Em Caná da Galileia...


Mergulho

Um dos nossos passeios favoritos, aqui na Irlanda onde estamos de férias para visitar a família, é a uma praia minúscula, no meio de falésias. Lá em cima, como em todas as falésias irlandesas, pastam placidamente algumas vacas. Mas cá em baixo, a aventura é garantida: as falésias são esplêndidas para mergulhar, tendo o homem construído plataformas e colocado pranchas para o efeito em pontos específicos. O que não impede as pessoas de mergulhar noutros pontos, alguns fazendo quase morrer de susto quem observa!

Os Power portugueses não se atreveram – nem tiveram autorização para tal, claro – a saltar das falésias para a água, mas fartaram-se de saltar das plataformas e das pranchas. Mergulho após mergulho, com frio e com menos frio, com chuva e com sol, experimentaram a tranquilidade das águas irlandesas, transparentes e azuis. E que alegria!

Claro que há quem fique a observar da margem firme…

E também há quem morra de vontade de tentar, mas não tenha coragem:

Durante o mês de julho, o António, com sete anos, fez um curso intensivo de natação. Nós sabíamos, porque tínhamos visto, que ele era capaz de saltar para a água na parte mais funda da piscina, pelo que estávamos confiantes da sua habilidade no mar irlandês. Mas o mar não é uma piscina: mesmo quando está manso, o mar agita a água, faz espuma, rebenta as suas ondas contra as falésias, e ninguém sabe ao certo a sua profundidade ou que rochas existem sob a superfície azul. O António teve muito, muito medo.

Ficámos diante de um impasse: estava muito frio dentro de água e já todos se estavam a vestir para continuarmos o nosso passeio. Mas o António recusava vestir-se antes de mergulhar. Estava quase, quase a começar uma birra a sério, quando a Clarinha, a tremer de frio,  voltou a lançar-se na água à sua frente: “Vens, António? Eu seguro-te!” Finalmente, o António ganhou coragem. E de repente, saltou.

Ena, que grande festa! Claro que este salto não foi o último, nem o penúltimo… Feliz, o António só saiu da água quando o forcei a fazê-lo – por ter os lábios roxos de frio.

Fez-me pensar numa outra cena, dois mil anos atrás… Escutámo-la na missa num destes últimos domingos:

“Se és Tu, Senhor, manda-me ir ter contigo sobre as águas!” Jesus disse: “Vem!” E Pedro, descendo do barco, andou sobre as águas para ir ter com Jesus. (Mt 14, 28-29)

Dizer que temos fé, sem sair do nosso barco, é como dizer que sabemos mergulhar, sem saltar da nossa margem. Se queremos experimentar a verdadeira alegria, precisamos de arriscar. Então descobrimos que, com a nossa mão na mão de Jesus, caminhamos sobre as águas…

O Francisco a caminhar sobre as águas… ou uma fotografia tirada no milésimo de segundo perfeito!

6 Comments

  1. Olá Família Power!
    Uma curiosidade: já tiveram a oportunidade de ir à missa aí? Algumas diferenças a apontar, para além do idioma, é claro 🙂

    Boas férias

  2. Obrigada pela partilha, por momentos senti que estava também a passar férias na Irlanda. Imagino o frio, pois o ano passado também senti lá muito. Continuação de boas férias e bom regresso.

  3. Olá Teresa.
    Ficamos encantados com o seu relato, e a conhecer um pouco do que por ai se vive.

    Boa continuação

  4. E Parabéns à Clarinha por mais esta demonstração de generosidade! Por vezes só saindo da nossa zona de conforto é que conseguimos proporcionar a outros a possibilidade de arriscarem e confiarem em Deus…

    • Que bela comparação, Margarida! É essa a nossa missão, a missão de cada cristão, afinal! Sair da nossa zona de conforto para proporcionar a outros a possibilidade de arriscar e confiar em Deus. Fantástico! Bj

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