Em Caná da Galileia...


Domingo XI do Tempo Comum ano B

Reflexão semanal, escrita pela Teresa, sobre as leituras da missa do domingo seguinte, publicada no jornal diocesano Correio do Vouga

ESPERANÇA E CONFIANÇA NO SENHOR

A partir de sementes e árvores, ramos novos e velhos, este domingo traz-nos uma magnífica mensagem de esperança e confiança no Senhor. Que grande alegria a nossa!

O profeta Ezequiel dirige-se ao povo exilado na Babilónia. S. Paulo virá depois dizer que todos nós somos exilados enquanto caminhamos neste mundo, pois a única Pátria definitiva é o Céu. Assim, a profecia de Ezequiel é para todos nós. E que bonita a promessa de Deus! O Senhor, Ele próprio, irá arrancar um pequeno ramo ao velho cedro, para o plantar na sua montanha escolhida e, aí, o fazer crescer, cobrir-se de folhas e de ninhos fecundos. Deus tem poder para exaltar o humilde e derrubar o soberbo, fazer nascer o novo do velho, criar um povo universal a partir de um povo pequenino e, de um só ramo, fazer brotar o Reino. A Igreja universal, católica, nascida da velha árvore do judaísmo, mas transplantada para outro lugar, em cuja folhagem se abrigam “passarinhos” de todos os povos e raças, é aqui já uma promessa e uma certeza: “Eu, o Senhor, digo e faço”.

No Evangelho, Jesus retoma esta imagem poderosa da forma como Deus gosta de agir. Contemplemos nós também o pequeno grão de mostarda, que quando cresce se transforma na maior de todas as plantas da horta. Não é impressionante o contraste? E como o pequeno ramo da profecia de Ezequiel, também esta planta irá abrigar todas as aves do céu. É bela esta forma de o Senhor Se apresentar, associando-Se sempre à vida em abundância, à fecundidade plena. O Criador da vida gosta de vida abundante e quer que nos abramos a ela. Um cristão que não tenha uma vida fecunda – nas mais variadas áreas da existência – não é um cristão autêntico.

Mas Jesus vai ainda mais longe. Na primeira parábola do Evangelho deste domingo, Jesus compara o Reino de Deus a uma semente que, depois de lançada à terra, não pára de crescer. “A terra produz por si”, mesmo enquanto o agricultor dorme. Estranho, pensamos. Por que não fala Jesus das fadigas do agricultor que lavra, sacha, arranca as ervas daninhas, rega e vigia sem descanso? Por que se concentra Ele apenas na força interior da própria semente, capaz de irromper da terra mesmo quando ninguém a cultiva?

Recordemos a Palavra do Senhor em Ezequiel: “Eu próprio”, diz Deus, farei todas estas maravilhas. Só Deus age em nós, pela sua graça santificante. Não são os nossos esforços, não é a nossa força nem a nossa inteligência que alcançam seja o que for, mas apenas Deus. Ele, e só Ele, tem os corações dos homens na sua mão! O Papa Francisco reforça esta doutrina na sua Carta sobre a santidade Alegrai-vos e Exultai: “A Igreja ensinou repetidamente que não somos justificados pelas nossas obras ou pelos nossos esforços, mas pela graça do Senhor que toma a iniciativa.” (nº 52)

Que alegria nos deve causar esta verdade! A História do mundo e a minha história pessoal estão nas mãos do Senhor. Ele conduz o Universo e cada ser humano de forma misteriosa, mas segura. Não estamos à mercê dos homens! Quando cá em casa, perante as notícias de desastres naturais e guerras, perante a perda de terreno da Igreja no Ocidente e a destruição generalizada de valores, algum filho reage com demasiado pessimismo, eu costumo responder: “Não te preocupes, que eu já li o final do livro, já sei como termina a História.” Eles ficam curiosos: “Já leste o final do livro? Já sabes como termina a História? Conta!” Então mostro-lhes a Bíblia e abro no Apocalipse. Aí o Senhor diz-nos que, por fim, a Igreja e o Reino triunfarão, e a Mulher coroada de estrelas esmagará definitivamente a cabeça do Dragão. Não espreitámos já todos a “última página”? Ela começou a ser escrita com a ressurreição de Jesus. E o Evangelho deste domingo transpira esperança. Por isso, S. Paulo afirma: “Nós estamos sempre cheios de confiança.”

Se só Deus conduz a História, qual é afinal o nosso papel na trama da vida? Deus cumprirá os seus planos. Não seremos capazes de os frustrar. Haja alegria! Mas para nossa felicidade eterna, oxalá seja através de nós, e não apesar de nós, como diz S. Paulo: “Todos nós devemos comparecer perante o tribunal de Cristo, para que receba cada qual o que tiver merecido, enquanto esteve no corpo, quer o bem, quer o mal.” Pois a nossa felicidade como filhos de Deus é cumprir a sua vontade, trabalhar para que o Reino chegue a toda a Terra. “Por isso nos empenhamos em ser-Lhe agradáveis.” No Purgatório, dizem-nos os santos, o nosso maior sofrimento será não termos feito mais por Quem tudo fez por nós.

Hora da missa. Uma semente minúscula plantada na nossa semana. Alguns gestos, algumas palavras, alguma sonolência. Mas o Senhor faz-Se presente entre nós, e mesmo enquanto dormitamos sem nada entender, a semente germina, brota da terra e dá fruto abundante… Revivemos o passado em que Jesus Se entregou na Cruz, mas experimentamos já também o futuro, no final dos tempos, em que Jesus reinará em todos os corações. Esta é a hora mais importante das nossas vidas.

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