Acampamento de Caná

Senhor, como é bom estarmos aqui! Se quiseres, levantarei aqui três tendas… (Mt 17, 4) O Canto de Caná tornou-se num pequeno Tabor para as Famílias de Caná que por cá passaram no dia 3, e por cá continuam a passar de vez em quando. Rezar num pequeno alpendre atravessado pela brisa e ao som da música suave dos passarinhos é, verdadeiramente, uma graça e um dom inestimáveis. Quando, ao fim da tarde, por ali passamos, somos invadidos pelo desejo de ali permanecer. Como há dois mil anos atrás, geralmente o Senhor desafia-nos a não montar ali as nossas tendas:(…)

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Bagagem pronta

Ontem tropecei numa mochila do Homem Aranha, estrategicamente colocada à entrada do meu quarto. Apanhei-a e inspecionei o seu interior: uma corda de saltar, um cubo mágico, um baralho de cartas incompleto, carrinhos, alguns objetos não indentificáveis e um bloco de apontamentos. “Essa mochila é minha, não podes mexer!” O António, que acaba de fazer sete anos, vinha a correr do seu quarto e quase esbarrava comigo. “Por que não vais arrumar estes brinquedos todos nos seus sítios? Esta mochila está uma grande confusão!” Sugeri. “Arrumar? Mas acabei de a arrumar! É a mochila que vou levar para a Irlanda.(…)

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Um copo de água

No início deste ano letivo, e no meio do caos que são sempre os tempos de adaptação a novas rotinas, horários e trabalhos, adotei um ritual muito especial, que vou partilhar convosco, nem que seja para vos fazer sorrir: quando me sinto mais irritada, nervosa ou inquieta, vou à cozinha, e bebo devagar um copo de água de um certo garrafão, que as crianças já sabem ser para mim… A ideia foi do Niall. Um dia, ao fazer as compras da semana, reparou nos garrafões de água do Gerês, e recordou-se de ter ouvido dizer, na pequena aldeia onde passámos(…)

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Quinze dias com as Missionárias da Madre Teresa

Foi há vinte e poucos anos atrás. Nas minhas últimas férias de verão como universitária, decidi perguntar às Missionárias da Caridade sediadas em Lisboa se podia passar quinze dias com elas, ajudando-as no seu trabalho no Lar de Acolhimento para Abandonados e partilhando a sua vida. Disseram-me que sim. Informei a minha mãe e o Niall, e parti para Lisboa de comboio. Apanhei um táxi para a morada que me foi indicada, em Chelas, e de repente vi-me sozinha numa praça barulhenta cheia de barracas. Olhei para todos os lados, mas nem sinais de um convento. Toquei à campainha do(…)

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A fonte, a minha vontade e a vontade de Deus

Serra do Gerês. Estávamos quase, quase no último dia das nossas férias. A tranquilidade daqueles dias no cimo da montanha fazia eco dentro de mim, e eu desejava intensamente alguns minutos a sós com o Senhor, para O louvar em voz alta e Lhe agradecer tanta bênção. Lá em baixo, a fonte cantava alegremente, derramando sem cessar água sobre o tanque e, a partir dele, sobre os campos da aldeia. “Já sei o que vou fazer”, anunciei ao Niall. “Vou tirar alguns minutos só para mim, para ficar a sós com Jesus. Vou pegar num copo de água e descer(…)

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