Em Caná da Galileia...


Dos ramos às raízes: um ADeus e um recomeço

Há um ano, a Natércia e o Martinho faziam aqui connosco o seu compromisso Famílias de Caná, durante a Eucaristia diária, e depois de rezarmos juntos longamente no Cantinho de Caná. Recordo as palavras divertidas do senhor padre que presidiu à Eucaristia, e que teve, assim, a surpresa de ouvir os dois a ler com voz firme o texto do nosso compromisso (texto disponível aqui no site). “Ena, tanta coisa!” Dizia ele, falando a sério a brincar. “Não acham que bastava algo mais simples? Isso é um programa completo de vida!” A Natércia tinha a resposta pronta: “É um compromisso sem letrinhas pequeninas lá escondidas”, riu. E acrescentou: “Com este texto, não restam dúvidas sobre o que, de facto, nos comprometemos a viver.”

Há três anos, cerca de vinte famílias fizeram o compromisso público de pertença ao Movimento Famílias de Caná. Foi um dia de festa intensa, que nenhum de nós esquecerá certamente! Mas desde então, várias destas famílias afastaram-se devagarinho do seu compromisso, consciente ou inconscientemente. Algumas, por ser um compromisso muito exigente, que envolve a família inteira; outras, porque decidiram, entretanto, enveredar por outros movimentos, comunidades e caminhos eclesiais, do Opus Dei aos Servos do Imaculado Coração de Maria, das Equipas de Nossa Senhora ao Ensino Doméstico Católico. Depois de tentarem, em vão, caminhar em dois caminhos simultaneamente, optaram como acharam melhor. Perdi o contacto com algumas famílias e mantenho com outras uma relação de amizade eterna.

Há leigos que gostam de experimentar muitos movimentos e caminhos eclesiais, e gostam especialmente de educar os filhos nesta riqueza de experiências, sem se comprometerem em nenhum lado concreto, bebendo de todas as fontes sem ajudarem a fazer crescer nenhuma. É uma forma de ser Igreja, que respeito e aceito. Há outros que preferem ir saltitando entre Movimentos, bebendo daqui e dali, ou fazendo um compromisso num Movimento sem intenção real de o viverem, como se o compromisso fosse uma declaração de intenção, porque sim. Os sacerdotes estão, pois, acostumados a ouvir belas palavras serem lidas publicamente em Eucaristias, sem quaisquer consequências práticas, e por isso, não admira que o sacerdote que assistiu ao compromisso da Natércia e do Martinho o tenha achado exagerado.

Não é, de todo, assim que queremos que aconteçam as Famílias de Caná. Enquanto vivermos, o Niall e eu dedicaremos todos os nossos esforços a que este caminho eclesial seja um caminho de santidade e de permanência – sem letras pequeninas lá pelo meio. Escolher ser Família de Caná é escolher uma forma de estar em Igreja, de educar os filhos, de se integrar na paróquia, de crescer em família e de ser missionário. Assim como quem escolhe casar com uma pessoa, fica impedida de casar com outra; e quem escolhe professar num Carmelo, fica impedido de professar num convento de dominicanos, também quem escolhe ser Família de Caná fica impedido – porque assim o deseja – de escolher outro caminho qualquer para a sua vida familiar. Mas tal como nos casamentos e nas profissões religiosas bem-sucedidos, também este impedimento é desejado e aceite como uma bênção. Assim o têm demonstrado à saciedade as famílias realmente comprometidas.

Entre estas, com quem temos partilhado um caminho belíssimo, tem vindo a surgir a necessidade de maior partilha, maior profundidade, longe dos olhares públicos do mundo virtual. Não é fácil partilhar a vida familiar de uma forma totalmente aberta ao mundo, num blogue ou pela Internet.

Ao longo dos anos, tenho-me questionado – da forma transparente que me conhecem – sobre o real valor da minha escrita diária ou semanal neste site, nomeadamente aqui no blogue Em Caná da Galileia. Sei, porque recebo as vossas confidências, que o blogue vos acompanha em momentos bons e maus, e vos ajuda a refletir, a crescer, a construir, mesmo quando vos oferece um ponto de vista diferente ou discordante. E isso faz-me feliz.

