Em Caná da Galileia...


S. Paulo e a unidade dos cristãos

Hoje é a Festa da Conversão de S. Paulo. Sim, aquele que caiu do cavalo a caminho de Damasco, onde ia prender cristãos… Aquele a quem Jesus apareceu num relâmpago e lhe disse:

“Saulo, Saulo, por que me persegues? (At 9, 4)

 

Hoje é também o último dia do Oitavário de orações pela unidade dos cristãos. Têm rezado? A oração pela unidade dos cristãos foi central na vida de Jesus – leiam o capítulo 17 de S. João – e há de ser na nossa também:

Que todos sejam um como Tu, Pai, estás em Mim e Eu em Ti, para que eles estejam em Nós, e o mundo creia que Tu Me enviaste. (Jo 17, 21)

 

Não terá sido fácil, para Pedro e os demais apóstolos, aceitar Paulo. E não apenas por Paulo ter sido um feroz perseguidor de cristãos. A razão principal terá sido outra: Pedro, João, Tiago, André e os restantes comeram e beberam com Jesus, viram os seus milagres, escutaram a sua Palavra, contemplaram os seus gestos, rezaram com Ele e testemunharam a sua oração. De onde surge Paulo? Por que não lhes teria Jesus falado em Paulo enquanto estava com eles, se tinha intenções de chamar o Apóstolo desta forma milagrosa? Como se atrevia Paulo a falar em nome de Jesus, Paulo que não comera nem bebera com Ele, que não testemunhara os seus milagres nem a sua cruz? De onde lhe vinha a sua sabedoria? Quem era ele para batizar, pregar, converter?

Deus tem destas coisas, e quando nos acostumamos à sua forma de agir, deixamos de estranhar. O que Ele fez com Pedro e Paulo, continua a fazer até aos nossos dias, desafiando-nos a construir a unidade no meio da diversidade dos seus chamamentos e dos seus dons. Porque a grandeza de Paulo não está tanto em ter anunciado o que Jesus lhe revelou de forma sobrenatural, mas sim em ter submetido a sua revelação à Igreja, representada por Pedro, com perfeita obediência. Escutávamos no domingo:

Exorto-vos, irmãos, em nome de Nosso Senhor Jesus Cristo: Estai de acordo no que falais, e não haja divisões entre vós; antes, sede bem unidos no mesmo pensar e no mesmo sentir. Digo isto, irmãos, porque soube que há discórdias entre vós. Refiro-me ao facto de cada um de vós dizer: “Eu sou de Paulo”, “Eu de Apolo”, “Eu de Cefas”, “Eu de Cristo”. Estará Cristo dividido? Acaso Paulo foi crucificado por vós, ou fostes batizados em nome de Paulo? (1Cor 1, 10-13)

A Igreja de Cristo, de facto, que Deus sonhara Una, Santa, Católica e Apostólica, está dividida, hoje, não em dois, não em três, não em seis, mas em milhares de estilhaços. Quantas seitas e igrejas em nome de Jesus! Não admira, portanto, que o mundo ainda não creia. Segundo o próprio Senhor, na sua oração pela unidade, esta será o sinal que fará o mundo acreditar.

Como é nas nossas paróquias? Contribuímos para a unidade entre os paroquianos e o pároco, entre os diversos movimentos, entre consagrados e leigos?

Alguma vez rezámos com irmãos de outras confissões cristãs? Fazemos deles amigos e companheiros de fé? Sei que alguns visitam este sítio de vez em quando, e que muitos visitavam o blogue Uma Família Católica. Eu também visito vários blogues evangélicos, com grande proveito para a minha alma!

E nas nossas casas? Sabemos construir a unidade? No meio dos inúmeros afazeres de cada um, da diversidade de atividades, talentos e trabalhos, da disparidade de horários, sabemos encontrar tempo para a unidade?

Que todas as noites, o nosso horário nobre seja para construir a unidade. A unidade que só a oração pode trazer. A unidade entre marido e mulher, irmãos e irmãs, pais e filhos. A unidade entre Deus e cada um de nós. A unidade. Nós, Jesus… Ámen!

 

 

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