Em Caná da Galileia...


O meu próximo e os seus fardos

Uma das coisas mais bonitas do nosso Acampamento foi o cuidado que cada um teve com cada outro, e isto deste o primeiro instante:

É preciso ajudar alguém a montar uma tenda – ou, especialmente, a desmontar, que segundo parece, é bem mais difícil? Há vários braços a querer ajudar. É preciso carregar um bebé, enquanto os pais se ocupam dos outros filhos? Não faltam ofertas! É preciso dar uma sopa, mudar uma fralda, acalmar um choro? Vamos a isso!  É preciso lavar as casas-de-banho, a churrasqueira, as mesas de piquenique? Todos ajudam. Uma família de cinco pessoas está demasiado apertada na sua tenda pequenina? Logo ali ao lado, há uma família também de cinco pessoas com espaço livre, que de imediato recebe duas novas pequenas inquilinas. A subida de bicicleta ao Bussaco é exigente? Com as brincadeiras de incentivo uns dos outros, tudo se consegue.

Uma das frases mais bonitas de S. Paulo é esta:

Carregai os fardos uns dos outros e assim cumprireis a Lei de Cristo. (Gl 6, 2)

Se por “fardo” também quisermos significar um bebé de colo, quando se sobe uma montanha, então a Palavra cumpriu-se à letra. Ora reparem nesta partilha de “fardos”:

O João Teles com o Xavier LeBlanc às cavalitas:

A Olívia Batista a conversar animadamente com a Miriam Almeida:

O Niall com o Inácio Santos no marsupial…

… e com o António Santos às cavalitas:

Porque há alguns pais que têm vários “fardos” quase, quase do mesmo tamanho, e sabe bem um pouco de ajuda. Ora vejam a foto:

Só esta alegre partilha torna possível os sorrisos depois de dezassete quilómetros de bicicleta, sendo que os últimos sete são sempre a subir:

Ou estes sorrisos, depois de conseguirem fazer a Via Sacra completa, de um avô de oitenta anos e a sua filha:

A alegria, de facto, é fruto da bondade e da generosidade. Nós só recebemos aquilo que damos. Não se vem para um Retiro ou Acampamento de Caná como quem vai a um hotel, espera ser bem servido e se prepara para pagar o preço justo; vem-se para um Retiro ou Acampamento de Caná com os olhos abertos e o coração atento: onde está o meu próximo? Que fardos ele carrega? Onde posso servir? O que tenho eu para dar? E logo de imediato começamos a receber em abundância. É talvez por isso que gostamos tanto dos nossos piqueniques – nós que vivemos em clima de Bodas -, em que cada um dá do melhor que possui, e chega sempre para todos…

Eu ficaria muito triste se as Famílias de Caná se preocupassem apenas com os seus “fardos”, mesmo aquelas que os têm bem pesados. Porque a Palavra de Jesus empurra-nos para fora de nós e dos nossos, para fora das fronteiras da Igreja, para todos as periferias do mundo. É vocação específica dos leigos estarem inseridos no mundo, serem fermento no meio da massa. Para que serve o fermento senão para ser misturado, e bem misturado, na massa? Ser cristão é fazer-se próximo de todos, em especial dos que mais sofrem, dos que estão caídos à beira da “estrada de Jericó”, como nos ensina a parábola do Bom Samaritano. Cuidemos das suas feridas e carreguemos os seus fardos.

E para que nunca o esqueçamos, deixo-vos com a parte final do vídeo, feito durante o Serão Bíblico (dele falaremos noutro post!), sobre esta mesma parábola. Foi a escolha da Família Power & Companhia Lda 🙂

2 Comments

  1. Não posso deixar de comentar este post belíssimo!
    Logo com a primeira frase fizeste-me lembrar as minhas peregrinaçoes a pé a Trier com a irmandade de São Matias. As situaçoes são diferentes mas o espírito é o mesmo. Não levamos crianças pequenas (acho que o mínimo de idade é 8-10 anos), mas temos vários “jovens”, dos 16 aos 70-80 anos.
    Alguns vão em família – pais e filhos ou até 3 geraçoes juntas – e como a irmandande já existe há algumas décadas, as novas geraçoes vão tomando o testemunho daqueles que já não podem ou já foram para o Pai. Outros vão sózinhos. Muitos vão há vários anos e já se conhecem uns aos outros. Outros vão pela primeira vez e não conhecem quase ninguém, excepto a pessoa que os “cativou”.
    Mas isso não interessa: desde o primeiro instante há um espírito de grupo fora de série. Também nas peregrinaçoes uma das coisas mais bonitas é o cuidado que cada um tem com cada outro, e isto deste o primeiro instante.
    Tens uma bolha no pé e não tens pensos rápidos? Há logo um irmão que te dá um dos dele.
    O sol queima e não tens protector solar? Há logo um irmão que te dá o dele.
    Tens problemas a subir ou a descer encostas íngremes e não tens bastoes de caminhada? Há logo um irmão que te empresta os seus.
    Estás sedento e a tua garrafa de água está vazia? Há logo um irmão que te oferece a dele.
    E tudo isto sem ser preciso pedir! Porque também os irmãos peregrinos vêm para uma peregrinação “com os olhos abertos e o coração atento: onde está o meu próximo? Que fardos ele carrega? Onde posso servir? O que tenho eu para dar?”
    Para mim isto faz-me muita confusão porque no meu dia-a-dia isto não acontece.

    A família Power, com o blog e agora com o site das Famílias de Caná, mudou a minha vida: “Este teu irmão estava morto e reviveu, estava perdido e foi achado” (Lc 15,32).
    Que Deus permita que continueis a receber em abundância, pois é muito aquilo que me dais.

  2. Foi muito giro o acampamento, não só pela companhia mas também pelos espetáculos. Foram umas noites muito bonitas e muito divertidas. Eu adorei o acampamento e gostava de repetir…..😘😘😘😘😊😊

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