Mas também sei que há muitas famílias a protelar a decisão de se aproximar do Movimento, porque veem no blogue uma desculpa para prolongar o tempo de “namoro”, sem se decidirem para um lado ou para o outro, acompanhando  o crescimento, as atividades e o pensamento do Movimento sem precisar de um compromisso. Nesta ânsia de possibilitar a todos a experiência da nossa alegria, acabo por dificultar o compromisso de alguns. Não será assim?

Na atenção contínua que nos é pedida à vontade do Senhor, está, pois, na hora de dar um passo em frente. O Papa Francisco partilhou outro dia um provérbio da sua terra natal, que diz mais ou menos isto: a formosura dos ramos das árvores vem daquilo que elas têm enterrado. Refere-se, naturalmente, às raízes. É então às raízes que nos iremos dedicar: enterraremos o blogue para alimentar as raízes. Iremos crescer como Famílias de Caná “para fundo”, em partilhas privadas a que só terão acesso as Famílias de Caná e aqueles que desejarem caminhar no Movimento “em exclusividade”. Já leram a Carta Fundacional, depois destes anos todos a ler o blogue Em Caná da Galileia?

O site irá mudar o seu rosto em breve. Será ainda mais dinâmico, ainda mais bonito. Não perderá absolutamente nada com o fim da minha escrita frequente. Por enquanto, Em Caná da Galileia manterá a publicação dos textos com as reflexões para a missa do domingo seguinte, até ao final do ano litúrgico, em novembro. Depois terminará definitivamente.

Continuaremos a trabalhar online e a disseminar cada vez mais o Movimento. O site continuará aberto a todos, crentes ou não, de qualquer movimento eclesial, sem fazer aceção de pessoas. Continuará a transbordar de alegria, de Recursos para a catequese e a vida familiar. Continuará a divulgar o Ensinamento Mensal, para que todos os que quiserem possam vir aqui beber. Divulguem-no nas vossas paróquias! O menu Testemunhos deixará, contudo, de ser aberto à participação de todos, para transmitir apenas os testemunhos das Famílias de Caná comprometidas, ou em caminhada de compromisso com o Movimento.

A nossa missão é a de levar a alegria das Bodas ao maior número de famílias possível, diz a nossa Carta Fundacional. E isso não se faz apenas, nem sobretudo, online, mas precisa de muitos encontros presenciais. Iremos, enquanto Famílias de Caná, organizar encontros e retiros gratuitos para todas as famílias que quiserem ter um dia especial em família, e estaremos sempre disponíveis para que as paróquias nos contactem e nos peçam retiros e encontros para as suas famílias. Tudo isto será anunciado aqui no site, como sempre tem acontecido. Mas estes encontros serão separados dos retiros, acampamentos, encontros que faremos entre nós, famílias comprometidas ou em discernimento. Estes serão privados, para enterrar as raízes bem fundo.

Se desejarem, ou quando desejarem discernir a vossa vocação no Movimento, contactem-me. O discernimento faz-se de forma artesanal, que é a forma que o Papa propõe para o acompanhamento das famílias, quaisquer que sejam, na Amoris Laetitia. Encontraremos formas de manter um contacto muito assíduo, retiros frequentes e muita partilha de vida, longe dos olhares públicos e virtuais!

A todos os outros leitores, que habitam em moradas diferentes dentro da nossa Igreja, e a todos os leitores não-católicos que me acompanharam todos estes anos com o seu carinho, a sua atenção, os seus comentários ou a ausência deles, um grande, grande obrigada. Foi uma honra estar convosco nesta aventura da escrita espiritual, iniciada há sete anos, com Uma Família Católica! Rezo por vós, para que a semente que procurei espalhar tenha caído na melhor das terras, como dizia Jesus neste domingo. Rezem também por nós, pelo Movimento, e continuem a beber deste site e a fazê-lo crescer com as vossas visitas e partilhas!

O vinho melhor é servido no fim, revelou-nos Jesus em Caná, contrariando todas as expetativas. O vinho melhor já está a ser derramado…

Nós, Jesus! Ámen.

