonito que é a Missa, o triunfo de Jesus.” (Catequese do Papa Francisco, 22-11-2017)

“A certa altura, o sacerdote que preside à celebração diz: “Corações ao alto!” Não diz: “Telefones ao alto para fazer fotografias!” Não, não é agradável! E digo-vos que me causa muita tristeza quando celebro aqui na Praça ou na Basílica e vejo tantos telefones elevados, não só dos fiéis, mas até de alguns sacerdotes e bispos. Por favor! A Missa não é um espetáculo: significa ir encontrar a paixão e a ressurreição do Senhor. Por isso o sacerdote diz: “Corações ao alto”. Que significa isto? Recordai-vos: não levanteis os telefones.” (Catequese do Papa Francisco, 8-11-2017)

Uma meditação sobre o valor infinitamente superior da vida eterna sobre a vida terrena (reflexão que, infelizmente, a pandemia não pareceu proporcionar):

“Não podemos esquecer o grande número de cristãos que, no mundo inteiro, em dois mil anos de história, resistiram até à morte para defender a Eucaristia; e quantos, ainda hoje, arriscam a vida para participar na Missa dominical. No ano de 304, durante as perseguições de Diocleciano, um grupo de cristãos, do norte de África, foram surpreendidos a celebrar a Missa numa casa e foram aprisionados. O procônsul romano, no interrogatório, perguntou-lhes por que o fizeram, sabendo que era absolutamente proibido. E eles responderam: «Sem o domingo não podemos viver», que significava: se não podemos celebrar a Eucaristia, não podemos viver, a nossa vida cristã morreria.

Aqueles cristãos do norte de África foram assassinados porque celebravam a Eucaristia. Deixaram o testemunho de que se pode renunciar à vida terrena pela Eucaristia, porque ela nos dá a vida eterna, tornando-nos partícipes da vitória de Cristo sobre a morte. Um testemunho que nos interpela a todos e exige uma resposta acerca do que significa para cada um de nós participar no Sacrifício da Missa e aproximarmo-nos da Mesa do Senhor. Estamos à procura daquela nascente da qual “jorra água viva” para a vida eterna?” (Catequese do Papa Francisco, 8-11-2017)

Por fim, duas reflexões do Papa sobre a natureza dos sacramentos, que precisam de um corpo e de um espírito para acontecerem; e a perfeita definição da comunhão espiritual, que mais não é do que a oferta, ao Senhor, da nossa fome, enquanto aguardamos a saciedade da comunhão sacramental:

“É muito importante voltar aos fundamentos, redescobrir aquilo que é essencial, através do que se toca e se vê na celebração dos Sacramentos. O pedido do apóstolo São Tomé (cf. Jo 20, 25), para poder ver e tocar as chagas dos pregos no corpo de Jesus, é o desejo de poder de alguma forma “tocar” Deus para acreditar nele. O que São Tomé pede ao Senhor é aquilo de que todos nós precisamos: vê-lo e tocar nele para o poder reconhecer. Os Sacramentos vêm ao encontro desta exigência humana. Os Sacramentos, e a celebração eucarística de maneira especial, são os sinais do amor de Deus, os caminhos privilegiados para nos encontrarmos com Ele.” (Catequese do Papa Francisco, 8-11-2017)

“A celebração da Missa, da qual percorremos os vários momentos, visa a Comunhão, ou seja, a nossa união com Jesus. A comunhão sacramental: não a comunhão espiritual, que podes fazer em casa, dizendo: “Jesus, gostaria de te receber espiritualmente”. Não, a comunhão sacramental, com o corpo e o sangue de Cristo. Celebramos a Eucaristia para nos alimentarmos de Cristo, que se oferece a nós quer na Palavra quer no Sacramento do altar, para nos conformar-nos com Ele. É o próprio Senhor quem o diz: «Quem come a minha carne e bebe o meu sangue permanece em mim, e Eu nele» (Jo 6, 56).” (21-3-2018)

Que o mês de junho seja, verdadeiramente, um mês eucarístico para cada Família de Caná! Ámen.

 

 

 

 

 

 

 

 

© Teresa Power, 6-6-20

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