Em Caná da Galileia...


Gozar a vida

“Tantos? Que susto!” Foi o comentário de alguém, na loja onde eu acabava de revelar algumas fotografias dos meus seis filhos.

“São só seis. Há quem tenha mais!” Respondi, com o meu melhor sorriso.

“Eu só de pensar num já fico com medo…”

“Tem um?”

“Não. Não tenho nenhum por enquanto. Casei há poucos anos, ainda é cedo para mandar vir filhos.”

“Acha?”

“Primeiro quero gozar a vida! Os filhos têm tempo de vir.”

Dei uma gargalhada, e aproveitei para mostrar as fotos que acabava de revelar: “Eu não conheço melhor forma de gozar a vida do que ter um filho. Ah, conheço: ter dois. Ter três… Ter seis! Com seis filhos, gozo a vida que é uma maravilha!”

A conversa terminou com sorrisos e gentilezas. Saí da loja e fiquei a pensar neste conceito de gozar a vida. O que será que as pessoas querem dizer com ele? Porque não há nada que me dê maior prazer na vida do que ver os meus seis filhos a brincar – e brincar com eles -, a nadar no mar, a subir às árvores, a saltar à corda, a conversar à volta da mesa familiar, a contar as histórias do seu dia. Não há nada que me dê maior prazer do que dar um beijo na bochechinha da Sara, pela manhã, ao deixá-la na escolinha; ou contar uma história ao António, que se enrosca a mim na hora do conto, no sofá; ou escutar a Clarinha a tocar as suas canções na guitarra, projetando a voz até ao infinito; ou partilhar uma resposta divertida com o Francisco, quando ele chega a casa de bicicleta…

Nem tudo, na vida familiar com filhos pequenos, é fácil e engraçado. Há momentos em que sentimos vontade de ser engolidos pela terra, ou que a terra engula alguém… Mas são momentos que se dissolvem na alegria generalizada de se ter uma família. Quando, na vida, olhamos para trás, o que ficam são as memórias de gargalhadas, diversão, pequenos episódios que, se na altura foram semi-trágicos – como três filhos pequenos a chorar ao mesmo tempo enquanto o jantar esturra no fogão – agora são cómicos.

Possamos nós, cristãos, ser testemunhas luminosas de que nenhuma criança nascida ou acolhida na nossa casa é um estorvo, antes uma bênção e uma graça! Abramos de vez as portas da nossa casa e da nossa família ao dom da vida, dom que pode chegar em forma de gravidez, mas também em tantas outras formas de serviço à vida e à criança, como o acolhimento, a adoção, o trabalho com as crianças refugiadas. Só temos uma vida para viver.  Não a desperdicemos!  Disse Jesus:

Eu vim para que tenham a vida, e a tenham em abundância. (Jo 10. 10)

Gozemos então plenamente a vida que o Senhor nos deu! Ámen!

One Comment

  1. Rogério Ribeiro

    ” O meu filho faz hoje 30 anos” dizia-me na sexta-feira a cozinheira da empresa onde trabalho.
    Eu perguntei-lhe: então e os filhos quando chegam?
    Ao que ela respondeu: ó, o meu filho agora quer é gozar a vida.
    Gozar a vida? De fato é como a Teresa diz a vida também pode ser gozada com 2, 3 ou 6 filhos ou não fossem as crianças fonte de bênçãos e de alegria para os pais.

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