Em Caná da Galileia...


E chegámos ao Algarve!

O dia 16 de dezembro de 2017 ficará para sempre na nossa memória familiar. Nunca, como desta vez, o aniversário natalício do Tomás foi tão especial!

Sábado de manhã, a alegria transbordava cá em casa: vamos ao Algarve! Vivam as férias, viva o sol, viva a praia, vivam as Famílias de Caná! Quem nos ouvisse falar nos dias anteriores, pensaria que efetivamente se tratavam de férias familiares, tal era o nosso entusiasmo. Mas a verdade é que as Famílias de Caná têm um segredo de ouro, traduzido em poucas palavras no seu lema: Tempo de Família, Tempo de Deus. Quando estes “Tempos” se entrelaçam, não há férias que se lhe comparem!

Partimos sábado antes das nove horas, decididos a chegar ao Algarve às duas da tarde. Amanhã vou escrever-vos sobre um pequeno-grande detalhe da nossa viagem (não posso contar tudo de uma vez, não vos parece?). Vai valer a pena espreitar 🙂

Chegámos a Faro, onde fomos recebidos com sol, céu azul e um salão cheio de famílias. Que alegria! A nossa anfitriã, a Patrícia, tratou logo de nos fazer sentir em casa: no palco do salão estava montada uma autêntica sala de estar, com um Presépio lindíssimo, quatro sofás vermelhos e uma mesa com biscoitos e chocolates. “Estejam à vontade”, disse-nos ela. “Preparámos esta salinha para poderem estar no palco como em vossa casa!” Os meninos deliraram. Durante duas horas, experimentaram os sofás de todas as maneiras possíveis e, claro, acabaram com os biscoitos e os chocolates, ao ponto de, no final, alguém me sussurrar, a rir: “Se a Sara hoje não quiser jantar, não insista!”

Como em todos os testemunhos, começámos por cantar. O salão inteiro irrompeu em canto, com mãos no ar, palmas, dança, muita alegria. Que maravilha! Tivemos a nítida perceção de que a maioria das famílias ali presentes tinha o coração disponível para nos acolher e pronto a receber a Palavra.

Durante o nosso testemunho, falei do Tomás, e mencionei o detalhe especial do dia 16: naquele mesmo dia, e àquela mesma hora, o Tomás faria treze anos. Quando chegou o intervalo, a equipa de catequistas que nos tinha convidado não perdeu tempo… No início da segunda parte, ao subimos para o palco para voltar a cantar, todos se levantaram, começaram a cantar os parabéns a plenos pulmões, e um jovem da paróquia avançou ao nosso encontro com um bolo de aniversário. “Para o menino Tomás, uma salva de palmas!” Cantaram todos, enquanto nós procurávamos inutilmente disfarçar as lágrimas. O André, o rapaz do bolo, também fazia anos. E naquele momento, e naquele canto de parabéns, ficámos interiormente unidos numa mesma oração. “O Tomás nunca teve tanta gente a cantar-lhe os parabéns ao mesmo tempo!” Disse eu quando consegui falar. Imaginei a sua alegria no céu, e imaginei-o a piscar-me o olho, brincalhão, como quem diz: “Não sabes que todos os anos eu te preparo uma pequena surpresa no meu aniversário?”

Pelas cinco horas, o nosso testemunho estava terminado. Tínhamos rezado, cantado, dançado, o Francisco tinha feito magia. As dezenas de crianças que nos escutavam com intensa atenção já estavam cansadas, mas não tanto que não pudessem ainda brincar com os nossos filhos. Também os jovens estavam desejosos de estabelecer amizade. “Adorei o vosso testemunho! Podemos continuar a conversar?” Perguntavam ao Francisco e à Clarinha. Não havia pressa: depois deste encontro para todos, chegara a vez de o Niall e eu conversarmos mais calmamente com os catequistas, pelo que os jovens e as crianças puderam conversar e brincar à vontade. Era suposto ser apenas alguns minutos, mas a conversa, franca e natural, continuou por uma bela hora, e se mais tempo houvesse, mais tempo levaria. Queríamos ter a certeza de que a semente lançada em terras do Algarve vai ser alimentada, sachada, regada… Não temos dúvidas de que, da parte da equipa de catequistas, assim sucederá. E deste encontro já nasceram propostas para novas e mais prolongadas missões!