39 Comments

  1. O tempo passa rápido! Andamos tão distraídos que nem festejámos o 1º ano de FC.😅
    Aprofundemos as raízes, para lançar os ramos mais alto!
    Bjinhos😘😇

  2. Bom dia Teresa,

    o caminho faz-se de acordo com a inspiração que o Espírito Santo lhe imprime e a nossa pobre vontade acata…
    Mantenho vivo em mim o compromisso feito… pleno e realizado o mais possível de acordo com o próprio carisma pessoal e os condicionamentos que os desafios do quotidiano proporcionam!

    Que a Mãe de Caná Nos inspire e sim, é tempo de mudança e consolidação!

    Beijinhos

    • Um longo caminho já percorrido, Rita! E como tem sido bonito. Vamos consolidar muito melhor agora! Bjs!

  3. Pilar Pereira

    Como alguém que acompanha a tua escrita desde quase o início, mas não se comprometeu com o movimento, compreendo perfeitamente esta opção. Acho que faz todo o sentido, aliás. A minha experiência de 20 anos no Caminho Neocatecumenal, um caminho feito em comunidade, com aqueles que se comprometeram, tal como eu, não teria sido a mesma – não sei sequer se teria sido possível – se, de cada vez que houvesse partilha individual, qualquer pessoa estivesse a ouvir. Por isso, reitero, compreendo e aceito que os testemunhos sejam privados, e que haja encontros exclusivos para quem deu ou está a dar o passo em frente. Por último, agradeço toda a partilha já feita, e tudo o que vier a ser publicado no site. 😘

  4. Catarina Ramos Tomás

    “Aqui estou!” Ou aqui estamos…
    Uma família “em caminhada de compromisso com o movimento”.
    Com muitas limitações e muitas fragilidades, mas com uma grande certeza de que o caminho é por aqui…

    • Ora assim é que é falar!!! Vamos caminhar muito agora, sim! Nós, Jesus!

    • Catarina fico mesmo contente que vocês tenham essas limitações e fragilidades todas como dizes!!! Assim nós aqui não nos sentimos tão sozinhos na mesma caminhada 🙋😅 afinal…estamos juntos! 😉 Nós, Jesus!

  5. Vera Rodrigues

    Tal como a Pilar Pereira também vos acompanho quase desde o inicio, fui parar ao primeiro blog através do blog “Pais de Quatro” do joão Miguel Tavares.

    Aproveito para dar o meu testemunho em relação ao blog.

    Foi mesmo muito bom descobrir na internet uma familia verdadeiramente católica. A forma como a Teresa partilhava os momentos do dia a dia iluminados com a palavra de Deus foi na altura muito importante para mim, pois foi num momento particular em que questionava muito a Igreja e Deus. Também aprendi aqui a falar mais do céu aos meus filhos. Aproveito para contar um episódio, dizia frequentemente que quando morressemos iriamos para o mundo das maravilhas, aconteceu que morreu um dos nossos canários, então enterramos o canário no nosso quintal, passado poucas horas o Jaime (filho) lembrou-se de o ir dessenterrar para ver se ele já estava no mundo das maravilhas!!!!
    Partilhei o blog com muitas pessoas e falo muitas vezes dele, foi muito bom ver aqui temas como a abertura à vida e outros serem discutidos abertamente, porque infelizmente embora haja várias enciclicas a falar disso, parece-me que é um tam pouco debatido. Na paróquia onde estou se alguém tem mais de 3 filhos, independentemente de pertencer ou não à Igreja fica logo rotulado como sendo “kikos”, isto porque a paróquia tem à mais de 30 anos o Caminho Neocatecumenal. Também já sugeri ao meu pároco que vos trouxesse cá para falar da familia.
    Compreendo a vossa decisão de haver conteudos exclusivos para quem tenha o compromisso de forma a crescerem.
    Não concordo em tudo o que a Teresa escreve, mas quase sempre o que é escrito me põe a mexer e não me é indiferente.

    Agradeço todo o conteúdo que possam partilhar com quem não tem o compromisso com o movimento.

    Somos todos irmãos em Cristo, movimentos diferentes, mas o Cristo é o mesmo. Na Igreja deveríamos por vezes usar melhor o nosso tempo em falar de Cristo aos que não o conhecessem em vez de tantas vezes nos perdermos em picardias entre movimentos!

