Em Caná da Galileia...


Entre irmãos

Tanto no quarto dos rapazes, como das raparigas, as portadas das janelas ficam abertas durante a noite. Os meninos habituaram-se a adormecer com a luz das estrelas e com o luar a entrar pela janela, e gostam de acordar com os raios de sol da manhã. Nestas noites primaveris, antes de adormecer, os mais novos gostam de contemplar os pirilampos no jardim, luzeiros minúsculos a saltitar entre as ervas e a transformar os arbustos em autênticas árvores de natal. Há anos que não havia tantos pirilampos nas nossas noites! É, na verdade, um espetáculo magnífico.

Mas não são só os pirilampos que saltitam no jardim durante a noite, tenho vindo a descobrir. Parece que, sem os pais darem conta, alguns meninos também escapam pela janela e vivem intensas, embora curtas, aventuras noturnas! Confidência puxa confidência, percebi que, num destes serões, a Lúcia foi fazer ginástica para o baloiço do jardim, e como o António, que espreitava pirilampos à janela, a descobriu, ficaram depois os dois em amena conversa, ela do lado de fora, ele de dentro, tipo serenata à janela. Enquanto isso, eu devia estar aqui sentada a trabalhar, claro…

Noutra ocasião, e aí estava já eu a dormir a sono solto, foi a vez da Clarinha e da Lúcia escaparem pela janelinha alta do seu quarto, por cima do beliche da Clarinha. Parece que estavam ambas com insónia (tantos dias fechados em casa é no que dá), e nada melhor do que uma dança no pátio à luz das estrelas! Deve ter sido fantástico e muito extenuante, porque segundo me contaram, quando regressaram ao quarto, adormeceram profundamente.

E ainda me perguntam porque é que mantenho o Daniel a dormir no nosso quarto, se ele já fez um ano!… Tem tempo para aventuras noturnas, não vos parece?

Durante, o dia, as aventuras entre irmãos continuam. Às vezes, para relaxar, o Francisco e a Clarinha vão juntos dar um longo passeio de patins. Outras vezes, as meninas saltam à corda ou fazem ginástica.  Os três rapazes jogam basquetebol no pátio. Mas o que o Francisco mais gosta é ajudar o António a explorar a mecânica dos objetos nas suas mais variadas construções, como roldanas e mini-casas na árvore:

Quanto aos mais pequeninos, as brincadeiras são contínuas, só interrompidas pela telescola da Sara:

Ah, como é bom e agradável os irmãos crescerem juntos! (Sl 133, 1)

Quando sei das pequenas e inocentes aventuras dos meus filhos nestas noites de primavera, no jardim da nossa casa, finjo-me sempre zangada, mas um piscar de olhos denuncia a alegria com que recebo as suas confissões. Muito do meu esforço educativo consiste em oferecer-lhes oportunidades para se ajudarem mutuamente e para sentirem prazer na companhia uns dos outros. Se, espontaneamente, eles descobrem a maravilha da fraternidade, como não me hei de alegrar?

É um trabalho contínuo, árduo e belo, o da unidade, na família, na Igreja, na Humanidade…

Quinta-feira é dia de oração e jejum pela Humanidade, a pedido do Papa Francisco. Não nos esqueçamos!

One Comment

  1. É verdade Teresa, este ano, por esses lados, os pirilampos apareceram cedo e em grande número…também íamos para o jardim procura-los à noite nestas semanas de isolamento!!!
    É uma maravilha nascer e crescer numa família numerosa!!! Nós, ainda hoje, já com a idade que temos e sem vivermos todas juntas, fazemos o que as mais pequenas chamam de “aventuras”!! Ahah e agora com a família alargada sempre a aumentar as aventuras tornam-se sempre mais divertidas! 😊
    Ontem ouvia “podia viver convosco para sempre!!!!” e isso é recíproco porque somos fonte de alegria umas para as outras! Os irmãos são um tesouro que Deus nos oferece para a vida toda!
    Dou graças a Deus pelo esforço dos meus pais em também nos terem educado na proximidade e amizade.

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