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Igreja Católica quer estar na «linha da frente» do acolhimento das famílias

O bispo de Coimbra disse à Agência ECCLESIA que a diocese está empenhada em acompanhar as famílias cristãs em todas as suas situações, incluindo as “mais complexas e dramáticas”, na linha do que tem sido proposto pelo Papa Francisco.

“Temos de estar na linha da frente no acolhimento de todos, evidentemente. Depois há diferentes formas de participação, a Igreja, de facto, até nos pede que nós procuremos criar condições e ajudar as pessoas a uma aproximação e a uma participação cada vez maiores”, assinalou D. Virgílio Antunes, falando durante a festa das famílias que decorreu na Mealhada, no passado domingo, com debates, atividades lúdicas e culturais.

O prelado considera que uma diocese deve ser, “cada vez mais”, uma família, algo que faz parte da sua “identidade mais profunda”.
“Jesus, quando chamou os discípulos e os enviou a anunciar a Boa Nova, naturalmente, não os enviou a levar um conjunto de palavras nem um discurso, mas a constituir uma comunidade onde todos se sentissem bem, onde todos fossem acolhidos, onde todos partilhassem aquilo que são e o que têm. Que fosse, efetivamente, uma família”, referiu.
A festa diocesana das famílias é apresentada como resposta à necessidade de encontro, entre católicos, num tempo de muitos desafios, com várias perspetivas. “Estou convencido de que a grande questão da humanidade, do Ocidente, portanto, também da nossa sociedade, tem inevitavelmente a ver com a família, porque não se pode passar de algo muitíssimo importante, fundamental”, observa o bispo de Coimbra. “A dimensão familiar faz parte integrante da nossa condição, nós somos assim: somos uns com os outros, uns para os outros”, acrescenta.

O programa incluiu três debates, com o tema ‘Família, acolhe e celebra a Vida…’, em áreas como a comunicação, o sofrimento e o luto.
João Paiva, professor na Faculdade de Ciências da Universidade do Porto, referiu à ECCLESIA que o pontificado do Papa Francisco pode ser lido a partir da ideia de “família como resposta, precisamente, à questão da pobreza e da fragilidade humana, concretamente do planeta enquanto casa comum”.
“Na porosidade dos tempos de hoje e nas periferias onde importa chegar, a família deve ser aberta, não defensiva, capaz de ressignificar, de ser criativa, de estar absolutamente imersa na sociedade atual”, observa.
Outro dos conferencistas foi o cronista Henrique Raposo, para quem a fé cristã torna a vida “mais desafiante”, com respostas menos óbvias ou superficiais, numa espécie de “maratona” no cumprimento de algo que é “superior”.  “É muito fácil criar a ideia de que ter uma família é muito fácil, é tudo cor-de-rosa, e não é. A própria Bíblia é muito clara sobre isso: ter família implica um grau de sacrifício pessoal, mas o amor é mesmo isso. Também se vive um tempo onde se confunde muito o amor com o mero afeto, com o mero prazer. O amor não é isso, é dar literalmente a tua vida a outras pessoas, é sacrificares-te por outras pessoas”, sustenta.

Há 18 anos no serviço de Cuidados Paliativos do IPO-Coimbra, a enfermeira Ana Rocha lida com sofrimento “indescritível”, tendo o desafio de encontrar, “em tempo útil”, formas de dar sentido e significado “à vida, à despedida”. “Nós somos cuidadores do doente, da família, para que depois a família possa cuidar do seu, ainda em tempo de vida, e cuidar-se, depois, em tempo de morte. Há uma frase que é extremamente importante: o outro viverá em nós até ao último momento em que eu me lembre dele. Se eu o conseguir recordar de uma forma tranquila, saudosa, mas uma saudade positiva, de uma forma viva, em mim, consigo efetivamente acompanhar o outro, no luto ou no sofrimento menos intenso”, relata.

Texto e fotos: Agência Ecclesia

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