    Um bem haja a todos! A paz,
    Vera Rodrigues

    • Obrigada pela partilha, Vera! E que grande verdade: tanto tempo perdido em picardias entre movimentos! Algo com que nunca nos conseguimos identificar. Aliás, nem sequer com picardias entre paróquias. A nós, o que mais nos custa enquanto movimento é ainda outra coisa: é ver muitos párocos olhar para os movimentos como algo à parte da vida paroquial, quase como um caminho paralelo. Custa-nos, por exemplo, propor à diocese um retiro para famílias, todas as famílias, e esta proposta ser imediatamente catalogada como algo à parte das propostas diocesanas, um “extra” sem consequências. Nunca entenderei esta forma de pensar, que muito nos incomoda e fere, e contra a qual continuamos a lutar. E não tenho com nenhum movimento qualquer tipo de “picardia”. Os movimentos devem servir para nos ajudar a crescer e definir enquanto cristãos, e como uma rampa de lançamento muito específica no campo de missão da Igreja e do mundo. Por favor, não entendam esta nossa tentativa de aprofundamento e definição como uma “picardia”, pois nada mais distante da nossa forma de ser e pensar. Construir um movimento é um processo semelhante a construir uma ordem religiosa: responde-se a um chamamento de Deus, que ama a diversidade. E dá-se tudo, sem nada reservar para si, sem rivalidades e sem qualquer tipo de exibicionismo. Bj

      • Vera Rodrigues

        Não acho que seja uma picardia vossa este passo que estão a dar! É um processo natural diria.
        Pode ser que um dia destes passemos por mogofores para vos visitar e ao canto de caná!
        Bj

  6. Teresa, é com muita pena que leio este artigo, mas entendo totalmente a vossa motivação.

    Ainda há pouco tempo reli imensos artigos do blog anterior e cada vez que vos re-leio, mais vos admiro. Tive a honrar de trocar alguns e-mails com a Teresa há cerca de 3 anos e continuei sempre a acompanhar o site.

    Que Deus vos abençoe!
    Um grande abraço a todos.

    • Andreia, iremos fazer muitos retiros e encontros para servir todas as famílias que queiram vir, sem qualquer tentativa para fazer delas Famílias de Caná! O nosso serviço será ainda mais universal, e é por isso mesmo que precisamos de ir às raízes. Quando ao meu e-mail, ele continuará a ser um instrumento de evangelização e de proximidade. Como sabes, respondo no espaço de algumas horas 🙂 Bjs!

  7. ANA MARIA JORGE RIBEIRO ALVES

    Li como sempre com interesse e desta vez com inquietação!

    • Ana, eu continuo a escrever, só não Em Caná da Galileia 🙂 Estou, de momento, a terminar mais um livro, por exemplo! Quanto a retiros e encontros, iremos fazer até mais do que fazíamos, pois distinguiremos entre formação no movimento e missão. Levaremos a alegria das Bodas a todo o lado, e a Ana pode sempre usufruir de um retiro fantástico! O crescimento exige sempre mudança! Bjs

      • Tânia Côrte-Real

        Confesso que fico um pouco triste com esta mudança, apesar de entender perfeitamente. Os seus textos levaram a uma grande mudança familiar e a uma aproximação diária à palavra de Deus, o nosso sincero agradecimento 😊. Muitas felicidades para o movimento.

        • Tânia, ambos os blogues permanecerão na Internet, acessíveis através do site, para que todos possam vir ler e reler as vezes que desejarem. E há mais escrita a caminho, porque uma das minhas missões – isso eu sei de certeza – é escrever. Desde muito pequena que o faço, e cada vez escrevo mais. Anunciarei aqui no site cada livro que nascer! Bjs!

  8. Rogério Tavares Ribeiro

    Foi bom acompanhar o vosso dia a dia familiar durante tanto tempo. A vossa vida espiritual, as peripécias do vosso dia a dia…
    Também vou ter saudades de ver fotos do Daniel que é tão fofinho!
    Eu compreendo a mudança mas vou sentir falta dessa vossa partilha diária que iluminava a minha vida!

