Em Caná da Galileia...


Todos os Santos!

Que grande festa, a de todos os Santos de Deus! Cá em casa, é aguardada sempre com imensa expetativa.

No fim da tarde do dia 31, quando já estava escuro, os quatro mais pequenos vestiram de novo os seus disfarces de santos e foram comigo bater à porta dos amigos e vizinhos: “Bolinhos para os santinhos! Bolinhos para os santinhos!” Quando alguém abria a porta, a Sara era a primeira a falar:

“Eu sou Santa Kateri, uma índia!”

“E eu, a pastorinha Lúcia!”

“Eu sou Domingos Sávio.”

“Eu sou S. Nuno Álvares Pereira!”

Depois de uma exclamação de surpresa por parte de quem, certamente, esperava ver vampiros, bruxas ou feiticeiros, vinha um sorriso e um elogio: “Pareces mesmo a pastorinha! E tu estás um cavaleiro fantástico!” E lá caía uma mão-cheia de rebuçados no saco que a Sara transportava.

Entretanto, em casa, o pai e os irmãos preparavam o churrasco, que em Véspera de Todos os Santos, não dispensamos. Comemos alegremente à luz quente das estrelas, em noite que parecia de verão. E até lançámos pequenos foguetes.

“Ah, eu vi um planeta! Ali é um planeta, não é, mãe?”

“E ali é a Ursa Maior! Já sei!”

Assámos salsichas e marshmallows e comemos os chocolates e rebuçados recolhidos pela vizinhança. Chegou a hora dos jogos. Este ano, aos tradicionais da maçã pendurada no arame e da noz empurrada com o nariz pelo chão, juntámos os Saltos à corda com os Santos, que já descrevi em “recursos”. Quando, já quase sem fôlego, os meninos davam os últimos saltos, lembrámo-nos de saltar invocando os santos, um santo a cada salto, um salto por criança, santo e criança uns atrás dos outros sem parar: “Santa Joana de Aveiro, rogai por nós!” Saltava o António, e saía da corda. “São João Bosco, rogai por nós!” Saltava a Lúcia, e saía da corda. “Santa Cecília, rogai por nós!” Saltava a Clarinha, e saía da corda. E lá repetíamos a sequência, os mais pequenos pedindo ajuda ao pai e à mãe para não esquecerem nenhum santo. Ena, tantos santos que invocámos, ao som de gargalhadas, ao ritmo da corda, à luz das estrelas!

A noite terminou com a oração familiar, os mais novos adormecendo ao colo no sofá, enquanto de novo invocávamos os santos, mas agora a cantar a várias vozes. Enquanto carregava a Sara nos braços para a deitar, quase me pareceu ver os santos do céu a sorrir de alegria com tanta atenção que lhes prestámos…

No final da missa solene desta manhã de festa, o senhor padre Taveira levou a mão ao bolso e mostrou-me quatro rebuçados: “Teresa, sabia que estes rebuçados foram-me dados pelo António? Ele quis partilhar comigo alguns dos rebuçados que ontem recebeu!” Rimo-nos os dois perante este inesperado gesto de generosidade. A alegria da santidade é assim!

Sei que muitos de vós aceitaram o desafio do Holywins e vestiram os vosso filhos de santos e santas. Alguns já partilharam connosco as suas lindas fotos. Queremos fazer um post dedicado especialmente a todos os vossos pequenos-grandes santos! Enviem as vossas fotos para o mail central do site, dando-nos a vossa autorização para que as publiquemos. Vamos contagiar o mundo inteiro com a alegria da Santidade! Ámen.

One Comment

  1. Bom dia,

    Por aqui mantem-se viva a tradicao do Pao-por-Deus e todos os anos as crianças de cada aldeia se juntam e vao de porta em porta a pedir Pao-por-Deus e chegam felizes a casa carregadas de doces, nozes e outros Frutos secos. Este ano eram cerca de 30, numa aldeia onde existem uns 200 habitantes.

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