Em Caná da Galileia...


Domingo XXVIII do Tempo Comum, ano A

Reflexão semanal, escrita pela Teresa, sobre as leituras da missa do domingo seguinte, publicada no jornal diocesano Correio do Vouga

O BANQUETE ESTÁ PREPARADO

Domingo. O banquete está preparado, a festa está pronta. É hoje! Vinde às Bodas!

Desde o início da História Sagrada, que o amor de Deus se exprimiu e celebrou através de refeições festivas. Na verdade, partilhar uma refeição com aqueles que nos são próximos ou queridos é, em qualquer cultura e em qualquer tempo histórico, um sinal de amor e predileção. Assim, a imagem de um banquete divino, consumado sobre o monte do Templo, acompanhou os profetas de Israel, até finalmente se realizar em Jesus: “O Reino de Deus pode comparar-se a um rei que preparou um banquete nupcial para o seu filho.” Cumprindo as profecias antigas, Jesus sentava-Se à mesa com pecadores e publicanos, escribas e fariseus, porque quando o Reino de Deus chega, é para todos: “Sobre este monte, o Senhor do Universo há de preparar para todos os povos um banquete.”

E como reagiram “os príncipes dos sacerdotes e os anciãos do povo”? A parábola que Jesus conta no Evangelho de hoje revela-nos a sua recusa em se converter: “Mandou os servos chamar os convidados para as bodas, mas eles não quiseram vir.” Como sempre, do mal, o Senhor tira um bem maior. De facto, a recusa dos “primeiros”, dos instruídos nas Escrituras, em aceitar Jesus escancarou as portas aos “últimos”, aos excluídos e pecadores; e a recusa da maioria de Israel, levando à separação histórica entre a Sinagoga e a Igreja, escancarou as portas aos pagãos, até aos nossos dias: “O banquete está pronto, mas os convidados não eram dignos. Ide às encruzilhadas dos caminhos e convidai para as bodas todos os que encontrardes.”

Que feliz notícia! Os convidados somos todos nós, “maus e bons”, ricos e pobres, cristãos desde a infância e recém-convertidos, conhecedores das Escrituras e ignorantes nos assuntos divinos. “Preparei o meu banquete, tudo está pronto: vinde às bodas”, repete-nos o Senhor. Porque a conversão é sempre ocasião de festa.

E, no entanto, continuam a ser mais numerosos os que recusam o convite: “Mas eles, sem fazerem caso, foram um para o seu campo e outro para o seu negócio.” Bem diz Jesus: “Muitos são os chamados, mas poucos os escolhidos.” Quantos convites divinos temos recebido? Alguns são explícitos: “Queres ser acólito?” “Queres fazer um retiro?” “Queres educar os filhos na fé cristã?” Outros, escutam-se no íntimo do coração, como por exemplo, o convite divino para uma oração mais intensa, para um serviço humilde ao próximo, para um acompanhamento mais atento dos filhos ou para uma atitude mais amorosa para com o cônjuge… Por fim, domingo após domingo, somos convidados para o grande banquete do amor divino, a missa. Saberemos nós o que estamos a recusar?

“O rei ficou muito indignado e enviou os seus exércitos, que acabaram com aqueles assassinos e incendiaram a cidade”. A destruição do Templo de Jerusalém nos anos 70 (que as primeiras gerações de cristãos tinham em mente ao escutar esta parábola), ou o incêndio da catedral Notre Dame no ano passado, tornam-se sinais concretos e materiais de como o mal atrai o mal.   Não culpemos o mundo ou os outros pela perda de valores cristãos no ocidente! Cada vez que preferimos os nossos pequenos “negócios”, os nossos interesses mesquinhos, ao convite divino para nos convertermos, atraímos sobre o nosso mundo e as nossas famílias a destruição e a morte.

Mas não basta aceitar o convite. É preciso estar vestido à altura: “Amigo, como entraste aqui sem o traje nupcial?” Esta reviravolta da parábola, que a forma breve do missal nem sequer inclui, é de uma importância extrema. Numa das suas viagens apostólicas aos EUA, S. João Paulo II comentou, no final de uma missa: “As vossas filas para a comunhão são longas, mas para o confessionário são muito curtas!” Na Páscoa passada, os cristãos do mundo inteiro viram-se impedidos de se confessar, por conta da pandemia. Quantos se terão, desde então, abeirado do confessionário? Mais numerosos são certamente os cristãos que se acham no “direito” de comungar, vivam ou não em pecado mortal. “O rei disse então aos servos: Amarrai-lhe os pés e a mãos e lançai-o às trevas exteriores.” Nos nossos dias, só achamos importante ler as parábolas até certo ponto. Sinal dos tempos?

O Senhor é meu Pastor!

Hora da missa. “Felizes os convidados para a Ceia do Senhor”, diz o sacerdote, e eu ajoelho para Te adorar. Convidaste-me, Jesus, e eu branqueei a minha túnica para poder estar aqui. Que honra tão imerecida! “Para mim preparais a mesa, com óleo me perfumais a cabeça e o meu cálice transborda!” Quem iria imaginar que o banquete que nos serves aqui, estes “manjares suculentos, vinhos deliciosos”, que o profeta só ao longe anteviu, és Tu mesmo feito pão abençoado, partido, dado? “Nada me falta”, Senhor, se Te tenho a Ti! Como Paulo, descubro que “tudo posso n’Aquele que me conforta.” Durante uma curta hora, levantas “o véu que cobria todos os povos, o pano que envolvia todas as nações”, e deixas que espreitemos, ainda que de relance, o Teu sonho, o dia em que “enxugarás as lágrimas de todas as faces…”

4 Comments

  1. Obrigada Teresa 😊

  2. Licínia Maria

    Obrigada, obrigada sempre. Como é bom refletir com as tuas palavras! Obrigada por todas as reflexões.

  3. Andreia Ribeiro

    Obrigada Senhor por este dom da Teresa poder ser partilhado com todos nós através deste veículo de comunicação. Para mim Verdadeiramente uma homilia.

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