Em Caná da Galileia...


O dom da Porta Santa

Falta menos de um mês para acabar o Ano Santo da Misericórdia. Quantas graças derramadas sobre a Terra e sobre cada um de nós neste ano, meu Deus! Ao longo de um breve ano, a Igreja deu muitos passos no caminho da Misericórdia, que é a essência de Deus. Abriram-se portas, estenderam-se mãos, rasgaram-se corações. Em Cracóvia, os jovens experimentaram o milagre da Misericórdia, enquanto um pouco por todo o lado, as famílias procuraram caminhos de reconciliação. Refletiu-se, meditou-se, rezou-se a Misericórdia. Redescobriu-se o dom do sacramento da reconciliação. Abriram-se as portas de muitas igrejas, até então sempre fechadas. O vento forte de Deus – o Espírito Santo – soprou sobre a Terra, desmoronou construções milenares, abalou alicerces, espalhou sementes. Não caiamos na tentação de dizer que tudo está na mesma, mesmo que as aparências no lugar onde vivemos a isso nos incitem: não está. O Ano Santo não acontece para que tudo fique na mesma! Deus nunca tal permitiria. Jesus ensinou-nos a discernir os sinais dos tempos e quer de nós esta atenção às moções de Deus na História.

Mas naturalmente que o Ano Santo só soprará dentro de mim se eu abrir, na casa do meu coração, uma Porta Santa… Jesus passa aqui tão perto, agitando a praça, atraindo as multidões – mas se eu não Lhe abrir a porta, a sua passagem perto de mim será em vão.

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Conversando com as pessoas nos diversos locais por onde temos andado, chegamos à conclusão que a maioria dos cristãos ainda não fez uma peregrinação à Porta Santa mais perto de si. Pela primeira vez na História, o Papa abriu Portas Santas em todas as dioceses do mundo! Pela primeira vez na História, não é preciso ir a Roma para receber a indulgência do Ano Santo! A Porta Santa está perto de nós, talvez até na nossa terra – e muitos ainda não a transpuseram com o espírito contrito, com o coração humilde e lavado, com gestos de misericórdia.

“Passar por uma porta para receber o céu? Que sentido faz isso?” Perguntam muitos. Podíamos responder com mais perguntas: “Molhar a cabeça de um bebé para que se torne filho de Deus? Comer um pedaço de pão para entrarmos em comunhão com Jesus? Ser ungido com óleo para sermos suas testemunhas? Escutarmos a absolvição de um sacerdote para que os nossos pecados sejam perdoados? Fazer o sinal da cruz com as nossas mãos para que a bênção de Deus recaia sobre nós?” Se nos detivermos um bocadinho a pensar, o gesto que nos é pedido não é muito diferente de todos os outros gestos da nossa fé, inclusive dos gestos sacramentais. Deus é assim: Ele tem um gosto particular pelos gestos simples, evidentes, humildes. Deus não é “erudito”, porque a revelação foi feita aos pequeninos e vedada aos que se julgam sábios. Assim nos disse Jesus:

Eu Te bendigo, ó Pai, Senhor do Céu e da Terra, porque escondeste estas coisas aos sábios e entendidos e as revelaste aos pequeninos. (Lc 10, 21)

No domingo à noite, depois da peregrinação salesiana ao Santuário de Mogofores, já de volta a casa, ajoelhamo-nos no Canto de Oração Familiar. O dia foi todo de intensa oração, mas falta uma coisa:

“Meninos, se estiverem todos de acordo, vamos oferecer a nossa indulgência…”

“Sim, mãe, já fizemos tantas peregrinações à Porta Santa, em que recebemos a indulgência para nós! Podemos oferecer esta pelas almas do purgatório!”

“É isso mesmo, Clarinha…”

“Fazemos como a Jacinta!” Acrescenta a Lúcia rapidamente.

A leitura das Memórias da Irmã Lúcia, que terminámos há poucos dias, continua muito viva nas suas mentes.

“Sim, fazemos como a Jacinta. Oferecemos… Rezem comigo: Senhor, bendito sejas por nos abrires de par em par a Porta Santa da tua Misericórdia. Queremos oferecer a indulgência que o teu amor nos oferece pelas almas do purgatório que foram da nossa família e mais precisam da nossa oração. E agora, rezamos juntos três Avé-Marias pelas intenções do Santo Padre, porque a nossa oração deve chegar ao Céu em união com a oração de toda a Igreja.”

“Avé Maria!”

As velas brilham no escuro, iluminando a noite e os nossos corações. O dia foi intenso… O Ano Santo faz transbordar a nossa vida em ação de graças. Nunca agradeceremos a Deus o suficiente o dom que fez à sua Igreja…

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