Em Caná da Galileia...


Nossa Senhora do Guadalupe, Maria grávida

Dia 12 de dezembro celebrámos a festa de Nossa Senhora do Guadalupe. Fico sempre com lágrimas nos olhos quando leio esta belíssima história aos meus filhos, e no dia 12 não foi exceção. Os pequenos e singelos diálogos entre Maria e o índio Juan Diego são verdadeiramente comoventes. Se Maria, a Mãe, o trata como um pequeno filho, também Juan Diego, de 57 anos, A trata como uma rainha, mas uma rainha jovem, que podia ser sua filha:

“Que se passa, meu filho mais pequeno, aonde vais?” “Minha Menina, a mais pequena das minhas Meninas. Minha Senhora, oxalá estejas contente. Como acordaste de manhã? Estás bem de saúde, Senhora e minha Menina?”

Os meus filhos soltam uma gargalhada. Quanta inocência! E quanta humildade de parte a parte, ambos conscientes do seu nada e do Tudo divino, tratando-se mutuamente como os mais pequenos da Terra, os “pequeninos do Reino” que Jesus veio inaugurar.

No México, há quase quinhentos anos atrás, esta Menina humilde e pequena apareceu no Advento. E por isso, apareceu grávida, ostentando no seu manto os símbolos que o povo nativo facilmente relacionava com a gravidez. Nossa Senhora do Guadalupe é uma das poucas imagens que temos de Maria grávida.

Aproximamo-nos rapidamente da segunda parte do Advento, em que fazemos memória da Primeira Vinda de Jesus, no Natal. Maria está grávida. Jesus está escondido no seu ventre, mas mesmo oculto, é já fonte de santificação e de bênção. E esta bênção chega até aos bebés escondidos nos ventres de suas mães, como aconteceu com João Batista. O Advento é o tempo de espera fecunda, o tempo de gravidez.

Vinde, adoremos o Menino escondido no seio de sua Mãe! Adoremos Jesus antes do seu nascimento em Belém! Adoremo-l’O agora, adoremo-l’O ainda sem O podermos ver, adoremo-l’O ainda sem O podermos ouvir ou tocar. No seio de Maria, Jesus é ainda mais pequeno e mais humilde que sua mãe ou que o santo índio Juan Diego. Ele já está vivo, e já está entre nós, desta forma misteriosa e bela que as mulheres grávidas tão bem conhecem! Ajoelhemos diante de Maria-grávida e adoremos o Senhor!

No Advento, Jesus identifica-se com todos os nascituros e abençoa todos os nascituros, como abençoou João. Advento é, assim, tempo privilegiado de rezarmos por eles. Por todos eles. Por aqueles que são ardentemente desejados, e por aqueles que são violentamente assassinados.

Advento é tempo de fazermos vigílias de oração para que os países tradicionalmente católicos (e todos os outros) deixem de ter medo de dar filhos ao mundo, deixem de fazer da contraceção a norma e das famílias numerosas a exceção.

Advento é tempo de fazermos vigílias de oração para que os países tradicionalmente católicos (e todos os outros) não matem o Natal, não legislem a favor do aborto. Porque assassinar os bebés por nascer é assassinar o Menino Jesus. E onde isso acontece, o Natal morreu.

Tomemos a peito esta intenção de oração neste Advento: em família e nas nossas paróquias, rezemos ardentemente pela vida nascente! Rezemos ao Menino escondido no seio de Maria, que por nós Se fez mórula, zigoto, embrião, feto, bebé, Homem como nós… e adoremo-l’O.

Imagem artesanal que nos foi oferecida na paróquia de Matosinhos. Bem hajam!

Bendita és Tu entre as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre. E donde me é dado que venha ter comigo a Mãe do meu Senhor? Pois logo que chegou aos meus ouvidos a tua saudação, o menino saltou de alegria no meu seio. (Lc 1, 42-44)

One Comment

  1. Também na nossa tradição portuguesa adoramos a Senhora do Ó, invocação que tenho no meu oratório, inspiração e protecção das mães… a morte é sempre deplorável… seja a de criaturas cândidas e inocentes, que tanto nos comovem, como das crianças incómodas, que ainda não nasceram.
    Contudo o Menino nasce sempre, sempre, porque Deus é Misericordioso… que Ele nos ajude a Ser! E que nós sejamos Natal!

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