Testemunhos


A exigência da simplicidade

O meu primeiro contacto com o movimento Famílias de Caná foi através de um comentário de “uma” Teresa Power num post de um blogue familiar que eu seguia e onde se contava as peripécias de uma viagem atribulada em família e na maravilha que era viajar:

Não é, realmente, preciso ir à Disneylândia – e nos tempos que vivemos, quantos portugueses se podem dar ao luxo de viajar para fora do país? Umas mini-férias de carnaval com seis crianças meio engripadas em casa, a chover lá fora, muitas histórias para contar, muitas batalhas de índios e cowboys para gerir, muitos desenhos para pintar, muitos abraços para dar, misturados com benurons e brufens… Que maravilha! 
A noção de cultura também é relativa… Subir à Torre Eiffel não é um acto cultural mais importante do que aprender a distinguir espinafres de agriões – e eu só aprendi esta diferença ao decidir vir viver para o campo, depois de uma vida inteira na cidade, e plantar uma horta no meu quintal! A cultura, afinal, pode estar também no nosso jardim…

 O comentário deixou-me intrigada e com a sensação de que “esta é das minhas” como o autor do comentário tinha ligação a um outro blogue resolvi clicar e todo um novo mundo se abre à minha frente através de uma janela de computador numa manhã de março. Estávamos em 2014 e o blogue chamava-se “Uma família católica”.

O blogue estava no início, mas os textos eram verdadeiramente maravilhosos e a verdade é que, esta família vivia de uma forma que me cativou. As partilhas frequentes mostravam que era possível viver de uma forma simples “aos olhos do mundo” e exigente “aos olhos de Deus”. Os seus dias eram vividos com Deus no centro e a família à Sua volta e isso … cativou-me.

Claro que, tentar entrar num campeonato de natação nível olímpico quando mal se sabe nadar não podia dar bom resultado e a frustração instalou-se quando pensámos em comparar famílias. Mas, a vida da fé não é um campeonato e as famílias não podem ser comparadas! O importante é que, reconhecendo as nossas limitações, vamos cultivando – em terrenos pedregosos e por vezes pouco férteis – este nosso tesouro: “Este tesouro chama-se família. Chama-se paróquia. Chama-se rotina

Em conversa com uma mãe de família por várias vezes nos debatíamos sobre o “somos ou não famílias de Caná?” Eu mantenho a minha promessa, sim sou, ainda que na prática a nossa caminhada seja do mais imperfeito que pode existir, embora quanto mais eu tente pareça que menos consigo… sim, somos família de Caná! Talvez esta seja a “porta estreita” que Jesus nos fala hoje:

Entrai pela porta estreita, porque larga é a porta e espaçoso o caminho que leva à perdição e muitos são os que seguem por eles.
Como é estreita a porta e apertado o caminho que conduz à vida e como são poucos aqueles que os encontram! Mt.7, 13-14

A exigência deste movimento na vivência das “bilhas” contrabalança com a simplicidade dos nossos gestos, através da rotina as exigências deixam de ser “lei” e passam a ser guias, as “obrigações” passam a ser serviço e as frustrações passam a ser simplesmente uma fase que ultrapassaremos com Jesus e Maria ao nosso lado.

3 Comments

  1. Pilar Pereira

    Também foi através de um comentário de “uma” Teresa Power (ainda me rio quando penso que pensei que “Power”era uma espécie de cognome que a dita Teresa tinha inventado para usar na Internet) que fui parar ao seu blogue. Da primeira vez, gostei, mas não me tornei assídua; foi preciso um segundo comentário no “Pais de Quatro” (não sei se também foi nesse blogue que a encontraste, mas deve ter sido, porque eu lembro-me de ler algo parecido com o comentário que referiste) para reentrar n'”Uma Família Católica” e não tornar a sair.
    Quando participei no primeiro retiro das Famílias de Caná, no dia do segundo aniversário da Sara Power, uma jovem mãe chamada Olívia, que também tinha um blogue que eu começara a seguir, partilhou o que fazia com as filhas (na altura duas) e eu gostei da sua simplicidade… Que bom ter-me tornado sua amiga, mesmo tendo-a visto, no total, pouco mais do que uma mão cheia de vezes!
    E, mesmo assim, posso dizer que a caminhada que tem vindo a fazer, em família, ao longo do tempo, tem sido enorme. Quem a leu e quem a lê… Acho que já sabes “nadar” bastante bem, Olívia!

    • Pois foi Pilar! Foi a primeira vez que dei testemunho, e logo em frente de tanta gente… fico contente que nos tenhamos conhecido!
      Oxalá nos encontremos em breve!

  2. Falta dizer que, pouco mais de um mês depois deste teu contacto connosco, convenceste a família a vir fazer um retiro em Mogofores, terra de que nunca tinham ouvido falar! Estávamos nos inícios e as Famílias de Caná eram ilustres desconhecidas… Foi preciso muita coragem, Olívia! Deus recompensa sempre, e hoje, a tua família e a minha partilham uma amizade que não trocava por nada! Bjs!

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