Uma visita à belíssima igreja de S. Luís completou a tarde. Um dos paroquianos quis ainda que visitássemos as instalações da catequese, e ficámos deliciados com a quantidade de salas disponíveis, cada uma com o nome de uma das doze tribos de Israel e bem ilustrada com trabalhos dos meninos. Lindo!

Por fim, fomos para a Casa de Santa Zita, onde as irmãs nos receberam como príncipes e princesas. “Fazes um arroz sem cebola, que eu não gosto de cebola?” Pediu a Sara à irmã que encontrou na cozinha, durante as suas expedições solitárias de exploração à casa, enquanto nós nos instalávamos. “Claro!” Respondeu a irmã com uma gargalhada. E ficaram amigas.

“A nossa casa tem uma capela muito bonita”, sussurrou-nos a irmã Raquel. Que bela surpresa para a nossa oração familiar! Tranquilos, sozinhos em família na bela capela da Obra de Santa Zita, cantámos, rezámos, e a Clarinha e eu conseguimos até concluir um cântico que andávamos a compor e que em breve vos mostraremos. Ficará para sempre com o sabor do Algarve…

De manhã, tínhamos à nossa espera a querida irmã Margarida, uma irmã Salesiana, e a Teresa, catequista, ambas com um sorriso, uma alegria e uma simplicidade contagiantes. Estavam encarregues de nos levar a passear. Sentimo-nos profundamente abençoados com tanta disponibilidade e atenção para connosco. Que manhã magnífica! Nas duas horas livres antes da missa das onze e meia fizemos um passeio que soube a dia inteiro…

Eu tinha prometido aos meninos que não iríamos embora do Algarve sem molhar os pés no mar. Que bem que soube! Brincámos na areia, saltámos para dentro dos barcos, passeámos nas docas, observámos os aviões a levantar voo, e sonhámos com outros voos, voos aqui nas casas das famílias algarvias, que tanto nos encantaram…

Durante o passeio, deparámo-nos com o poster que anunciava a nossa visita na montra de uma livraria. Gargalhada geral: estamos ali, estamos ali!

A missa foi linda, numa paróquia extremamente acolhedora, com um coro belíssimo porque cantava com o coração, e um grupo de acólitos compenetrado a fazer o seu compromisso. Percebemos estar diante de uma comunidade viva e disposta a ir mais longe.

A manhã terminou com o almoço de Natal dos catequistas, na casa diocesana onde também vivem as Irmãs Salesianas. A surpresa final foi precisamente podermos, em terras algarvias, rezar diante da imagem de Nossa Senhora Auxiliadora, como fazemos na nossa terra. Também neste pormenor da viagem encontramos o carinho do Senhor para connosco…

Nossa Senhora Auxiliadora, Mãe de Caná, ensina-nos a fazer tudo o que Jesus nos disser! E permite que regressemos em breve a terras algarvias, para mais e mais missões, pois ficámos apaixonados! Ámen.

3 Comments

  1. Que bonito! Um beijinho!

  2. Patricia Tamissa Gil

    Nós estivemos convosco no Sábado!!! E foi tão bom!!!! Vocês são inspiradores e conseguiram trazer aos nossos corações (e olhos e bocas!!!) lágrimas e gargalhadas!!!! Obrigada pelo V/ testemunho, partilha e exemplo!!!! Que Deus vos abençoe sempre!!! E boas festas!!!

  3. Também estive convosco no sábado e foi muito bom. Pela primeira vez conheci uma família milionária, porque a maneira como vocês vivem e passam isso aos vosso filhos e a todos os que vos rodeiam, é essa a verdadeira riqueza que o mundo precisa. Que bom seria se todos ouvissem o vosso testemunho ….
    Vão ficar para sempre no meu coração. Bjs

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