    • Rogério, contamos convosco em caminhada! O vosso compromisso continua de pé, de certeza! Nós, Jesus!

  9. Tenho acompanhado nem sempre este trabalho já alguns anos, nota-se algum cansaço. Mas é assim, o importante não é visível e uma igreja leva muito tempo a construir. Mas há resultados. Gostaríamos e mais. É precisa paciência. O fruto leva algum tempo a aparecer. Parabéns a todos pelo trabalho realizado.

    • Senhor padre, continuamos disponíveis – certamente mais disponíveis agora, porque mais organizados enquanto movimento – para ir às paróquias testemunhar, orientar retiros, etc. O cansaço, a desilusão e os obstáculos são, para nós, o sinal de que estamos no caminho certo 🙂 Nós, Jesus!

  10. Rosário Leitão

    Também faço parte dos que acompanharam a família Power à distância durante estes anos .

    Obrigada por tudo o que de graça recebi.

    ADeus

  11. Catarina Silva

    Pois eu por muito que me custe e depois de pensar com o coração, acho que fazem bem e que fazem aquilo que tem de ser feito. É preciso proteger o que tem de ser protegido e continuar o que tem de ser continuado!
    Eu compreendo. E acho que vem aí uma etapa muito bonita para todos vós, cheia de bons frutos! Assim o espero. Que Deus vos abençoe!

  12. Aurora Maria Silveira Picardo Fernandes Tomaz

    Muito agradecida pela partilha desde que vos conheço – alguns anos, desde “Uma família catolica”.
    Os caminhos são diversos mas a nosso caminhada para o Pai é única.
    Rezemos uns pelos outros, para que a fé se fortaleça.

  13. Olá família Power,
    Acompanho-vos desde o tempo do “Uma família católica”. Confesso que é com uma certa tristeza que acolho esta notícia. Estando na casa dos vinte e imaginando e sonhando muitas vezes com o que seria o meu casamento ou a minha futura família, os textos que aqui li moldaram-me, fizeram-me reflectir…e posso dizer que me fizeram sentir menos sozinha nas minhas convicções.
    Mas que mais podemos nós fazer senão apoiar e desejar uma “Boa viagem” a quem nos deu tanto?!
    Tudo de bom para vocês, e um bem hajam. Vocês foram absolutamente determinantes em mostrar que existem família numerosas, felizes e católicas.
    Até breve,

  14. Querida Teresa,
    Apesar de compreender perfeitamente e saudá-la pela determinação com que tomou esta decisão (acredito que não deve ter sido fácil), é com tristeza pessoal (e egoísta, devo confessar) que recebo as novidades. Como disse num comentário no mês passado, muitas vezes discordo do que é dito, mas nunca deixo de a ler nem as suas reflexões me deixam de me fazer pensar. Ler os seus textos tornou-se um hábito diário e um momento matinal de reflexão. Tenho-lhe a agradecer o facto de a minha relação com Deus ser hoje mais profunda do que há anos atrás, antes de a começar ler no blogue “Uma Família Católica” (mais outra que a encontrou através do “Pais de Quatro” :D).
    Vou ter saudades dos seus relatos e da sua profunda capacidade de reflexão; de ler sobre o humor do Niall, o engenho do Francisco, a generosidade da Clarinha, da abnegação do David, a empatia singular da Lúcia, a determinação do António, a curiosidade da Sara, e as peripécias deliciosas do Daniel – e de como todos esses momentos caseiros tem uma ligação, maior ou menor, com a fé e com Deus. Um bem-haja a toda a Família Power 🙂
    Sei que a Teresa me vai desafiar a continuar o caminho convosco através do Movimento. Hoje não é o dia, quem sabe no futuro 🙂 até lá, o meu muito obrigada e a confirmação de que terei sempre muito prazer em ler os seus textos quando (e se algum dia) sentir que os deve tornar públicos.
    Ana

    • Obrigada, Ana! Descreveu-nos com mestria!!! A porta está sempre aberta. Basta bater! Os textos, hão de vir a público assim que a pandemia acalme e eu volte a ter pelo menos meia hora diária de escrita ininterrupta, sem crianças em casa porque todas na escola… Então terminarei os livros que ficaram a meio em março passado 🙂 Bjs!

