Em Caná da Galileia...


Vittorio Trancanelli, médico, pai adotivo… e futuro santo

A propósito deste desafio que o Dia Nacional do Pijama nos vem colocar a todos nós, não resisto a partilhar convosco a história do Servo de Deus Vittorio Trancanelli, italiano, “o santo da sala de cirurgia” como era conhecido no hospital onde trabalhava. Médico cirugião dos nossos tempos – faleceu aos 54 anos em 1998 – Vittorio teve um único filho biológico, pois a sua saúde não lhe permitiu ter mais. Sofredor, Vittorio escondia as dores debaixo de um sorriso lindo e da atenção constante aos seus doentes, que servia com amor.

E foi este amor imenso a Deus e ao próximo que levou Vittorio e sua esposa a fundar uma associação de acolhimento de crianças e mães em risco, ao mesmo tempo que se abriam à adoção. Juntos, adotaram sete crianças, entre as quais várias com deficiência. São elas, hoje, que dão de Vittorio o testemunho mais belo, como podem descobrir se pesquisarem um bocadinho no YouTube (e se entenderem italiano…).

Quem acolher um pequenino destes em meu Nome, a Mim acolhe. (Mc 9, 37)

Assim gostava Vittorio de citar. No fim da vida, no seu leito de morte, as suas últimas palavras foram simples. Olhando a esposa e os oito filhos um a um, disse apenas:

É por isto que vale a pena viver. Não para ser rico ou fazer carreira. Mas por isto…

No fim da vida, que levaremos nós para o céu? As horas de descanso de que disfrutámos? As horas de televisão e de Facebook? O dinheiro guardado no banco? A informação de Excelente na carreira à custa do Tempo de Família ou do serviço efetivo e atento do irmão? Não levaremos antes os sorrisos e os olhinhos brilhantes daqueles que fizemos felizes, na família como no trabalho, mesmo à custa de algum cansaço?

Disse-nos o Papa Francisco na homilia do Dia Mundial dos Pobres, como já dizia Santa Teresa de Calcutá, e como disse Jesus de todas as maneiras possíveis, especialmente na Cruz:

Para o Céu, não levamos o que temos, mas o que damos.

Ámen!

One Comment

  1. Que bom seria que no nosso país adoptar fosse mais simples, mais célere, menos burucrático. Porque a somar à luta de aceitar e lidar com o facto de ser impossível gerar 1, 2 , 3 ou quantos filhos se desejaria, temos a luta de lidar com uma avaliação longa e um tempo de espera por um filho, de anos. Que bom seria que fosse mais simples e mais rápido realizar este desejo, esta vontade imensa de dar à vida este sentido de que falam no post: ser para um filho, ser o seu porto de abrigo a sua referência maior, ser a sua guia, o seu ninho, o seu conforto. E um filho ser para nós. Tudo. O sentido. O objectivo. O que vale a pena. Resta esperar, com fé que um dia, um técnico vai pegar na nossa ficha, aquela que nos define e decide que somos os pais de uma criança. Resta esperar que esse dia não demore muito a chegar

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