Em Caná da Galileia...


Preparando o batismo

Ontem, finalmente, decidi-me a fazer as malas para a maternidade, para que esteja tudo a postos quando, de um momento para o outro, tiver de “voar” até lá. Afinal, já estou de 36 semanas! Entretanto, também já lavei o bercinho e a cadeira do carro, e já tomei uma série de outras decisões.

Mas no meio de tantas preparações, há uma que é absolutamente essencial: a preparação do batismo do Daniel. É uma preparação que não pode ser adiada, tendo de ser feita durante o tempo de gravidez, pois a Igreja pede-nos que tenhamos pressa em batizar os nossos filhos e o façamos nas suas primeiras semanas de vida.

É que o batismo, diz o Catecismo e repete incansavelmente o Papa Francisco, não é um ato social nem um gesto simbólico. O batismo mergulha-nos no Sangue redentor de Jesus, o mesmo Sangue derramado na Cruz, que nos abriu as portas do Céu e nos fez filhos de Deus. Diz S. Paulo:

Como iríamos nós, que morremos para o pecado, viver ainda nele? Ou ignorais que todos nós, que fomos batizados em Cristo Jesus, fomos batizados na sua morte? Pelo batismo fomos pois sepultados com Ele na morte, para que, tal como Cristo foi ressuscitado de entre os mortos pela glória do Pai, também nós caminhemos numa vida nova. (Rm 6, 2-4)

Não há, portanto, muito de romântico neste sacramento! É antes um acontecimento profundamente dramático, que nos mantém a respiração suspensa, como acontece com qualquer salvamento a que possamos assistir, quer se trate dos tripulantes de um navio naufragado, de um banhista nas nossas praias de verão, ou de um caminhante na montanha surpreendido por um nevão. Espontaneamente, terminado o salvamento aplaudimos e expressamos a nossa alegria, fazendo festa. Sim, quantas razões para festejar!

Mantemos a respiração suspensa, no momento dramático em que a água escorre sobre a cabecinha nua dos nossos bebés? Damo-nos conta do milagre que ali acontece? Apercebemo-nos de que a tatuagem do pecado original, ferindo de morte os nossos filhos, é naquele momento totalmente removida, queimada pelo fogo de um amor maior?

Esta pressa em batizar um filho não significa que, morrendo um bebé sem batismo, não alcance o Céu. O batismo não é um sacramento para a morte, mas para a vida. Adiar o batismo é adiar a graça vivificante, a graça que nos santifica e nos auxilia durante a nossa peregrinação terrena. E o salvamento a que nos referimos não é tanto o salvamento da condenação eterna, mas das garras perigosas do mundo que, como um polvo gigante, nos procura atacar de todos os lados. Como não havemos de ter pressa em ver os nossos filhos assim protegidos e amparados desde os primeiros dias das suas vidas?

O nosso Deus faz questão em esconder os seus milagres por detrás dos gestos mais humildes. É com verdadeiro prazer que Ele escolhe os simples para confundir os soberbos, ou que Se submete à palavra e aos gestos dos seus sacerdotes ordenados para perdoar os pecados e para Se fazer presente nos mais humildes dos alimentos, o pão e o vinho. Assim também com o batismo. Que vemos nós de extraordinário? Uma criança, um pouco de óleo, um jarro de água, um vestido todo branco. E o milagre acontece, e a criança é salva, e a eternidade começa ali mesmo.

Os padrinhos do Daniel estão escolhidos: são o Francisco e a Clara, seus irmãos mais velhos. A data do batismo também está escolhida: será o dia de Natal, a Eucaristia paroquial em que há anos participamos todos juntos, em família. No dia em que Jesus nasce para nós, o Daniel nascerá para Jesus.

Também já temos alguns objetos preparados: temos uma bilha de barro para transportar a água que irá ser abençoada naquela manhã sagrada, a mesma bilha que, no nosso Canto de Oração Familiar, sustenta os símbolos da misericórdia divina: os três cravos, a fita branca simbolizando a água, a fita vermelha simbolizando o sangue:

Temos uma concha grande e bela para derramar a água abençoada sobre a cabeça do Daniel, uma concha apanhada nas nossas manhãs de praia, essas manhãs que constituem a coroa do nosso Tempo de Família. Não precisaremos de toalha para enxugar a cabecinha húmida do Daniel, pois fá-lo-emos com as nossas mãos, as mãos dos pais e de cada irmão, partilhando assim com o Daniel a água abençoada que o salva e que já nos salvou também.

E temos a vela, escolhida e comprada pelo Francisco, símbolo da Luz que o batismo acenderá na alma e na vida do irmão.

Por fim, também a Veste Branca está pronta. Mas sobre ela e a sua história – surpresa! – falarei num próximo post

 

 

3 Comments

  1. Este post tem uma beleza sem fim. Grata, Teresinha!
    Beijo para todos.

  2. Abençoado Daniel e abençoada família do Daniel!

  3. Que tudo aconteça como desejam, e conforme a vontade do Deus da vida e do amor…

    E como se diz, uma hora pequenina :))
    (eu digo, um quarto de hora, vá)

    Abraços.

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