  15. Querida Família Power,
    Foi com tristeza que li o texto inicialmente, movida por um egoísmo insensato tão fácil de sentir, mas depressa a tristeza se transformou em compreensão, admiração, e felicidade pela vossa escolha. Admiro muito a vossa determinação, maneira de ser e de viver, de amar e de perdoar, e sei que estão a dar o passo certo para para o vosso movimento evoluir da forma que desejam. É a decisão certa e natural.
    Vou ter mesmo muitas saudades mas continuarei a vir espreitar e a beber daquilo com que me identificar, e a reler também. Pode parecer estúpido mas até estou comovida a escrever esta mensagem com o raio do nariz a fungar e a engolir em seco (deve ser alergia a pêlo de texugo certamente). Aprendi imenso com as vossas partilhas, sobre vocês mas principalmente sobre mim, e pensei muito, sobre muita coisa. Pensar é corajoso, e doloroso por vezes, mas ainda bem que temos essa capacidade. Que continuemos todos a fazê-lo nas nossas vidas, dentro e fora do movimento, inspirados por vocês. Um beijinho muito agradecido com votos de muita saúde e felicidade para si, Teresa, para o Niall, para o Tomás, o Francisco, a Clarinha, o David, a Lúcia, o António, a Sara, o Daniel e os cães e os gatos!
    E se de vez em quando tiver um espacinho para se lembrar de “nós”, que estamos fora mas também dentro, e brindar-nos com um dos seus textos tão bonitos, não o deixe de o fazer. Se puder, claro 🙂 Todo o sucesso!!!

    • Ainda ontem me emocionei também ao pegar no texuguinho de madeira, que está placidamente sentado aos pés de Nossa Senhora. Lembrei-me de toda esta partilha ao longo dos anos, e realmente, deve haver qualquer tipo de alergia a pêlo de texugo, porque as lágrimas bailaram-me nos olhos!
      Sara, esqueceu-se do coelho. Agora também temos um coelhinho, que brinca no jardim com os gatos – mas não com o cão, pois já é o segundo coelho, e não digo o que aconteceu ao primeiro… Aprendemos a lição: se queremos soltar o coelho, prendemos o cão, pois a cadeia alimentar é o que é 🙂
      Bjs e muitas felicidades!!! Ah, eu continuo a escrever…!

  16. Ahahah, que me perdoe o primeiro coelho, mas fartei-me de rir 😁. Tente esfregar o coelho no cão e não o deixe atacar com vocês sempre ao lado a repreender quando for preciso, e a ‘obriga-lo’ a ser amigo dele, para que se habitue ao cheiro e presença, talvez funcione, foi assim que as minhas cadelas pararam de matar os gatos que chegavam a casa…remédio santo, 2x a levar com esfreganço de gato no lombo e dps ficaram os melhores amigos 😇!!!

    • Pois é, Sara, foi o que pensámos, mas carnívoro é carnívoro, e herbívoro é herbívoro. Cão e gato estão no mesmo patamar da cadeia alimentar, podem ser inimigos mas nenhum é superior ao outro. Agora não há como convencer um cão de que um coelho é simplesmente um amigo… Acredite em mim. Não tente 🙂 Por cá, o coelho é uma verdadeira alegria, a juntar a todas as outras!!!
      Ab!

  17. Ao ler este post, veio me à cabeça a música dos Byrds (to Everything There is a Season), cuja letra é retirada do livro do Eclesiastes. Porque o post marca o final de uma época e o início de outra. Porque a vida é assim mesmo. Porque as Famílias de Caná precisam de fortificar para darem (ainda mais) fruto. Desejo as maiores felicidades a todos e cada um de vós em particular, agradeço o vosso testemunho e a vossa entrega, e estou certa de que ainda iremos ouvir falar muito da família Power (para além dos ensinamentos mensais aqui no site).

    • Obrigada, Margarida! É isso mesmo, há um tempo para tudo, e em Fátima, nós entendemos profundamente que o tempo das Famílias de Caná tinha chegado. Vamos a isso! Nós, Jesus!

