Em Caná da Galileia...


Rainha-mãe

Hoje é o dia mais belo de Nossa Senhora de Lurdes. A história de Lurdes sempre me comove, quando nela medito. Que tesouro de humildade! A humildade de Bernardette, mas ainda mais, a humildade da Rainha do Céu, que se deixa ver e escutar por uma pobrezinha.

Porque andamos a ler as histórias de Salomão, porque me delicio com as histórias da Bíblia, e porque gosto muito também de partilhar convosco as minhas pequenas e preciosas descobertas (apesar da escassez de comentários da vossa parte :), vou falar-vos hoje de um pequeno trecho do Livro dos Reis, que infelizmente não surge nas leituras da missa diária, ou já o teríamos escutado.

Pela lei da primogenitura, Salomão não devia ser rei, pois não era o mais velho. No entanto, sua mãe, Betsabé (sim, aquela com quem David cometeu adultério), intercedeu por ele junto do rei David e obteve a promessa de que o seu sucessor seria Salomão. É fácil imaginar a gratidão de Salomão para com a sua mãe! No seu coração sábio, Salomão de imediato decidiu nada lhe recusar.

Pouco tempo depois, e sentindo este afeto de Salomão por Betsabé, o irmão mais velho de Salomão (filho de outra mulher, naturalmente) dirige-se a Betsabé, pedindo-lhe que interceda junto do filho para lhe obter determinado favor.

“Betsabé foi, pois, ter com o rei para falar-lhe em favor de Adonias. O rei levantou-se para ir-lhe ao encontro, fez-lhe uma profunda reverência e sentou-se no trono. Mandou colocar um trono para a sua mãe, e ela sentou-se à sua direita” (1Rs2, 19)

Soa-vos familiar? Um trono à direita do Rei, para a Rainha-Mãe? Esta é a primeira vez, na Bíblia, em que a rainha-mãe é mencionada. Mas não será a última: a partir deste momento, as Escrituras vão apresentar o nome de cada rei da dinastia davídica ao lado do nome da rainha-mãe.

Sentar a mãe à direita do rei é, de facto, uma bela ideia numa sociedade ainda poligâmica, pois evita o ciúme entre as várias esposas legítimas, não sendo necessário escolher entre nenhuma. O nome da mãe ao lado do do rei também ajuda a estabelecer a sua genealogia, porque embora o pai fosse o mesmo, as mães podiam ser diferentes, e nem sempre o novo rei era o filho mais velho, ou o filho da primeira mulher.

Porque o Autor do Antigo Testamento é o mesmo que do Novo, eu estou profundamente convencida de que tudo isto foi propositado. Se David e Salomão, apesar de todo o seu pecado, pre-figuram Jesus, Betsabé e todas as outras rainhas-mãe, apesar do seu pecado, pre-figuram Maria.

Como é que Deus Se deixa pre-figurar por gente tão pecadora? Como é que Deus continua a agir no mundo através de gente tão pecadora, como tu e eu? Porque na verdade, Deus não trabalha senão com pecadores. E no entanto, que grande trabalho consegue fazer!

Para mim, que estou relativamente bem acostumada ao sentido de humor de Deus, é fácil imaginar uma divina “piscadela de olhos” de Deus a Maria, no dia da sua entrada triunfante no Reino dos Céus: “Vês, querida Rainha? Desde sempre que reservei aqui um trono para Ti…”

Querida Rainha-Mãe, a quem Deus nada recusa, rogai por nós!

 

10 Comments

  1. Que maravilha!
    Fico sempre maravilhado com as suas reflexões Teresa. Que graça poder aprender a refletir as Escrituras consigo e com a sua família, mas sobretudo aprender a ‘ler’ a nossa realidade do dia-a-dia, da nossa humanidade à luz das Sagradas Escrituras.
    Sem dúvida que representam um alento para minha(nossa) caminhada rumo à Santidade! Sim, porque parece que é mesmo possível, apesar de pecadores e de tantas vezes tropeçarmos nas tentações mundanas que nos afastam do Senhor.
    Bem-haja pelos seus testemunhos e reflexões tão belas.

    PS: Apesar dos poucos comentários, não desanime e continue a partilhar connosco estes verdadeiros ‘ensinamentos’

    • 😂😂😂😂 já me ri o suficiente!!!
      Concordo com o Niall mas também compreendo a Teresa. Ah Teresa….! mas que exigem reflexão, lá isso exigem….e que não é fácil de ter algo para comentar, lá isso também não é mentira. 😉
      Vamos melhorando…com a sua persistência também!

