Em Caná da Galileia...


Vamos abrir os guarda-chuvas!

Não há som mais bonito a acordar alguém durante a noite que o som da chuva a tilintar no telhado! Aí vem ela! Mas todos sabemos que não basta chover uma noite. E por isso, não vamos baixar a guarda…

Há uns tempos atrás, D. Manuel Clemente pediu que se fizessem orações pela chuva, inclusive na missa. Agora foi a vez do nosso bispo, D. António Moiteiro:

Peço a todos os sacerdotes que introduzam em todas as Eucaristias na nossa Diocese de Aveiro uma prece na Oração dos Fiéis a pedir o dom da chuva e rezem a oração feita pelo Beato Paulo VI.

Temos pedido ao Senhor que nos envie a água do céu?

Nestes últimos dias do ano litúrgico, os textos do Evangelho trazem-nos alguns dos ensinamentos de Jesus sobre a oração de súplica. É preciso pedir, pedir, pedir sem desfalecer, diz Nosso Senhor. E num destes dias vimos como o cego à entrada de Jericó gritou até Jesus o ouvir. Será que gritamos o suficiente? Será que, como o cego, acreditamos que Jesus tem poder para tudo? Contaram-me que um dia, numa aldeia, a população e o seu pároco se reuniram em procissão a pedir a chuva. Antes de iniciar a procissão, o sacerdote olhou para a multidão e comentou: “Viemos aqui para pedir ao Senhor a chuva e o fim desta terrível seca. Mas permitam-me que vos pergunte: por que não trouxeram os vossos guarda-chuvas?”

A chuva não cai do céu por decreto, por vontade política, por decisão do governo. A chuva cai quando Deus quiser. Sabemos, claro, que a origem das catástrofes naturais é o nosso pecado, como explica S. Paulo:

Até a Criação se encontra em expetativa ansiosa, aguardando a revelação dos filhos de Deus. De facto, a Criação fui sujeita à destruição – não voluntariamente, mas por disposição daquele que a sujeitou – na esperança de que também ela será libertada da escravidão da corrupção, para alcançar a liberdade na glória dos filhos de Deus. Bem sabemos como toda a Criação geme e sofre as dores de parto até ao presente. (Rm 8, 19-22)

Quando nos santificamos, estamos também a santificar toda a Criação. Ser santo é, na verdade, o melhor contributo que podemos dar à humanidade! Enquanto trabalhamos pela mudança de mentalidades, hábitos e causas das catástrofes naturais, não abandonemos a única arma que, de momento, nos resta: a oração.

Ontem, na nossa oração familiar, rezámos, como pediu o nosso bispo, a oração que o beato Paulo VI compôs numa altura de grave seca na Europa. É verdadeiramente bela! Rezem-na connosco:

Deus, nosso Pai, Senhor do Céu e da Terra (Mt 11, 21), Tu és para nós existência, energia e vida (Act 17, 2). Criaste o homem à Tua imagem (Gn 1, 27-28) a fim de que com o seu trabalho ele faça frutificar as riquezas da terra colaborando assim na Tua criação. Temos consciência da nossa miséria e fraqueza: nada podemos fazer sem Ti (Jo 15, 5).

Tu, Pai bondoso, que sobre todos fazes brilhar o sol (Mt 5, 45) e fazes cair a chuva, tem compaixão de todos os que sofrem duramente pela seca que nos ameaça nestes dias.

Escuta com bondade as orações que Te são dirigidas com confiança pela Tua Igreja (Lc 4, 25), como satisfizeste súplicas do profeta Elias (1Rs 17, 1) que intercedia em favor do Teu povo (Tgo 5, 17-18).

Faz cair do céu sobre a terra árida a chuva desejada a fim de que renasçam os frutos (Tg 5, 18) e sejam salvos homens e animais (Sl 35, 7).

Que a chuva seja para nós o sinal da Tua graça e da Tua bênção: assim, reconfortados pela Tua misericórdia (cf. Is 55, 10-11), dar-te-emos graças por todos os dons da terra e do céu, com os quais o Teu Espírito satisfaz a nossa sede (Jo 7, 37-38).

Por Jesus Cristo, Teu Filho, que nos revelou o Teu amor, fonte de água viva, que brota para a vida eterna (Jo 4, 14). Amen.

Ah, e se temos confiança em Deus, da próxima vez que sairmos à rua não nos esqueçamos de levar os nossos guarda-chuvas, porque se todos rezarmos com fé, ela vem aí forte, sim…

One Comment

  1. Helena Barros Le Blanc

    E choveu!

    Bjs

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