Em Caná da Galileia...


Ser santo é fácil

“Ajude-me a ser santo.” Assim escreveu o pequeno Domingos Sávio num papelinho, que entregou a D. Bosco. D. Bosco leu, sorriu, chamou-o junto de si e disse-lhe:

“Domingos, ser santo é fácil: basta que estejas sempre alegre, que cumpras os teus deveres, que faças sempre o bem e não descures a oração.”

Domingos ficou tão entusiasmado com aquele “ser santo é fácil”, que se tornou santo. Um grande santo. À semelhança do seu mestre, que amanhã celebramos.

Nos últimos fins-de-semana, tivemos aqui no Canto de Caná dois encontros com algumas Famílias de Caná: o primeiro, com as Famílias de Caná da nossa Aldeia; o segundo, com algumas “famílias-chave” na difusão do Movimento, nos lugares onde se encontram. Desde o verão que temos tido outros encontros, aqui no Canto de Caná, com outras famílias de vários pontos do país, que vêm para nos conhecer, para aprofundar o seu compromisso bebendo na fonte, ou para, como dizia no domingo o Rogério, “ver se o que nós dizemos corresponde ao que nós fazemos.” Palavras sem obras não valem de nada.

Ser santo é fácil? Nestes encontros que vamos tendo, as famílias têm partilhado todas as dificuldades inerentes ao nosso compromisso. Algumas estão desanimadas. Outras dizem-nos: “Neste momento das nossas vidas, se não fosse o compromisso de Família de Caná talvez a nossa família já não existisse.” Umas falam da dificuldade em reunir a família para a oração, outras falam da dificuldade em educar para a virtude.

Ser santo é fácil?

Domingos Sávio e Dom Bosco não disseram que viver é fácil. A vida de ambos foi bastante difícil. A vida de hoje é bastante difícil para algumas famílias também. Domingos e Dom Bosco falavam de santidade. Porque ser santo é uma forma de estar na vida, uma forma de fazer o caminho mais ou menos difícil que nos é oferecido.

Ser santo é fácil?

O nosso compromisso de Famílias de Caná é, segundo nos dizem, muito exigente. Uma coisa é fazer um compromisso pessoal de vida de oração e sacramentos, de serviço ao próximo e de aprofundamento da fé. Outra, bem diferente, é fazer um compromisso familiar, “arrastando” consigo uma família inteira. Para algumas famílias, sobretudo para aquelas que começaram a viver o seu compromisso no início ou quase da sua vida familiar, torna-se natural viver assim. Para as que começaram mais tarde, já com filhos adolescentes, torna-se mais difícil. E quando o ambiente que nos rodeia é contrário a esta forma de vida, tudo se complica.

Mas nós continuamos a insistir que não há nada de extraordinariamente difícil neste compromisso. Vivemo-lo há muitos anos e nenhum dos nossos filhos alguma vez o achou inatingível. Para todos cá em casa, esta é a nossa forma de estar na vida, quando a vida é fácil e quando a vida é difícil.

Ser santo é fácil?

Teresa, porque insistes na pergunta?

Porque eu estou convencida de que Dom Bosco tinha razão. Porque eu conheço famílias santas no nosso Movimento, e não tenho a mais pequena dúvida sobre a sua santidade, naturalmente em construção. Porque eu quero que esta santidade irradie, pois como dizia o Evangelho num destes últimos dias,

ninguém acende uma lâmpada para a colocar debaixo da mesa, antes a coloca sobre o candelabro para que ilumine a casa inteira. (Mc 4, 21)

Nós queremos Famílias de Caná santas, muito santas, mesmo no meio das vidas mais difíceis!

Vamos! É preciso estar sempre alegre, dar o primeiro lugar à oração, cumprir os nossos deveres familiares e sociais e fazer o bem a todos. Será assim tão complicado?…

3 Comments

  1. Helena Atalaia

    Hoje, durante o pequeno-almoço com o meu filho e antes da sua ida para a escola, li o seu post em voz alta. E no final, deixei a questão para refletirmos em conjunto. A resposta foi rápida: tudo isso não é difícil, mas de tudo o mais difícil mesmo: é não descurar a oração!

    Certa vez, numa meditação ouvi um padre dizer, com bastante sentido de humor, que quando alguém lhe diz que gosta muito de rezar pensa que provavelmente essa pessoa reza pouco… Sempre se fica mais descansado quando percebemos que a dificuldade não é só nossa… mas não podemos ficar lá muito descansados se não rezamos.

    A oração é difícil de manter, porque nem sempre apetece, porque por vezes parece que não estamos a fazer nada bem (grande soberba e vaidade a nossa), ou está tudo uma confusão que mais vale nem rezar. Penso que todos temos altos e baixos em relação à oração mas é bom sabermos que realmente quando ela falta, falta muito, falta-nos muito!

    A oração não tem de ser “perfeita”, e nem sempre é em silêncio (e em família, cá em casa, é muitas vezes uma grande confusão!!) e muitas vezes, pode nem dar uma sensação reconfortante, e às vezes não apetece mesmo nadaaa…outras é tão boa! Graças a Deus!

    Que os santos nos ajudem a perseverar na oração! Como dizia esse sacerdote, mais ou menos por estas palavras: os santos, não são santos, porque gostam muito de rezar mas são aqueles que mesmo que não queiram rezar vão contra a sua vontade e rezam, são aqueles que fazem o que devem quando devem e por amor a Deus.
    Bjs e obrigada!

  2. Rogério Ribeiro

    A Teresa compreendeu mal o que eu disse!
    O que eu disse foi que o que me atraiu nas famílias de caná foi o vosso testemunho de vida coerente com o que dizem e com o que fazem.
    E para perceber isso eu não precisava de ir confirmar a Mogofores.

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