O manto de Fátima

Já me tinha esquecido de como Fátima é tão, tão azul. E tão branca. O azul e o branco, as cores de Maria, refulgem em Fátima como em nenhum outro lugar. “Paia!” Gritou o Daniel, quando estacionámos o carro. Não, desta vez não é a praia, Daniel. Desta vez é melhor. Desta vez é Fátima! Depois destes tempos tão duros espiritualmente, peregrinar a Fátima refresca a alma como poucas outras coisas. Ainda que o sol queime, ainda que o creme solar não seja suficiente para evitar cores mais vivas nas caras e nos braços expostos de todos: nota-se bem que(…)

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Domingo XIII do Tempo Comum, ano A

Reflexão semanal, escrita pela Teresa, sobre as leituras da missa do domingo seguinte, publicada no jornal diocesano Correio do Vouga ACOLHER É AMAR Um Deus que nos acolhe sempre, que Se entrega todo à Sua criatura e que recompensa com amor infinito o nosso mais humilde gesto – eis o Senhor que hoje encontramos na Eucaristia! O profeta Eliseu sabia que podia contar com a hospitalidade de um casal de Sunam, sempre disposto a oferecer-lhe uma boa refeição quando por lá passava. Com o tempo, o casal decidiu até “fazer no terraço um pequeno quarto” para receber o profeta. Ao(…)

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Em jeito de balanço

Ontem, como quase todos os dias desde 13 de março, levei o Daniel a visitar as ovelhinhas no final da rua. Se eu me atraso um pouco, é ele quem me puxa para o carrinho e me pede que o sente, pois não gosta de ficar sem o seu passeio matinal, não vão as ovelhas passar fome! E a verdade é que, ao vê-lo chegar, elas correm para o gradeamento e atropelam-se para receber as folhinhas e ervinhas que ele lhes estende. E ontem, enquanto passeávamos, dei comigo a ter saudades antecipadas destes passeios matinais. Saudades da tranquilidade destes nossos(…)

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Retirando as máscaras diante do Senhor

Foi um magnífico domingo da Ascensão, com direito a uma subida à montanha do Bussaco – não da Galileia -, e muita brincadeira nos seus riachos e esconderijos, subindo e descendo por entre árvores e cascatas. Pensávamos que tínhamos escolhido um lugar recatado para um piquenique com amigos, mas enganámo-nos: meio mundo pensou certamente o mesmo, e o Bussaco transbordava de vida, de gente e de alegria. Os portugueses são tão bons a desconfinar como foram a confinar, está visto! (Se derem por falta de alguns Power e de alguns Miranda Santos nestas fotos, é natural, pois nós também demos(…)

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O perfume

“Estou faaaaarta da escola assim!” Grita a Sara, sete aninhos, os olhos cheios de lágrimas e os braços cruzados com fúria. “Não gosto de aprender com o computador! Quero ir à escola, ouvir a professora a ensinar as coisas, brincar com as minhas amigas no recreio”, explica, para o caso de eu não ter entendido bem. Deixo-a fazer a birra a que tem direito, e sigo em frente até ao quarto seguinte, onde a Clarinha me chamara. “Mãe, recebi este mail, com esta proposta para fazer um curso online sobre Teologia do Corpo. O que achas?” “Parece-me interessante, filha. Mas(…)

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O Céu, um eucalipto e a Ascensão de Jesus

A grande solenidade da Ascensão está quase aí. Durante toda esta semana, de missal na mão, continuamos a meditar nas últimas palavras de Jesus, no seu Novo Testamento, palavras que Lhe saíram diretamente do Coração, pouco antes da sua morte. Porque se essas palavras fizeram sentido antes da crucifixão, continuam a fazer antes da Ascenção: a partir deste mistério, a ausência de Jesus tornou-se sua Presença. Pensar na morte é, para nós cristãos, pensar no Céu. E o mistério da Ascensão de Jesus diz-nos que também nós, um dia, habitaremos no seu Céu, em corpo e alma como Ele. Será(…)

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Entre irmãos

Tanto no quarto dos rapazes, como das raparigas, as portadas das janelas ficam abertas durante a noite. Os meninos habituaram-se a adormecer com a luz das estrelas e com o luar a entrar pela janela, e gostam de acordar com os raios de sol da manhã. Nestas noites primaveris, antes de adormecer, os mais novos gostam de contemplar os pirilampos no jardim, luzeiros minúsculos a saltitar entre as ervas e a transformar os arbustos em autênticas árvores de natal. Há anos que não havia tantos pirilampos nas nossas noites! É, na verdade, um espetáculo magnífico. Mas não são só os(…)

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Oásis

Sábado amanheceu quente, seco, luminoso. Com os vagares próprios de quem não tem planos para o dia, nestes tempos de confinamento, demorei-me a conversar por whatsapp com uma amiga, a falar ao telefone com a minha mãe e, aos bocadinhos, ia fazendo a lida da casa. Eis senão quando estas duas criaturas me apareceram na cozinha, oferecendo-me uma visão pouco comum: “Mas o que se passa, meninos?” Perguntei, surpreendida. Quase ao mesmo tempo, ouço o Niall aos gritos, na garagem: “Quem decidiu abrir a caixa com os equipamentos da praia e do rio, os sapatos de água, as redes de(…)

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Quando o mundo nos troca as voltas

Testemunho da Olívia Batista: Temos sempre um lugar onde regressar. Chama-se oração familiar. Hoje, queria partilhar convosco um pouco daquilo que, provavelmente aí em casa sentem também. Esta constante adaptação de rotinas que o mundo e as exigências do dia-a-dia nos trazem. Há duas semanas era de uma forma, na semana passada já foi diferente e na próxima voltará a mudar. Ainda não nos adaptámos e já estamos novamente a mudar. É preciso não desanimar. Recomeçar uma e outra vez, mais do que nunca sinto que assim que abro os olhos pela manhã bem cedo é preciso dar graças e(…)

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Rotinas familiares em tempo de tele-tudo

“Mãe!” A Sara está aos gritos, como sempre que fica nervosa. “O que se passa, filha?” “Como é que eu vou ver a telescola se não temos televisão?” Pois, é verdade, o nosso coelhinho rebentou com a televisão, e nem o nosso engenheiro mecânico quase formado a conseguiu recuperar. Mas a telescola também passa na net, Sara, não te aflijas! Quem tem um tablet para emprestar à Sara? David? Pode ser? Ótimo, a Sara está pronta. “Mãe, há algum sítio da casa em que eu possa falar alto?” A Clarinha vem ter comigo à cozinha, um computador numa mão, montes(…)

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