  18. Querida Teresa,
    Queria agradecer toda a dedicação com que, gratuitamente, nos brindou com lindos textos ao longo de todos estes anos, primeiro no Blog, depois nas Famíliasdecana. Foram, sem dúvida, muito importantes na melhoria da vida de muitos de nós, aproximando as Leituras da Bíblia e a mensagem cristã das vivências da vida familiar, da vida de todos os dias. Faltam testemunhos vivos dessa proximidade da Palavra com a nossa realidade quotidiana, e encontrei aqui uma leitura constante, quase diária, que me influenciou seguramente. Foi aqui que aprendi o “Nós, Jesus!”
    Compreendo a escolha de agora… temos muitas vezes (e eu estou também nessa fase), de escolher o que é fundamental, para que o excesso de atividades ou a dispersão de atenção não nos “roube” tempo para o essencial.
    As vossas vidas tocaram a vida de muita gente, e mesmo que não estejamos todos no vosso movimento, acho que podemos dizer que justificámos as horas despendidas no computador 🙂
    Perdi o meu Pai recentemente, uma pessoa muito especial e muito querida por todos. Ainda hoje, uma amiga confidenciou que não passa um dia sem que recorde o meu Pai… recebi muitos testemunhos assim. Não fazia ideia, e o meu Pai certamente também não, da quantidade de vidas e de pessoas que influenciou, apenas pela sua maneira de ser, pela sua postura e valores, pelo que escreveu (textos e músicas). Com a vossa família sucederá o mesmo… nunca terão a ideia exata do número de pessoas cujas vidas tocaram e influenciaram, até porque, muitas vezes, de forma algo egoísta, lemos e meditámos, mas não comentámos 🙂
    Aqui fica então o meu obrigada, ficando a aguardar os livros! Vou rezar para que a vossa caminhada, longe destes olhares, dê muito fruto.
    Manuela

  19. Tanta falta que vai fazer Teresa…
    Deus vos proteja e abençoe sempre!
    Muito obrigada por tudo! Beijinhos!

  20. Egoista me confesso, vou sentir a vossa falta!
    Não tenho jeito nenhum para escrever, mas obrigada por todas as partilhas!
    Beijinhos

  21. Mónica Moreira

    Cara Teresa,
    Sé agora li este post e não consigo deixar de sentir uma certa tristeza, é como ter um amigo que vai mudar para longe, não deixa de ser nosso amigo, mas já não está lá diariamente para nós. Já sigo a Teresa desde o tempo do Blog “Uma família católica” e apesar de apenas ter comentado apenas uma ou duas vezes, nunca as partilhas da Teresa caíram em saco roto. Posso lhe dizer (e penso que não serei a única), que apesar de não ter aderido ao movimento , foi com as suas partilhas e com os seus testemunhos e os testemunhos das outras famílias de Caná, que eu deixei de ser apenas uma mãe católica e passei a ser mãe de uma família católica. Com a Teresa aprendemos a servir a Deus, enquanto família e não apenas individualmente.
    A Teresa não imagina, certamente, o quanto mudou a nossa vida familiar, o quanto de mudou enquanto catequista, que sou. O meu compromisso, ou a a minha entrega, pode não ser tão intensa como o compromisso das famílias de Caná, mas é certamente adequado às minhas capacidades e à capacidade da nossa família, tendo sempre presente que podemos sempre melhorar e fazer mais um bocadinho ainda. Muito obrigada por tudo o que nem sabe que fez por mim!
    As maiores felicidades para si, para a sua família maravilhosa e para o Movimento, espero que ganhem raízes tão profundas, tão profundas que, quem sabe se não será a geração dos nossos filhos que vai aumentar sobejamente o movimento??
    Beijinhos e claro vá dando notícias aqui no blog!!

    • Obrigada, Mónica! Eu estou convencida de que será mesmo a geração dos nossos filhos a levar o Movimento para a frente, sim! Mas antes disso, há muito trabalho a fazer. E o compromisso não é assim tão exigente como isso… Se ler com atenção o texto do compromisso, verá que, provavelmente, já fará quase tudo o que lá está. O resto, é o tal salto de fé e confiança que o Senhor nos pede que demos, nos Seus braços! 😉 Nós, Jesus!

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