  2. Hi Teresa,
    Daqui é o teu querido marido. Só uma nota fora da caixa, se não te importas. Vi que os teus posts têm uma média de 600 visitantes diários (e muito mais visualizações), para não falar dos “likes” e partilhas nas redes sociais que estão à vista de todos. Se as pessoas não comentam se calhar é porque não têm tempo ( a maioria das visualizações acontece a hora do almoço) ou não querem porque não sabem o que dizer, afinal o que escreves precisa de uma certa reflexão (que demora) ou então não têm essa disposição natural para expor as suas ideias por escrito (que é o meu caso, por exemplo). Continua, minha querida, com este teu apostolado. Eu trato da loiça, não custa nada! Combinado?

    • Combinado! Ah, e já agora, podes aspirar a casa ao serão e lavar a roupa duas vezes por dia. Que tal? 🙂
      Sim, queridíssimo marido, eu sei que às vezes desanimo um pouquinho, mas logo passa. E não deixo de sonhar que, pouco a pouco, mesmo os que leem à pressa à hora do almoço possam dedicar dois minutos, ao serão, a fazer um pequeno comentário. Não se trata de concordar ou discordar (gosto pouco que se vá por aí), mas de acrescentar, refletir em conjunto, exemplificar, testemunhar, como já vários o fazem e bem. Porque assim, criamos comunidade e crescemos uns com os outros!
      Vou deixar então a louça para ti e trabalhar aqui um pouquinho (aproveitando ser quarta-feira e só ter aulas de manhã), antes da “recolha” das nossas “crias” às três e meia 🙂 Bj

  3. Licínia Maria

    Pois é, Teresa, o teu marido está certíssimo: muitos te visitam, leem e meditam. Mas a falta de comentários não tem a ver certamente com falta de vontade!!!
    Quando inicio as leituras, empurra-me ingenuamente a certeza que vou comentar mas… ela esvanece-se. Digamos que estou a aprender, a aprender apenas e ainda pois não é fácil comentar. Por enquanto, tenta ver os silêncios como “Muito Bom”. Caminhamos nas tuas palavras e agimos pensando nelas. Não é ótimo?
    Um beijo

  4. Catarina Silva

    Teresa,
    O seu marido tem razão! Não é fácil comentar, e olhe que eu quando tenho duvidas pergunto! Não quero ficar com duvidas 🙂
    Portanto, da minha parte, se não comento é porque das duas uma:
    Ou estou ainda a “digerir tudo” e não me sinto em condições de comentar (a mais frequente);
    Ou consigo comentar, mas não tenho tempo nem jeito para elaborar o comentário por escrito.
    O que eu espero e peço a Deus quando não comento, é que Ele permita que o Espírito Santo lhe faça chegar ao coração o meu comentário e sobretudo a minha gratidão. Para que não deixe de me proporcionar estas aulas absolutamente maravilhosas de catequese, que me têm permitido ultrapassar tantas dificuldades e, acima de tudo, clarificado a mente e o coração, ajudando-me a escolher o caminho a seguir!
    Peço também a Deus que o seu marido Niall não perca o animo para as tarefas domesticas, pois bem sei como elas nos roubam tempo para outras coisas. Nem o animo, nem o bom humor que lhe é característico, pois já percebi que o bom humor é a lufada de ar fresco que nos liberta do ar tóxico!
    Obrigada Teresa!
    Obrigada Niall!

    PS – Niall, talvez seja interessante a realização de uns workshop, para ensinar outros maridos a lidar com a loiça e com as tarefas domésticas assim no geral, não? Isso é que era! 🙂

    • O Niall é perfeito a realizar todas as tarefas, desde cozinhados fantásticos, a uma lavagem da louça em três tempos, graças a anos de experiência a lavar louça no McDonald’s, em estudante. Ninguém lava as casas-de-banho como ele! Quando lhes põe as mãos, ficam a cheirar a lixívia durante uma semana 🙂 Só há uma coisa que ele não faz, nem eu lhe peço, porque já percebi que não resulta: encher a máquina da roupa e estendê-la. Eu sei que, com um pouco de prática, também aprenderia isso, mas já tive várias máquinas a sair todas cor-de-rosa, ou todas arroxeadas, e pronto, como ele também não pode fazer tudo, fica isto para mim 🙂 Bj!

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